Associação Nacional de Jornais lamenta ataques de Bolsonaro

Em nota, entidade afirmou que é missão da imprensa fiscalizar os atos dos poderes

A ANJ (Associação Nacional de Jornais) divulgou na última quinta-feira (28) nota de repúdio à declaração do presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante entrevista ao programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, veiculado na quarta-feira (27). Na ocasião, Bolsonaro referiu-se ao jornal Folha de S. Paulo como “fonte de todo o mal”.

“Não foi falado em Pinochet, ditadura em nada no Chile. Me aponte um áudio, um vídeo nesse sentido, não teve nada disso. A imprensa, maldosamente, bota, escreve. Geralmente a Folha de S. Paulo começa com tudo. Toda a fonte do mal é a Folha de S. Paulo”, disse o presidente.

No comunicado, a ANJ lamentou a declaração e informou que a imprensa, além de apresentar os relatos de fatos e multiplicidade de visões, tem como missão acompanhar e fiscalizar os atos dos poderes e das autoridades públicas. “Essencial para a democracia, o jornalismo é fonte de informação para os cidadãos, e não um inimigo a ser combatido”, esclarece a nota.

A Associação ainda apontou que, ao fazer críticas genéricas ao jornalismo, o presidente demonstra falta de compreensão em relação ao papel da imprensa.

O presidente esteve no Chile no período de 21 a 23 de março de 2019. De acordo com o jornal a Folha de São Paulo, durante entrevista em 2015, Bolsonaro elogiou o ex-presidente chileno Augusto Pinochet, que permaneceu no poder do país de 1973 a 1990.

“Pinochet fez o que tinha que ser feito porque dentro do Chile existiam mais de 30 mil cubanos, então tinha que ser de forma violenta pra reconquistar o seu país”, afirmou na época.

(*Texto com supervisão de Guilherme Cavalcante)

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