Festival promove debate sobre palhaçaria feminina e a mulher em cena

Na arte da palhaçaria, a maior luta das mulheres é romper barreiras criadas pelo patriarcado dentro do circo e conquistar o protagonismo do personagem. Em uma roda de conversa realizada nesta segunda-feira (23), na sede do Circo do Mato, em Campo Grande, a 6ª edição da Pantalhaços – Mostra de Palhaços do Pantanal promoveu o debate sobre a palhaçaria feminina e a mulher em cena.

O diálogo foi mediado pelas atrizes e palhaças Ísis Anunciato – “Mosquita”, Thathy Dmeo – “Zureta” e Sarah Monteath dos Santos – “Zoralaide”. Entre as participantes da roda de conversa, a presença constante de dois homens, e vez ou outra entrava um, ouvia um pouco, saia. Minutos depois entrava outro, e assim, ora o espaço contava com volume maior da presença deles, ora eram apenas dois que resistiram ao bate papo do começo ao fim.

E este simples ponto sobre o envolvimento do homem nas lutas das mulheres também foi abordado na discussão. “Por que os homens não estão aqui presentes? Quando é uma oficina ministrada por um homem, as mulheres estão lá ouvindo, aprendendo. Mas o contrário, quando a mulher ministra, é mais difícil de ver um homem participando para apreender com ela”, ressaltou um participante de Goiânia.

Ísis Anunciato, a palhaça Mosquita, foi uma das mediadoras da roda de conversa | Foto: Marcos Ermínio

A partir disso, ficou bem claro a legitimidade do feminismo também nas artes e, em específico, dentro do circo. “As escolas de circo surgiu entre as décadas de 1980 e 1990, e partir daí que também começaram a repensar o papel da mulher como palhaça, porque até então, a mulher era uma figura menor dentro do picadeiro. E quando aparecia no papel de palhaço, era caracterizada como homem”, explica Ísis, a palhaça Mosquita.

Com formação em Artes Cênicas pela UFGD e também na Escola Livre de Palhaços, pós-graduação e agora fazendo mestrado com tese sobre a palhaçaria, Ísis ressalta a importância da discussão para se fazer notar que outras mulheres abriram caminhos que deram acesso a espaços que antes eram ocupados apenas por homens. “Outras gerações de palhaças abriram este caminho que enxergamos hoje. E todos os espaços que abrimos foi assim, com muita luta”, diz Ísis.

Presidente do Coletivo de Palhaçaria Feminina, a atriz e palhaça Thathy Dmeo explica que o intuito do movimento é promover estudo teórico e prático para colocar a mulher em cena e empoderá-la para ocupar qualquer espaço dentro da arte, inclusive o picadeiro.

Atriz e palhaça Thathy Dmeo | Foto: Marcos Ermínio

“Ainda somos intimidadas, a gente ainda pede permissão para ocupar espaços que deveriam ser democráticos, mas estamos caminhando para quebrar essas barreiras”, pontua Thathy.

A mostra segue até a próxima quarta-feira (25). Confira a programação completa da Pantalhaços:

Segunda-feira / 23 de julho

15h – Magia (Turma do Biribinha / AL)

Local: Escola de Tempo Integral Iracema Maria Vicente

20h – Cuidado!! Un Payaso Malo Puede Arruinar Tu Vida (Chacovachi / Argentina)

Local: Orla Morena

Terça-feira / 24 de julho

9h às 12h – Manual e Guia Del Payaso de Rua (Chacovachi)

Local: Circo do Mato

17h – Autômato Programado Para Divertir (Dona Zefinha / CE)

Local: Orla Morena

20h – A Dança Apocalíptica (Teatro Del Camino / Equador)

Local: Teatro Prosa

Quarta-feira / 25 de julho

9h às 12h – Manual e Guia Del Payaso de Rua (Chacovachi)

Local: Circo do Mato

14h às 16h – Diálogos Abertos – Palhaç@s em Tempo de Crise (com João Carlos Artigos / RJ)

Local: Circo do Mato

20h – Cabeça de Nego (João Carlos Artigos / RJ)

Local: Teatro Prosa

Serviço

A mostra Pantalhaços será realizado em diversos pontos de Campo Grande. Anote aí os endereços de cada local:

Circo do Mato: Rua Tonico de Carvalho 263, bairro Amambaí;

Escola de Tempo Integral Iracema Mª Vicente: Rua Rotterdan, 2.053, Rita Vieira III;

Orla Morena: Avenida Noroeste, 2210, Cabreúva;

Teatro Prosa SESC Horto: Rua Anhanduí, 200, Centro.


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