Simone diz não haver apoio popular para impeachment de Bolsonaro

Candidata à presidência do Senado criticou interferência do governo na eleição

A candidata à presidência do Senado Federal, Simone Tebet (MDB-MS), disse não haver apoio popular para a abertura de um processo de impeachment contra o presidente da República, Jair Bolsonaro. Por outro lado, ela criticou a interferência do chefe do Executivo federal na eleição interna.

“Não consigo entender essa ingerência numa eleição do Senado Federal. Tem dois candidatos que votam com o governo na pauta econômica, dois candidatos que não são oposição, aliás, votaram muito parecidos no projeto. Votei até mais com o governo do que o meu próprio concorrente. Essa ingerência do governo na eleição do Senado ela não é saudável, não tem razão de ser”, disse em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Rodrigo Pacheco (DEM-MG), endossado por Bolsonaro, teria dificuldades em dizer não ao presidente e tocar a agenda do Senado se eleito, na avaliação da emedebista. Ela ainda rebateu a virtual vitória do adversário, que já teria votos suficientes para ser eleito levando em conta os apoios que já tem.

“O que eu sei é que só se ganha a eleição após o fechamento das urnas e a proclamação do resultado”, disse.

Simone ressaltou que, caso seja eleita, o governo não precisa se preocupar com sua eventual gestão e nem deveria interferir. “Quem conhece meu passado, minha história, sabe que tenho opiniões muito próprias, muito determinadas, mas que não faça nada sem ouvir o sentimento da maioria [do Senado]”. Estamos diante de uma grande encruzilhada econômica e social para falarmos em divisões. Minha candidatura não é contra ‘A’ ou ‘B’, mas a favor do Brasil, o que significa a favor do estado democrático de Direito”, explicou.

Impeachment

Em outra entrevista, ao jornal O Estado de S.Paulo, a senadora disse não haver possibilidade de impeachment. “Neste momento, o impeachment não tende a prosperar. Qualquer análise de possível crime eu deixo para o Ministério Público e o Judiciário em uma discussão sobre crime comum”, justificou.

“Um processo de impeachment, antes de ser jurídico, de haver ou não crime de responsabilidade, é um processo político. Não existe impeachment no Brasil sem rua, manifestação popular e vontade da população. A maioria da população, talvez pela preocupação com o sistema de saúde e atraso de vacinação, é contra. Não analisei juridicamente os pedidos”, pontuou a sul-mato-grossense.

A emedebista frisou que sua eleição não representa nenhum risco ao governo nem aos projetos políticos de Bolsonaro. “Eu continuo sendo uma senadora independente. Essa harmonia depende da independência. Qualquer ingerência do Executivo em candidaturas fere a independência e não é boa para a democracia. Eu não preciso tranquilizar o governo porque eu votei mais a favor do governo do que o próprio candidato do governo”, disse.

Auxílio emergencial

O único ponto em comum com o adversário é a defesa do auxílio emergencial. Simone apoia a retomada do benefício, sem a necessidade de “furar” o teto de gastos.

“Indiscutível a necessidade de se abrir uma conversa franca com o Executivo para trazer números do Ministério da Economia para vermos formas de dar continuidade ao auxílio. Mas, por mais engessado que seja o orçamento, nós temos gordura, temos condições de fazer cortes, de naquele mínimo do orçamento discricionário, abrir um espaço, temos medida provisória em que pode ser criado teto extraordinário, desde que nós tenhamos responsabilidade de entender o momento, as âncoras fiscais e saber que o auxílio emergencial pode vir com equilíbrio, com moderação, por um prazo determinado e num valor razoável”, destacou ao jornal Folha de S.Paulo.

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