Com aumentos na gasolina e locação, aplicativos ‘desconversam’ sobre reajuste de tarifa em MS

Uma das reivindicações dos motoristas de aplicativo em Mato Grosso do Sul, o reajuste da tarifa nas corridas tem sido assunto na categoria após o recente aumento na gasolina e no valor da locação de veículos. No entanto, as empresas desconversam e dão a entender que a tarifa repassada aos passageiros deverá seguir a mesma […]

Mariane Chianezi Publicado em 27/02/2021, às 15h01 - Atualizado em 28/02/2021, às 08h20

Foto: Leonardo de França, Midiamax - Foto: Leonardo de França, Midiamax
Devido às dificuldades em manter o serviço, muitos motoristas estão desistindo de dirigir pelas plataformas

Uma das reivindicações dos motoristas de aplicativo em Mato Grosso do Sul, o reajuste da tarifa nas corridas tem sido assunto na categoria após o recente aumento na gasolina e no valor da locação de veículos. No entanto, as empresas desconversam e dão a entender que a tarifa repassada aos passageiros deverá seguir a mesma após quase quatro anos do serviço no estado.

Com o litro da gasolina chegando a R$ 5,69 e o valor do aluguel mensal dos carros tendo correção de 15% no valor, os motoristas cobram que as empresas reajustem as tarifas aos usuários, pois seria uma forma de compensação dos trabalhadores que, devido às dificuldades em manter o serviço, estão desistindo de dirigir.

Conforme o presidente da Applic-MS (Associação dos Parceiros de Aplicativos de Transporte de Passageiros e Motoristas Autônomos), Paulo Pinheiro, atualmente existem valores fixos mensais aos aplicativos, pagos através de boletos, ou porcentagens sobre as corridas realizadas diariamente.

Um dos aplicativos de mobilidade cobra 30% do valor de cada corrida. Ou seja, caso o motorista realize uma corrida de R$ 15, o lucro do trabalhador será de R$ 10,50, enquanto a empresa recolherá R$ 4,50.

As arrecadações das empresas podem variar de acordo com os horários das corridas, pois existem os valores dinâmicos. Quando mais caro, o recolhimento chega a 40% da empresa. Se a mesma corrida de R$ 15 estiver por R$ 25 durante um horário de pico, o aplicativo recolhe R$ 10.

Foto: Reprodução

A reclamação da categoria é que desde que os primeiros aplicativos de mobilidade surgiram em MS, lá por 2017, o valor da tarifa ao passageiro é a mesma. “O valor da corrida para o morador é mesma há quatro anos, enquanto isso o combustível só aumenta e nosso lucro cada vez mais diminui”, comentou.

Em reportagem de julho de 2017, o valor da chamada custava R$ 2,50, e o quilômetro rodado era fixado em R$ 1,10, além de um adicional de R$ 0,15 por minuto. Verificando atualmente, os valores inclusive diminuíram alguns centavos. O valor da chamada custa R$ 2,43, o km rodado é fixado R$ 1,07. O adicional permanece o mesmo. Confira a imagem ao lado.

Foto: Reprodução

Quanto ao outro aplicativo, que também chegou a Capital em 2017, não foi possível encontrar os valores oferecidos naquele ano, mas atualmente a empresa cobra R$ 2,99 pela chamada e R$ 2,20 por quilômetro rodado.

Em 2017, conforme reportagens anteriores do Midiamax, o valor do litro da gasolina podia ser encontrado por R$ 3,44 enquanto atualmente o valor bate R$ 5,69 em alguns estabelecimentos. A diferença é de R$ 2,25 no litro ao longo desses anos.

Aplicativos ‘desconversam’

Diante das reclamações dos motoristas e motoentregadores, que já rendeu protestos na Capital, as empresas desconversaram sobre a possibilidade de reajuste diante do aumento do combustível e do aluguel de veículos nas locadoras. Para “compensar” a falta de reajuste, as empresas pontuam os investimentos nas plataformas, parcerias e benefícios aos motoristas.

A 99 Pop disse ao Jornal Midiamax que segue aberta para diálogo com os motoristas e pontuou que tem priorizado a melhoria dos ganhos da categoria. A empresa pontuou que fez investimento milionário com lançamento de produtos e ferramentas para aumentar a demanda do serviço.

[A 99] lançou o 99Poupa, uma categoria totalmente opcional, criada para estimular mais corridas em locais e horários com menos demanda. É importante ressaltar que o motorista parceiro pode optar se quer ou não correr com a modalidade, e pode desabilitar o 99Poupa a qualquer momento. Outro produto pensado para aumentar os ganhos do motorista parceiro foi o 99Entrega, também lançado em julho, que possibilita o envio de itens pessoais via os parceiros e resultou em elevação média de 23% no ganho dos motoristas”, disse em nota.

A Uber pontuou serviços de cashback em rede de posto de combustível parceiro e investimentos em serviço na internet para diminuir os gastos dos motoristas.

Pagando com o app Abastece Aí, o motorista parceiro da Uber tem direito a 4% de cashback sem que, pra isso, precise gastar nenhum dos pontos do programa KM de Vantagens. Isso significa que, além de receber de volta parte do valor gasto, o parceiro ainda acumula mais e mais pontos que pode usar, por exemplo, em trocas de óleo.

Em janeiro, realizamos um evento pela internet em que anunciamos o lançamento da Uber Conta e do Uber Chip, dois produtos feitos para ajudar os parceiros da Uber a diminuir os custos de dirigir. 

Uber Conta é a primeira conta digital exclusiva para motoristas e entregadores parceiros da Uber. Criada e operacionalizada pelo banco Digio, a Uber Conta é integrada à Uber de modo que os parceiros vão receber os repasses de forma instantânea, ou seja, apenas alguns segundos depois de finalizar uma viagem ou entrega. Além disso, ela é livre de anuidade e oferece saques e transferências gratuitos todo mês, entre outras vantagens.

Criado e operacionalizado pela Surf Telecom, o Uber Chip é o primeiro plano pré-pago que permite usar o app Uber Driver sem descontar dados da franquia de internet móvel. O Uber Driver é o app que tanto motoristas quanto entregadores parceiros usam para atender a solicitações de viagens e pedidos. O preço mensal do Uber Chip varia conforme o nível do parceiro no Uber Pro, o programa de vantagens da Uber para parceiros. Os parceiros mais engajados, do nível Diamante, vão pagar só R$ 20 por mês”, disse.

A reportagem também entrou em contato com a InDriver e Urban, mas até o fechando desta reportagem não haviam se posicionado.

 

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