Pelo menos 500 motoristas de aplicativo devem cruzar os braços em protesto contra ICMS da gasolina

Revoltados com o preço dos combustíveis em Mato Grosso do Sul, cerca de 500 motoristas de aplicativo devem ‘cruzar os braços’ no dia 17 de março em protesto contra o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) da gasolina em Campo Grande. Essa deverá ser a terceira mobilização dos trabalhadores contra a alta no preço […]

Mariane Chianezi Publicado em 04/03/2021, às 13h51 - Atualizado às 17h51

Manifestação no dia 17 de março será para protestar contra aumento na gasolina | Foto: Éser Cáceres, Midiamax - Manifestação no dia 17 de março será para protestar contra aumento na gasolina | Foto: Éser Cáceres, Midiamax
Mobilização nacional contra a alta no combustível está marcada para o dia 17 de março

Revoltados com o preço dos combustíveis em Mato Grosso do Sul, cerca de 500 motoristas de aplicativo devem ‘cruzar os braços’ no dia 17 de março em protesto contra o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) da gasolina em Campo Grande. Essa deverá ser a terceira mobilização dos trabalhadores contra a alta no preço dos combustíveis no mês.

Conforme o presidente a Applic-MS (Associação de Parceiros de Aplicativos de Transporte de Passageiros e Motorista Autônomo de Mato Grosso do Sul), Paulo Pinheiro, o grupo deverá realizar a mobilização e seguir em carreata até a governadoria, para pressionar a redução do ICMS.

“A ideia é reunir o máximo possível, em torno de 500 veículos. Esperamos que seja um protesto como sempre fizemos, com ordem e respeitando o direito de ir e vir da população”, pontuou o presidente da associação.

Na última terça-feira (2),  grupos de motoristas de diversos aplicativos se organizam para abastecer R$ 0,50 em postos de combustíveis de Campo Grande. Então, as notas fiscais serão juntadas pelos organizadores do protesto, que irão protocolar, formalmente, um pedido de redução do imposto na governadoria, o que deve ocorrer na sexta-feira (05).

Arrecadação milionária

Uma das alternativas para continuar trabalhando, segundo o presidente da Applic-MS, é a adesão do etanol nas bombas. Porém, se o Governo do Estado cooperasse com os trabalhadores, os impostos sob a gasolina aliviaria o bolso dos motoristas. “As refinarias não ajudam e o Estado muito menos. O nosso estado cobra uma das taxas [ICMS] mais caras do Brasil na gasolina”, disse Paulo.

Em reportagem publicada no dia 22 de fevereiro pelo Midiamax mostrou que, somente em janeiro, o governo de Mato Grosso do Sul arrecadou R$ 266,8 milhões em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a venda de gasolina e outros combustíveis nos postos. O valor supera o levantado por São Paulo, Minas Gerais e outros 13 estados no mesmo período.

Questionado, o governador Reinaldo Azambuja disse que, se retirar recursos da arrecadação, ‘o Estado quebra’.  O governador mencionou que Mato Grosso do Sul baixou a alíquota do diesel de 17% pra 12%, bem como a do álcool. “Expliquei o por que. Mato Grosso do Sul é produtor de álcool, não de petróleo, e aumentamos o da gasolina. Hoje é vantajoso abastecer com álcool”, disse o chefe do Executivo estadual.

Tarifas sem reajustes

As arrecadações das empresas podem variar de acordo com os horários das corridas, pois existem os valores dinâmicos. Quando mais caro, o recolhimento chega a 40% da empresa. Se a mesma corrida de R$ 15 estiver por R$ 25 durante um horário de pico, o aplicativo recolhe R$ 10.

Foto: Reprodução

A reclamação da categoria é que desde que os primeiros aplicativos de mobilidade surgiram em MS, lá por 2017, o valor da tarifa ao passageiro é a mesma. “O valor da corrida para o morador é mesma há quatro anos, enquanto isso o combustível só aumenta e nosso lucro cada vez mais diminui”, comentou.

Em reportagem de julho de 2017, o valor da chamada custava R$ 2,50, e o quilômetro rodado era fixado em R$ 1,10, além de um adicional de R$ 0,15 por minuto. Verificando atualmente, os valores inclusive diminuíram alguns centavos. O valor da chamada custa R$ 2,43, o km rodado é fixado R$ 1,07. O adicional permanece o mesmo. Confira a imagem ao lado.

Foto: Reprodução

Quanto ao outro aplicativo, que também chegou a Capital em 2017, não foi possível encontrar os valores oferecidos naquele ano, mas atualmente a empresa cobra R$ 2,99 pela chamada e R$ 2,20 por quilômetro rodado.

Em 2017, conforme reportagens anteriores do Midiamax, o valor do litro da gasolina podia ser encontrado por R$ 3,44 enquanto atualmente o valor bate R$ 5,69 em alguns estabelecimentos. A diferença é de R$ 2,25 no litro ao longo desses anos.

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