Acusado de lavagem de dinheiro e fraude, ex-secretário de Dourados é considerado foragido

João Fava Neto ainda não foi encontrado pela polícia

Com liberdade revogada pelo TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), na última segunda-feira (14), o ex-secretário de Fazenda e braço-direito da prefeita Délia Razuk (PR), João Fava Neto, é considerado foragido pela polícia.

Apontado pelo MP-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) como líder de esquema de fraude e dispensa indevida de licitações, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa, na prefeitura de Dourados – distante 225 km de Campo Grande – Fava Neto ficou 56 dias preso, mas obteve liberdade em dezembro passado.

O aliado da chefe do executivo municipal é procurado desde quinta-feira (17), quando o novo mandado de prisão foi entregue à polícia, segundo do Dourados News. Apesar de diversas diligências em seus imóveis, tanto em Dourados quanto na Capital, o ex-secretário não foi localizado e é considerado foragido.

Mesada de R$ 30 mil e R$ 60 mil em propina

Em apenas uma das licitações supostamente fraudulentas, Fava Neto e Anilton Garcia de Souza, então chefe de licitações da prefeitura, teriam obtido R$ 60 mil em propina do empresário Messias José da Silva, dono da Douraser.

Os valores, conforme a denúncia divulgada pelo Portal 94FM Dourados, teriam sido pagos em m três folhas de cheque, no valor de R$ 20 mil cada. A propina era chama de “pescaria” em aplicativo de mensagens.

A investigação também aponta “mesada” de R$ 30 mil aos investigados. Sócios na MS SLOTS Consultoria Técnica Ltda., Fava Neto teria “presenteado” Anilton com a cumulação de dois cargos na Secretaria de Fazenda, diretor de licitações e diretor de compras, tudo, conforme a denúncia, para assegurar que as empresas, ‘escolhidas a dedo’, seriam favorecidas e o “monopólio” mantido.

Jeep e cirurgia plástica a investigados

O suposto esquema, segundo o MP-MS, também envolveria outros agentes públicos, como a vereadora afastada Denize Portolann, correligionária de Délia, e o ex-contador do município, Rosenildo da Silva França, e sua esposa, Andrea Carla Elbing. Dos três, Denize é a única presa. Rosenildo e Andrea foram presos na 2ª fase da Operação Pregão, em dezembro, mas soltos em poucos dias. Ela no mesmo dia e ele, três dias depois.

O casal é suspeito de receber propina em forma de um Jeep Renegade e cirurgia plástica. A denúncia aponta que as tratativas sobre os ilícitos seriam feitas por meio do aplicativo de mensagens Telegran, conhecida por auto destruir conversas, dando mínimas chances de serem recuperadas, até mesmo por ferramentas periciais sofisticadas.

Vereadora daria empregos

Afastada do mandato em razão de sua prisão, a vereadora Denize Portolann, correligionária da prefeita Délia Razuk, é acusada de solicitar a Messias empregos a pessoas por ela indicadas na Douraser. Segundo a 94FM, ela teria confessado as denúncias em depoimento ao MP-MS.

Além da condenação dos denunciados, o MP-MS que que os réus ressarçam os cofres públicos municipais em R$ 23.106.459,88, valor mínimo para reparação dos danos materiais coletivos causados pelos crimes de fraude e dispensa indevida de licitação, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa.

A ação corre em segredo de Justiça e a reportagem não localizou a defesa de nenhum dos investigados para comentar o assunto. O espaço permanece aberto para manifestação dos envolvidos.

 

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