Bebidas alcoólicas engordam? Saiba quais as consequências do consumo excessivo na quarentena

Médico endocrinologista explica o porquê de as bebidas alcoólicas atrapalharem no processo de perda de peso e desaceleração do metabolismo

Com o isolamento social, o consumo de bebidas alcoólicas aumentou. O momento de incertezas pode funcionar como um “gatilho” para o afogamento de mágoas. As lives musicais e happy hour à distância são alguns dos fatores que influenciam no aumento do consumo de bebidas alcoólicas. Esse excesso pode trazer consequências drásticas para o metabolismo e causar alterações de peso.

Os perigos dos excessos chamaram a atenção da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orientou que governos e empresas reduzam a venda de álcool durante a quarentena. O órgão lembrou que a bebida enfraquece o sistema imunológico, deixando o corpo mais frágil caso haja um contagio de covid-19, por exemplo. Além disso, estimula comportamentos violentos.

Infelizmente, a resposta a essa pergunta é sim, álcool ajuda a ganhar peso. Toda bebida alcoólica vem do processo de destilação ou fermentação a partir do açúcar. Durante esse processo de transformação da molécula de açúcar (4 cal.) em álcool (7 cal.) há um ganho de três calorias.

O álcool não só é mais calórico que o açúcar, como tem quase o dobro de calorias. De acordo com o Prof. Dr. Filippo Pedrinola, médico endocrinologista, o metabolismo acaba sendo bastante afetado pelo consumo do álcool durante o processo de emagrecimento.

“Quando há a ingestão da bebida alcoólica, além de consumir o dobro das calorias do açúcar, o metabolismo vai priorizar a eliminação do álcool do organismo. Isso significa que ele acaba deixando de lado o processo normal de queima calórica do corpo, proveniente dos alimentos que ingerimos, como se atrasasse o metabolismo”.

Pesquisas também sugerem que o álcool parece “amplificar” a percepção do apetite, podendo influenciar em uma série de hormônios responsáveis pela sensação de saciedade inibindo, por exemplo, a ação do GLP 1 e das leptinas.

Nem sempre as bebidas alcóolicas são dos males o pior

Em alguns casos, dependendo de como a bebida é preparada em coquetéis, as calorias são ingeridas em dobro. Uma caipirinha, por exemplo, contém açúcar, uma batida pode conter leite condensado, há quem misture vodca com energético que, além da caloria, ainda tem o problema do excesso de cafeína.

Mesmo entre as pessoas que já sabem disso, muitas até acreditam em mitos que afirmam que certas bebidas alcoólicas podem ser mais inofensivas e com menos calorias. Essa fama foi colocada no gin, por exemplo. Trata-se de uma impressão falsa, pois o coquetel mais clássico com essa bebida, o gin tônica, não levar açúcar e tem um paladar mais leve e fresco.

“O problema do gin tônica é que a água tônica, principal ingrediente, é um dos refrigerantes mais calóricos que existem. O quinino em sua composição demanda uma grande adição de açúcar para que o sabor fique mais equilibrado. Existem alternativas para reduzir essa caloria, como utilizar água tônica com zero açúcar ou substituir o açúcar branco de uma caipirinha por adocante. Não podemos afirmar que estas versões dos coquetéis alcoólicos não engordam, porém são opções mais adequadas para o consumo de quem está controlando o ganho de peso”, declara o médico.

Para emagrecer com saúde e não deixar o álcool atrapalhar o processo, o ideal é sempre evitar o excesso de bebida, consumindo com moderação e buscando fazer misturas que tenham o mínimo de açúcar possível.

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