Líder do governo admite negociar MP da manutenção de empregos

 O ritmo e o volume das ações do governo para combater a pandemia de Covid-19 têm sido motivo de debate frequente no Plenário. Muitos deputados classificaram como tímida a medida provisória (MP 936/20) que busca manter os empregos durante a calamidade pública, criando um benefício para o trabalhador que tiver salário cortado ou suspenso.

 O líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), disse que o Planalto está aberto para discutir a proposta. Segundo ele, são duas frentes prioritárias de ação: saúde e economia. “Porém a depender do remédio, da dose que se aplique na primeira onda [saúde], a gente pode potencializar muito os efeitos da segunda [economia]”, alertou. “O governo tem procurado agir com equilíbrio, serenidade e planejamento em várias frentes.”

 Vitor Hugo afirmou que o Executivo tem de agir com prudência, mas que não está receoso de gastar mais caso seja necessário. “O déficit, que neste ano estava sendo previsto em R$ 124 bilhões, já está estimado em R$ 419 bilhões. Isso é mais que 5,5% do PIB”, ressaltou. “Temos um pacote anunciado de mais de R$ 700 bilhões em apoio a várias áreas. Então é uma falácia dizer que o governo federal não está disposto a gastar para apoiar as famílias, as empresas, os empregos, a questão da saúde.”

 Para a líder do PCdoB, deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), não é hora de contar dinheiro, e o governo deve garantir mais renda ao trabalhador. “Quando temos um parente doente, na UTI, fazemos tudo para deixá-lo bem, curado. A gente se endivida, usa o cheque especial, cartão de crédito. O mais importante é a saúde da pessoa querida, depois a gente se organiza para pagar a dívida”, comparou.

 Na opinião do deputado Ricardo Barros (PP-PR), a MP que trata da preservação dos empregos está no caminho certo. “Para todos haverá uma redução de renda, para o patrão e o empregado, mas haverá paz social”, comentou. “Porque todos estarão em casa, porém seguros de que, assim que terminar o isolamento, vamos retomar a atividade econômica.”

 Estados e municípios

Por sua vez, o deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) disse  que alguns governos estaduais e municipais estão tomando medidas que prejudicam a estabilidade econômica.

 “Temos de ter prudência para manter os empregos, uma economia sólida. E os governadores e prefeitos têm trabalhado muito para que haja um sucateamento econômico do Brasil e depois colocar na conta do governo.”

 Taxação

Já o deputado Bira do Pindaré (PSB-MA) lamentou que ainda falta apoio para uma maior taxação dos mais ricos.

 “Chegou a hora de esse pessoal privilegiado (grandes redes comerciais, bancos, setor financeiro) também participar dessa despesa enorme, que é uma despesa de guerra. Será que eles não vão se coçar?”, indagou.

 Informais

O deputado Jorge Solla (PT-BA) criticou o que ele classificou de atraso no pagamento do auxílio aos trabalhadores informais.

 “Paga logo, Bolsonaro! Não fica criando dificuldades para inviabilizar que o dinheiro chegue à população brasileira. Porque, para os bancos, os recursos já foram liberados há muito tempo.” O governo promete que o auxílio de R$ 600 começará a ser pago nos próximos dias.

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