Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é tombado como patrimônio histórico

Qualquer alteração, desde pintura até uma demolição, só será permitida com licença da Prefeitura

O prefeito Marquinhos Trad (PSD) publicou um decreto nesta terça-feira (3) que tomba o conjunto arquitetônico do Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro como patrimônio histórico e arquitetônico para Campo Grande. Com o tombamento, fica proibido demolir, destruir, alterar, mutilar ou transformar o local sem a licença da Prefeitura. Também é preciso autorização para reparar, pintar ou restaurar.

De acordo com o decreto, o conjunto arquitetônico é composto pela Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e o Velário, na avenida Afonso Pena, e o prédio da Antiga Casa Paroquial dos Padres Redentoristas, atual Cúria Metropolitana da Arquidiocese de Campo Grande, na rua Amando de Oliveira.

Também fica protegida a área de entorno do Santuário. De acordo com o decreto, deverão ser rigorosamente conservadas e protegidas as escadarias e o calçamento externo revestido em pedra do piso. Nas áreas do entorno imediato, é proibida a implantação de mobiliários urbanos com altura superior a 1 metro no passeio público – com exceção de postes de iluminação e sinalizações. Toda e qualquer alteração na arborização urbana ou no paisagismo nas áreas de entorno ficam condicionadas à aprovação da Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano).

Também é proibido colocar anúncios que impeçam, descaracterizem ou prejudiquem a visibilidade de elementos que definam ou valorizem o conjunto arquitetônico ou das fachadas das edificações que o compõe, tais como: frisos, ornamentos, símbolos e entalhes. O entorno imediato é a área mais próxima ao Santuário, que apresenta a área de proteção mais restritiva dentre as demais.

Há também o entorno restritivo, que tem a finalidade de preservar a visibilidade do Santuário pelos elementos da paisagem, como vegetação, anúncios e mobiliários urbanos. Confira detalhes sobre as áreas do entorno e restrições do Diário Oficial de Campo Grande, a partir da página 4.

Patrimônio histórico e arquitetônico

A discussão a respeito do tombamento do Santuário já tem mais de um ano. Em junho de 2018, a minuta do Edital de Tombamento já estava em fase de elaboração. Na época, o Padre Dirson, reitor do Santuário, conversou com o Jornal Midiamax disse que seria uma medida benéfica, pois visa a preservação da história. Na prática, o tombamento não afeta a paróquia, mas impede qualquer reforma, pois a construção original deve ser mantida.

O arquiteto e pesquisador Rubens Moraes da Costa Marques, autor do livro Trilogia do Patrimônio Histórico e Sociocultural Sul-mato-grossense ficou contente em saber que finalmente o processo está sendo finalizado, pois se estende por cerca de 4 anos. Sobre a construção, Rubens explicou que foi utilizado revestimento com pó de mica, um dos componentes do granito, o que oferece um brilho específico, principalmente à noite, sob iluminação.

“Nas décadas de 30 e 40, muitos prédios em Campo Grande eram assim, mas hoje não tem nem uma dezena mais”, explica, o que demonstra o quão rara é a edificação. A igreja foi construída pelos padres da Congregação do Santíssimo Redentor, chamados missionários redentoristas, tendo como inspiração a Basílica de Santo Apolinário em Classe, localizada em Ravena, na Itália.

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