Kemp foi provocado, fez gestos fortes, mas pediu desculpas, diz deputado sobre discussão

Por outro lado, Cabo Almi afirmou que não tomaria mesma atitude no lugar do colega

O deputado estadual Cabo Almi (PT) defendeu o candidato do partido à prefeitura de Campo Grande, o também deputado petista Pedro Kemp, após a divulgação de um vídeo que mostra discussão com uma candidata a vereadora. O material circula nas redes sociais desde a noite de quarta-feira (28) .

“O Pedro [Kemp] foi provocado. Ele é de uma lisura inquestionável. Fez gestos fortes e pediu desculpas. Quem publicou isso [vídeo], fez na maldade, para extravasar um ato interno”, avaliou.

Por sua vez, Almi afirmou que não tomaria a mesma atitude de Kemp. “Existem as instâncias internas”, frisou.

Para o deputado, apesar da gesticulação, o caso não é tão grave. “Não houve contato físico. Foi o calor do momento que infelizmente aconteceu. Precisamos superar essa discussão acalorada”, finalizou.

O caso

Trecho do vídeo divulgado nas redes sociais. (Foto: Reprodução)

O vídeo que circula nas redes sociais mostra uma discussão entre Kemp e a candidata a vereadora, Karla Cânepa, também do PT. Aos berros, o postulante à prefeitura precisou ser contido por demais filiados e assessores.

Kemp diz que Karla estaria o criticando publicamente, aparentemente descontente com distribuição do fundo eleitoral do partido para a campanha.

“Não sou eu que distribuo dinheiro no PT”. “Eu não estou privilegiando candidato”. “Você é uma irresponsável, você vai retirar essas palavras que você colocou no grupo”. “Cínica, você é uma cínica”. “Você vai colocar uma retratação no grupo”. “Eu tô por aqui de você ficar falando de mim”, foram algumas das frases proferidas pelo petista.

Em nota, o deputado reconhece  que se exaltou e que subiu o tom além do que devia, mas disse também estranhar vídeo ‘propositalmente gravado, editado e divulgado’ no momento em que sua candidatura chega ao 2º lugar, segundo pesquisa de intenção de voto.

“Peço desculpas a todas, mas não suporto injustiça principalmente com as companheiras, candidatas do partido. Quem me conhece sabe que essa atitude não condiz com a minha maneira de ser e me relacionar com as pessoas. Lamento ter me excedido e os fatos serão esclarecidos”, diz o texto.

Denúncia

Coletivo que Karla representa, reunido no comitê de campanha. (Foto: Marcos Ermínio/Jornal Midiamax).

Ao Jornal Midiamax, Karla disse que virou alvo por reclamar de suposto privilégio na distribuição de recursos de campanha. Alegando que o candidato chegou a segurar seu braço em um dos momentos da discussão, ela afirma que vai registrar boletim de ocorrência na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher). 

A candidata a vereadora afirmou que, desde o início da campanha, houve ‘favoritismo e boicote’. O PT lançou 43 postulantes à Câmara Municipal de Campo Grande e segundo ela, a legenda não tem apoiado seu nome e o coletivo que ela representa, em detrimento do suporte dispensado a outras candidaturas. Ela manifestou o descontentamento por meio de mensagens em grupo de mulheres candidatas.

Depois de ver as mensagens de Karla, Kemp teria ligado, já aos gritos, de acordo com ela, cobrando explicação. Em seguida, foi a seu comitê. Presentes no momento, os integrantes do coletivo afirmaram que ele já chegou nervoso, dando início à discussão registrada no vídeo.

Crítica

A subsecretária de estado de Políticas para as Mulheres, Luciana Azambuja, criticou a reação de Kemp. “Em qualquer contexto, seja doméstico ou político, é algo que não é aceitável e deve ser rechaçado”, disse ao Jornal Midiamax. Para ela, esse é mais um caso de violência política de gênero.

Luciana ressaltou que não teve acesso à íntegra do vídeo, mas como acompanhou a repercussão, condenou o ato. “Ele [Kemp] talvez não tivesse tipo essa atitude se fosse um homem. Não é uma questão de esquerda ou direita. Precisamos combater essa violência política”, destacou.

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