Mãe não precisa ser perfeita: esgotamento materno atinge mulheres de todas as idades

Doença pode ser causada por cobrança excessiva e stress emocional

A chegada de um bebê costumar mudar a rotina de toda uma família. O cansaço físico, na maioria das vezes visto como “normal”, atrelado ao desgaste emocional e cobrança excessiva em cima da mãe podem desencadear o mommy burnout, também conhecido como esgotamento materno.

Recente objeto de estudo entre os especialistas, o esgotamento materno não escolhe as mães pela classe social e nem idade. O problema físico e psicológico tende a se desenvolver em mulheres com personalidade perfeccionista que estão em constante excesso de trabalho, dentro ou fora de casa.

Atualmente, é conhecido pela sociedade em geral apenas como uma doença de origem ocupacional relacionada ao trabalho, denominada Síndrome de Burnout. A psicóloga Renata Monteiro explica que o burnout se desenvolve com profissionais que lidam com pressões diárias como bombeiros, enfermeiros e professores. De uns anos para cá, especialistas perceberam que o “trabalho de mãe” é igualmente desgastante.

Lidar com birras, negociações, cuidados do lar e educação dos pequenos são alguns dos fatores que contribuem para o desenvolvimento da doença. Entretanto, Renata lembra que o esgotamento materno não está relacionado exclusivamente com a mãe que trabalha fora de casa.

A romantização vem sendo desmistificada entre mulheres que desejam mostrar a maternidade real, principalmente para as pessoas com perfil perfeccionista. A recente comparação entre as mulheres com a exposição da rotina materna é o vilão da nova geração de mães. A busca pela idealização da “super mãe” acaba produzindo frustração quando a mulher não consegue aceitar suas limitações.

“O fato dela cuidar da tarefa dos filhos, organização, horários, todas as responsabilidades que caem sobre ela acabam gerando a Síndrome de bornout materno,” explica Renata.

A especialista ainda ressalta que o fato da síndrome materna ser uma característica das mulheres que vivem no Brasil, por causa da cultura em sobrecarregar a mãe, também colabora para a demora dos estudos.

“Nem as mães acham que precisam de ajuda. A maioria acha que só está cansada, que é normal. Elas vão empurrando com a barriga até se ver com uma depressão, crise de ansiedade ou pânico. “

Sintomas

Os sintomas, que não são apenas cansaço, podem desencadear uma série de outras doenças e devem ser tratados. A mãe muitas vezes acha que irritabilidade, falta de energia, sentimento de fracasso e exaustão são normais durante a criação dos pequenos. Aos poucos, a psicóloga pontua que a mulher deixa de ter prazer nas atividades de lazer e sente a despersonalização na própria vida. “Ela se sente em uma vida que não é dela.”

A busca por ajuda profissional deve começar logo quando iniciarem os desconfortos como insônia, irritabilidade, desânimo até dores de cabeça e estomacais. Segundo Renata, a mulher também deve contar com uma rede de apoio como um pai presente e suporte de amigos e familiares. “A mãe deve ter uma vida própria fora da maternidade para encontrar sua essência.”

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