Máfia italiana se une ao PCC para fortalecer rotas do tráfico internacional

Três homens com cargos de liderança na Itália estiveram com organização brasileira

Apontada por investigadores europeus como a principal organização mafiosa no mundo atualmente, a ‘Ndrangheta, com sede no sul da Itália, tem utilizado São Paulo como base de negócios de sua principal função: o tráfico de drogas. Para operar no Brasil, a máfia estabeleceu acordos com o PCC (Primeiro Comando da Capital), facção forte também em Mato Grosso do Sul – que recentemente declarou guerra contra grupos paraguaios pelo controle da fronteira seca entre o Brasil e Paraguai.

Conforme publicado pelo site de notícias da Uol, em dois anos, ao menos três homens com cargos de liderança na Itália estiveram com a organização brasileira, de acordo com investigações europeias. Existe a suspeita de que outros dois também estejam ou tenham passado por São Paulo com a mesma finalidade.

O interesse da ‘Ndrangheta em São Paulo é negociar diretamente com o PCC – a única organização criminosa brasileira que exporta cocaína para outros continentes. Desde Santos (SP) sai grande parte da droga importada pela máfia italiana, que lucra com a revenda na Europa.

Duas toneladas de droga, avaliadas em R$ 1 bilhão Segundo as investigações europeias, entre 2017 e 2018, foram enviadas à Europa cerca de duas toneladas de cocaína, avaliadas em cerca de R$ 1 bilhão.

A reportagem questionou a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de SP) sobre que medida que o estado teria em atividade contra o tráfico internacional de drogas e monitoramento de membros de máfias ou facções estrangeiras, mas a pasta informou que a competência é da PF (Polícia Federal). Questionada, a PF não se manifestou sobre o assunto até a publicação desta reportagem.

Correspondentes da máfia na América do Sul moraram em São Paulo, por pelo menos um ano, Nicola Assisi, considerado por fiscais antimáfia italianos como o principal integrante da ‘Ndrangheta, e seu filho, Patrick Assisi. Na semana passada, eles foram presos em um apartamento na Praia Grande, litoral de São Paulo, área identificada por policiais brasileiros como domínio do PCC. Nicola seria o responsável por coordenar negócios desde o porto santista, onde o tráfico internacional de drogas é controlado pela organização criminosa paulista.

Negociação com lideranças do PCC Além dos Assisi, a investigação apontou que Domenico Pelle, apontado como o principal chefe da máfia na Itália, esteve em São Paulo para negociar drogas pessoalmente com lideranças do PCC pelo menos duas vezes, entre 2016 e 2017. Ele foi preso na Europa em dezembro de 2018. A suspeita é de que ele tenha se encontrado com Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, considerado o principal criminoso em liberdade do Brasil. Ele é braço direito de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e estima-se que esteja morando na Bolívia e coordenando o tráfico internacional de drogas do PCC. Detido na Europa, Pelle nega em depoimentos as denúncias que o ligam ao PCC.

PCC está em guerra com clã paraguaio

Membros do PCC estão em guerra declarada contra grupos paraguaios pelo controle da fronteira seca entre o Brasil e Paraguai em Mato Grosso do Sul, um dos principais corredores para o narcotráfico na América Latina na atualidade. A luta tem se acirrado desde a morte de Jorge Rafaat Toumani, em 2016, e continua provocando verdadeiro banho de sangue na faixa fronteiriça.

Assassinado com pelo menos 50 tiros, noite desta terça-feira (16), o traficante Emanuel Dias Ecker, conhecido como ‘Alemão Ecker’, na cidade de Paranhos, a 477 quilômetros de Campo Grande, é a vítima mais recente. Ele teria sido morto em vingança planejada pelo Clã Alderete após um ataque do PCC. A guerra entre a facção e os clãs paraguaios se intensificou em maio, quando chefes da facção brasileira foram acusados de dedurar um carregamento de maconha dos Alderete para a polícia, indicando o dia do transporte.

A situação teria ligação também com recentes operações de combate à corrupção nas polícias do Paraguai e de Mato Grosso do Sul, que teriam alterado a ‘geopolítica’ do narcotráfico fechando ‘túneis’, como são chamadas as rotas onde policiais corruptos chegam a escoltar carregamentos de cigarro contrabandeado, drogas e armamentos.

 

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