Conta na oficina está mais alta? Distribuidoras relatam aumento de preço das peças de manutenção

Como em um efeito dominó, a pandemia do coronavírus refletiu em impactos nos diversos setores da economia. Um dos segmentos atingidos, as distribuidoras de peças e oficinas mecânicas de Campo Grande, têm sentido o reflexo com o encarecimento das peças, resultando em um custo maior para o consumidor final. Na Avenida Calógeras, reduto do setor, […]

Ranziel Oliveira Publicado em 23/02/2021, às 08h18 - Atualizado às 21h49

Com a escassez de matéria-prima, peças automotivas têm sofrido aumento constante (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax) - Com a escassez de matéria-prima, peças automotivas têm sofrido aumento constante (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)
Consumidores reclamam de conta cara nas oficinas de Campo Grande

Como em um efeito dominó, a pandemia do coronavírus refletiu em impactos nos diversos setores da economia. Um dos segmentos atingidos, as distribuidoras de peças e oficinas mecânicas de Campo Grande, têm sentido o reflexo com o encarecimento das peças, resultando em um custo maior para o consumidor final.

Na Avenida Calógeras, reduto do setor, Wagner Marcelo de 50 anos, é o responsável por uma distribuidora de peças e explica o motivo do aumento repentino no mercado. “A maioria das peças são fabricadas na China. Falta matéria prima e as fábricas não estão produzindo”.

Como resultado, o ciclo da produção até a chegada do consumidor final é afetado, gerando uma falta de produtos e aumento nos preços do que é produzido. “Os fornecedores de Campo Grande e São Paulo não estão mandando. O amortecedor dianteiro do Fiat Grand Siena, ninguém tinha por dois meses, ele era R$ 296 e hoje está custando R$ 349”, exemplifica Wagner.

Wagner Marcelo explicando sobre o motivo do aumento (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)

O gerente de outra distribuidora na mesma avenida ressalta o mesmo problema. A falta de insumos é tão forte que até as embalagens são afetadas. “Não tem matéria prima para fabricação de peças e até de embalagens. Tem mercadoria vindo embrulhada só em papelão, sem as caixas que vinham, porque não tem embalagem”, explicou Ramão Souza, de 52 anos.

Com o mercado instável, o preço das peças tem sofrido reajuste a cada chegada de mercadoria. “Quem tem matéria prima para fornecer sobe o valor e, se quiser, as fabricantes compram. Comprando com custo mais caro, o gasto a mais é repassado para as distribuidoras”, explicou Souza.

No intervalo de um mês, a peça pivô do gol G3 e G4 que era vendida a R$ 97,31, agora é comercializada por R$ 105,02.

Em outro ponto desse ciclo estão as oficinas mecânicas. O proprietário de uma oficina sentiu o reflexo do aumento, mas reforça que o movimento não foi afetado.  “A gente está repassando [o custo], às vezes deixamos de executar um serviço pela pessoa não ter a condição financeira, mas quem tem o carro é porque precisa para se locomover a trabalho ou pela família, de diversas classes, o movimento permaneceu”, explicou Manoel Guimarães, de 40 anos.

Manutenção de veículos ficou mais cara (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Com sua oficina situada na Vila Carvalho, o proprietário faz uma análise em um dos serviços mais comuns, a revisão da caixa de câmbio de veículo Volkswagen Gol G5, automóvel popular. “Esse carro sempre tem problema no rolamento do câmbio, o rolamento que era R$ 300 hoje está R$ 480. A revisão que era R$ 1 mil foi para R$ 1,3 mil”, finalizou Guimarães.

Como funciona a dinâmica de mercado global

Conforme Mateus Abrita, professor da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e doutor em economia, esse impacto acontece porque a produção industrial ocorre em sua grande maioria em cadeias de valor. Logo, várias empresas em diversos países cooperam na produção de cada pedaço de um produto.

“Com a pandemia ocorreu um descompasso nessa sintonia fina de produção, ou seja, essa engrenagem foi afetada. Seja por interrupções de matérias primas, por interrupções de comércio internacional e outras situações. Não é do dia para a noite que essa sincronia entre oferta e demanda é restabelecida”, explicou Abrita.

Como consequência, houve problemas de abastecimento em insumos como aço, borracha, pneus e materiais plásticos.   Muitas industrias pararam suas produções e assim os fornecedores também foram afetados. Quando a retomada aconteceu, de modo acelerado, os fornecedores não estavam preparados para entender esta demanda seja por problemas de logística, falta de matéria prima ou dificuldades de importações dessa cadeia global de produção.

 “Com o dólar mais alto, o preço dos produtos importados aumentou, devido a falta de insumos e com a demanda maior que a oferta. Precisamos buscar uma diminuição das incertezas institucionais e uma política mais clara e assertiva de combate a pandemia e retomada da economia. Assim o dólar pode apresentar quedas e assim ajudar a reduzir os preços”.

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