Volta de goleiro Bruno ao futebol é como um novo assassinato de Eliza, diz mãe

Sônia diz que todos os pedidos de Bruno são concedidos pela Justiça, mas não o dela, saber onde está o corpo da filha

Sônia de Fátima Moura, mãe de , está presenciando o assassino de sua filha voltar mais uma vez ao futebol profissional. Há 10 anos sem saber o paradeiro de Eliza e sem conseguir dar um último adeus, a moradora do distrito de Anhanduí, distante 61 km de Campo Grande, relata que ver a volta de Bruno aos campos é como ver sua filha sendo assassinada mais uma vez.

Em 2013 Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, agora em 2020, cumprindo pena em regime semiaberto, ele é o mais novo goleiro do Rio Branco-AC.

Em entrevista ao site Meia Hora, pertencente ao portal IG, Sônia falou como se sente ao ver Bruno seguindo sua vida e sendo até mesmo defendido por pessoas ao redor do Brasil.

“O Bruno é defendido por milhares de pessoas e todos os dias eu vejo Eliza ser culpabilizada. As pessoas comentam que ‘ela pediu por isso’. Quer dizer que quando uma mulher vai na justiça pedir os direitos do filho ela está pedindo para morrer?”, indagou Sônia durante a entrevista.

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Sônia de Fátima Moura, mãe de . (Foto: arquivo Midiamax)

Sônia ainda revelou não acreditar que o goleiro está realmente arrependido, pois ele teve a chance de não cometer o crime no passado. “Isso não vai trazer a Eliza de volta. Ele teve tempo para pensar lá atrás. Ele poderia ser outro Bruno, mas preferiu matá-la. Achou que ninguém ia descobrir, que ia ficar impune por ser goleiro do Flamengo e que não acreditariam na história dela. Eu só queria ter paz, mas eu nunca vou ter. Minha dor não vai amenizar.”

Ainda durante a entrevista concedida ao portal, Sônia fez questão de dizer que todos os pedidos de Bruno são concedidos pela polícia, já o seu único pedido nunca foi realizado, saber onde está o corpo da filha.

“Tudo o que o Bruno pede na justiça é concedido a ele. Meu único pedido é saber onde está o corpo de Eliza e isso eu não tenho. É uma resposta que não posso dar para o meu neto”, disse Sônia.

Hoje, com 10 anos, a guarda de Bruninho, filho de Bruno e Eliza, é da avó Sônia, que diz sentir uma imensa dor ao não conseguir responder ao neto onde a mãe está enterrada. “Ele perguntou para mim: ‘Onde a minha mãe está enterrada?’ Eu tive que falar que não sabia, porque o assassino sumiu com o corpo da minha filha — e isso dói muito”.

A mãe de Eliza se refere a justiça como falha e usa o caso da filha de exemplo, afirmando que mesmo após denúncias, a vítima nunca foi ouvida, “A Eliza fez vários boletins de ocorrência contra ele. O que a Justiça fez quando ela pediu socorro? Só em setembro 2010 teve a primeira audiência da Lei Maria da Penha, mas sem a vítima, porque Bruno já tinha assassinado a Eliza”.

Durante a entrevista, Sônia revelou conversar com outras pessoas que tiveram filhas assassinadas e confessou que muitos acreditam que a única saída para se obter justiça é as realizando com as próprias mãos, “a vontade de muitos é fazer justiça com as próprias mãos, porque a nossa não está fazendo isso pelas nossas vítimas”.

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