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‘Chilique’: Regina Duarte canta música da ditadura, perde a paciência e entrevista é encerrada na CNN

Em entrevista ao canal CNN Brasil, nesta quinta-feira (7), a secretária especial de Cultura do governo de Jair Bolsonaro, Regina Duarte, cantou uma música dos tempos da ditadura militar, minimizou as mortes causadas pela pandemia de coronavírus e ainda perdeu a paciência com jornalistas, ao ser confrontada com questionamentos feitos, em vídeo, por sua ex-colega […]

Matheus Maderal Publicado em 08/05/2020, às 08h59 - Atualizado às 10h10

Secretária da Cultura perde a paciência em entrevista. (Reprodução/CNN)
Secretária da Cultura perde a paciência em entrevista. (Reprodução/CNN) - Secretária da Cultura perde a paciência em entrevista. (Reprodução/CNN)

Em entrevista ao canal CNN Brasil, nesta quinta-feira (7), a secretária especial de Cultura do governo de Jair Bolsonaro, Regina Duarte, cantou uma música dos tempos da ditadura militar, minimizou as mortes causadas pela pandemia de coronavírus e ainda perdeu a paciência com jornalistas, ao ser confrontada com questionamentos feitos, em vídeo, por sua ex-colega de TV Globo, a atriz Maitê Proença.

“Tive que dar um chilique”, disse a secretária antes de a entrevista constrangedora ser encerrada.

No começo do programa, apresentado por Daniela Lima e Reinaldo Gottino, Regina relatou o encontro que teve ontem com Bolsonaro, e criticou quem fica “cobrando por coisas que aconteceram nos anos 60, 70, 80”, referindo-se a críticas que o presidente vem recebendo de opositores sobre a escalada autoritária de seu governo diante da participação do presidente em manifestações que pedem pela volta do regime militar e o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.

“Gente, vamo embora, né, vamo embora pra frente, ‘pra frente, Brasil, salve a Seleção; de repente, é aquela corrente pra frente’. Não era bom quando a gente cantava isso?”, disse a secretária, em referência à música da Copa do Mundo de 1970, associada à propaganda do regime militar.

“É que houve tortura, secretária. Houve censura à cultura”, respondeu o jornalista Daniel Adjuto, que a entrevistava. E ela replica: “Bom, mas sempre houve tortura. Meu Deus do céu… Stalin, quantas mortes? Hitler, quantas mortes? Se a gente for ficar arrastando essas mortes, trazendo esse cemitério… Não quero arrastar um cemitério de mortos nas minhas costas e não desejo isso pra ninguém. Eu sou leve, sabe, eu tô viva, estamos vivos, vamos ficar vivos. Por que olhar pra trás? Não vive quem fica arrastando cordéis de caixões”.

A ex-atriz ainda rejeitou que o presidente esteja cogitando sua demissão. “Isso aí é uma narrativa que corre lá fora, pelo mundo. Parece que as pessoas têm uma certa ansiedade de me ver fora”, disse. Recentemente, Bolsonaro criticou a ausência da secretária em anúncios do governo e afirmou que a ex-atriz estava tendo “dificuldades” ao comandar a pasta.

Durante a entrevista, foi apresentado um vídeo com críticas de Maitê sobre o trabalho da secretaria da cultura, enquanto grandes nomes da arte brasileira morrem de coronavírus. Irritada, Duarte reclamou com seu entrevistador e disse que isso não havia sido “combinado”.

A secretária de Bolsonaro definiu a transmissão como “baixo nível” e disse que precisou “dar um chilique” para que interrompessem a declaração da ex-colega. Ao ser solicitada a responder sobre as declarações de Proença, Regina rebateu: “Vocês estão me obrigando?”.

Questionada pela apresentadora Daniela Lima, que lembrou da sua função como secretária do governo federal, Duarte rebateu: “Quem é você, que tá desenterrando uma fala da Maitê de dois meses atrás? (…) Vocês estão desenterrando mortos”, criticou.

Confira abaixo a entrevista completa:

Jornal Midiamax