Secretário-geral da ONU diz estar preocupado com incêndios na Amazônia

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, se mostrou “profundamente preocupado” nesta quinta-feira, 22, com as queimadas na Amazônia. De 1.º de janeiro até essa terça-feira, 20, foram contabilizados 74.155 focos, alta de 84% ante o mesmo período de 2018, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Um pouco mais da metade (52,6%) desses focos têm ocorrido na Amazônia.

“Em meio a uma crise climática internacional, não podemos permitir que se produzam mais danos em uma importante fonte de diversidade e oxigênio”, disse Guterres, em sua conta no Twitter

A ativista climática Greta Thunberg, de 16 anos, idealizadora do movimento estudantil Fridays for Future contra o aquecimento global, também se manifestou contra as queimadas que atingem a floresta amazônica. A ativista está a bordo do Malizia II rumo a Nova York para participar de uma conferência sobre o clima na sede da ONU.

“Mesmo aqui no meio do Oceano Atlântico, eu ouço sobre a quantidade recorde de s devastadores na Amazônia. Meus pensamentos estão com os afetados. Nossa guerra contra a natureza deve acabar”, disse Greta.

Críticas a Bolsonaro

Sem apresentar provas nem indicar entidades suspeitas, o presidente Jair Bolsonaro tem dito que organizações não governamentais (ONGs) podem estar por trás de s criminosos, o que foi rebatido pelas entidades.

“A declaração é, antes de tudo, covarde, feita por um presidente que não assume seus atos e tenta culpar terceiros pelos desastres ambientais que ele mesmo promove no País”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo o coordenador de políticas públicas do Greenpeace, Marcio Astrini. “A Amazônia está agonizando e Bolsonaro é responsável por cada centímetro de floresta que está sendo desmatada e incendiada.”

O WWF-Brasil afirmou que a prioridade do governo deveria zelar pelo patrimônio, e não criar “divergências estéreis e sem base na realidade” do que ocorre na região

Segundo análise técnica do Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia (Ipam), só a seca prolongada não explica a alta nas queimadas no bioma. As dez cidades amazônicas com mais focos de fogo também tiveram as maiores taxas de desmate. Para os cientistas do Ipam, a concentração nessas áreas, com estiagem branda, indica o caráter intencional dos s para limpar desmate recente.

Comissão na Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse em seu perfil pessoal no Twitter que a Casa vai criar uma comissão externa para acompanhar o problema das queimadas que atingem a Amazônia. Além disso, o parlamentar informou que vai realizar uma comissão geral nos próximos dias para avaliar a situação e propor soluções ao governo.

Repercussão negativa na imprensa internacional

A declaração do presidente Bolsonaro teve ampla repercussão negativa na imprensa internacional na quarta-feira, 21.

O jornal britânico The Guardian traz a informação de que Bolsonaro acusou ambientalistas de atear fogo na Amazônia para constranger seu governo, mas que o presidente não fornece evidências.

O site da revista alemã Spiegel traz a manchete “Floresta tropical do Brasil está pegando fogo”. O texto diz que Bolsonaro tem uma política ambiental inconsequente.

Já a BBC News, do Reino Unido, mostra um vídeo com imagens dos s na região da Amazônia. Na reportagem, cientistas dizem que a floresta tropical sofreu perdas em um ritmo acelerado desde que Bolsonaro assumiu o poder em janeiro.

Em Portugal, o jornal Público disse que a Amazônia está ardendo e já é possível ver do espaço.

No canal de notícias árabe Al Jazira, sediado no Catar, uma reportagem traz informações sobre os s na Floresta Amazônica do Brasil que atingiram um recorde neste ano. A publicação disse que imagens de satélite da Agência Espacial Americana (Nasa, na sigla em inglês) mostram fumaça cobrindo a metade norte do País – uma área maior do que a Europa.

Na internet, a hashtag #PrayForTheAmazon (reze pela Amazônia) chegou a ocupar o primeiro lugar no Twitter desta quarta. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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