Em 2019, 44 policiais e cinco crianças foram mortos a tiros no Rio de Janeiro

Ao todo, mais de mil pessoas morreram em ações policiais neste ano no RJ

A morte de Ágatha Félix, de 8 anos, vítima de um tiro de fuzil pelas costas no Complexo do Alemão, na noite da última sexta-feira (20), foi o 16º caso de criança baleada no Rio de Janeiro desde o começo do ano e a quinto de morte.

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, entre janeiro e julho deste ano, 1.075 pessoas morreram em operações policiais na cidade, um aumento de 20% no número de fatalidades em comparação com o mesmo período do ano passado.

A rede Fogo Cruzado, que registra nas redes sociais os casos de vítimas de confronto entre policiais e traficantes, listou as crianças atingidas até o momento.

Fogo Cruzado RJ@fogocruzadoapp

Agatha (8 anos) – foi a 16º criança baleada este ano no Grande Rio – a 5º que não resistiu aos ferimentos e morreu. Ela estava com o avô numa kombi quando foi atingida nas costas, ontem, no Complexo do Alemão. Estas são todas as crianças que foram vítimas em 2019:

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Mortes de policiais

A violência também vitimiza policiais no cumprimento do dever. Morreu neste domingo (22) o 44º policial militar do Rio de Janeiro desde o começo do ano e o segundo em menos de 24 horas. Ao todo, 186 agentes de segurança foram baleados e 49 morreram este ano.

Fellipe Brasileiro Pinheiro, de 34 anos, é a vítima mais recente. Ele integrava o Grupo de Intervenção Tática da Unidade de Polícia Pacificadora do Complexo do Alemão. Estava internado desde quarta-feira (18) após levar um tiro no peito durante uma operação para retirar uma cabine da PM de dentro de uma das favelas do Complexo do Alemão. Não resistiu e morreu neste domingo.

No sábado (21), o cabo Leandro de Oliveira Silva, de 39 anos, foi baleado na cabeça em Benfica, Zona Norte do Rio de Janeiro, e também morreu. Ele foi alvejado após abordar dois homens suspeitos em uma moto roubada. O policial foi levado ao Hospital Salgado Filho, mas não resistiu.

“Estamos numa semana difícil, numa semana que lamentavelmente perdemos 4 policiais militares”, disse o coronel Mauro Fleiss, porta-voz da PM, ao G1. “A corporação, com o apoio do governo do estado, irá continuar lutando para preservar vidas.”

A PM, porém, se defende morte de Ágatha e nega que tenha sido responsável. “Não há nenhum indicativo, nesse momento, de uma participação do policial militar no triste episódio que vitimou a pequena Ágatha”, disse o porta-voz. A família contesta essa versão: “o único tiro que teve foi o deles”, afirmou um tio de Ágatha.

Repercussão

Autoridades e pessoas públicas cobraram o governador Wilson Witzel pela violência, argumentando que a política de recrudescimento da força policial tem dado respaldo a ações da polícia que acabam em morte.

“A OAB-RJ lamenta profundamente que a média de cinco mortos por dia pela polícia seja encarada com normalidade pelo Executivo estadual e por parte da população. A normalização da barbárie é sintoma de uma sociedade doente”, disse a OAB.

Nas redes sociais, a hashtag “A culpa é do Witzel” liderou os assuntos mais comentados do Twitter durante a tarde deste sábado (21). O governador foi criticado pelo recrudescimento da força policial do RJ desde o início do seu governo, em janeiro.

Em um post nas redes sociais, o candidato derrotado às eleições presidenciais de 2018 e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), chamou Witzel de “assassino” e sugeriu o impeachment do governador do RJ.

Fernando Haddad

@Haddad_Fernando

Fora Witzel: Tenho evitado tuitar esses dias. Coisas absurdas acontecendo. Mas, com toda sinceridade, eu realmente penso que há razões de sobra para que se peça o impeachment de Witzel. Ele é o grande responsável pelas atrocidades que se cometem no Rio de Janeiro. Um assassino!

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Outro candidato derrotado nas eleições de 2018, o ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes, também criticou Witzel nas redes, compartilhando uma charge que mostra o chefe do estado do Rio de Janeiro com as mãos sujas de sangue.

Ciro Gomes

@cirogomes

Mais uma família destroçada … até quando, bom povo do Rio de Janeiro?

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Com informações de agências
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