Alvos de busca, empresas atribuem ação da PF a negociação de gado entre diretor e suspeito

HBR e H2L foram vistoriadas 

Depois de serem alvo de buscas da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (11) durante  4ª fase da Operação Lama Asfáltica, as empresas HBR Medical Equipamentos Hospitalares e H2L Equipamentos e Sistemas, emitiram nota onde atribuem a ação da PF e ordem de condução coercitiva do diretor Rodolfo Pinheiro Holsback, a uma negociação de compra e venda de gado de Rodolfo com Jodascil Gonçalves Lopes.

No texto, as empresas informam que não possuem vínculos com questões levantadas em outras fases da Lama Asfáltica, nem com investigados, e que a desconfiança da PF pode ter sido motivada pela negociação de gado de Rodolfo com o professor Jodascil Gonçalves Lopes, administrador do Instituto Ícone de Ensino Jurídico e sócio de André Puccinelli Júnior, o que “na visão da Polícia Federal, poderia significar simulação de pagamento irregular”.

“Tal fato, aliado a saques em dinheiro que as duas empresas fizeram no curso dos anos de 2012 a 2014, levaram a suspeitas de possível envolvimento com o então servidor público, por força do que resolveu-se fazer a busca e apreensão”, diz a nota.

A HBR e H2L declararam ainda que “não participaram de qualquer irregularidade envolvendo o referido servidor, e que nunca fizeram qualquer pagamento irregular para a realização de qualquer negócio”. Disseram também que “as licitações das quais participaram foram regulares e legais e não mantiveram qualquer negócio com o servidor tratando de licitações”.

As ações decorrentes da Operação Máquinas de Lama, deflagrada pela PF nesta manhã em mais um desdobramento da Operação Lama Asfáltica, além de busca e apreensão nas empresas, de propriedade de Rodolfo Holsback, cumpriu mandado no apartamento do  empresário. Ele foi preso em flagrante depois de munições terem sido encontradas pelos policiais no local.

Em resposta a prisão, nota enviada diz que as munições de  revólver calibre 38 guardadas haviam sido adquiridos “há muitos anos” e estava “esquecida no armário” dentro de uma caixa.

O empresário pagou fiança e foi liberado.

Máquinas de Lama

Agentes da Polícia Federal, CGU (Controladoria-Geral da União) e Receita Federal deflagraram na manhã desta quinta-feira (11) a 4ª fase da Operação Lama Asfáltica, batizada de Máquinas de Lama, que tenta desmontar o que os agentes chamara de ‘organização criminosa’ que desviou recursos públicos durante o governo de André Puccinelli (PMDB).

Segundo a Polícia Federal, os desvios eram feitos por meio de direcionamento de licitações públicas, superfaturamento de obras públicas, aquisição fictícia ou ilícita de produtos e corrupção de agentes públicos, que resultaram em um prejuízo de cerca de R$ 150 milhões aos cofres públicos.

Para justificar a propina, o grupo alugava máquinas e equipamentos utilizados em obras do governo estadual. As investigações mostraram que tais negociações de locação nunca existiram de fato, foram feitas apenas para dar uma origem lícita aos recursos financeiros. Foram estes alugueis que serviram para batizar a operação de Máquinas de Lama.

Além de Campo Grande, 270 agentes da PF, CGU e RF estão nas cidades de Nioaque, Porto Murtinho e Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, São Paulo (SP) e Curitiba (PR), são alvos dos Operação que cumpre três mandados de prisão preventiva, nove de condução coercitiva, 32 de busca e apreensão além do sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas.

 

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