Após escolta do Choque e confusão, eleição da Assembleia de Deus deve parar na Justiça

A Assembleia de Deus foi palco de tumulto, quando fiéis teriam sido impedidos de votar. Uma das chapas aponta que a eleição foi fraudulenta.

Mylena Rocha Publicado em 05/03/2021, às 09h31 - Atualizado às 15h32

Fiéis ficaram do lado de fora da igreja. (Foto: Fala Povo/WhatsApp Midiamax) - Fiéis ficaram do lado de fora da igreja. (Foto: Fala Povo/WhatsApp Midiamax)
Eleição para matriz da igreja em Campo Grande envolveu tumulto, quando fiéis teriam sido impedidos de votar

Depois da confusão na Assembleia de Deus Missões que envolveu até o Batalhão de Choque em Campo Grande, a eleição da igreja deve parar na justiça. A igreja foi palco de tumulto envolvendo até agressões na noite de quinta-feira (4), quando fiéis teriam sido impedidos de votar. Uma das chapas aponta que a eleição foi fraudulenta e afirma que vai recorrer na justiça. 

O pastor Rudi Carlos, da chapa Renova ADM Campo Grande, explica que em meio à confusão, o pastor Antônio Dionizio foi empossado e aclamado ainda na noite de quinta (5) e que a eleição teria durado apenas meia hora, sendo que centenas de fiéis não tiveram a oportunidade de votar. “Ele foi aclamado, não eleito. Eleição é quando tem democracia”, diz o pastor Rudi. 

As eleições aconteceram depois da polêmica envolvendo o pastor Antônio Dionizio, então chefe da igreja, que foi afastado após ele aparecer em um vídeo tocando uma fiel, em outubro do ano passado. No estatuto da igreja, consta que os membros não podem cometer adultério, divórcio ou se casar novamente. O pastor Dionizio se divorciou e depois se casou com a fiel em que aparece no vídeo.

A eleição estava marcada para as 19 horas de quinta-feira (4) e centenas de fiéis compareceram para votar. Estavam concorrendo duas chapas, a chapa 1 do pastor Antônio Dionizio e a chapa 2 do pastor Rudi Carlos. Porém, o que se sucedeu foi uma confusão. Fiéis favoráveis à chapa 2 foram impedidos de votar e ficaram aglomerados do lado de fora da igreja. Também há informação de que uma mulher e um homem foram agredidos e uma adolescente de 14 anos ameaçada por seguranças contratados.

A votação teria durado cerca de meia hora, logo depois do pastor Antônio Dionizio teria sido empossado. “A igreja tem mais de 9 mil fiéis, mas ontem dentro do templo tinha no máximo 300. Todos apoiadores dele, pessoal estava para dentro através de uma pulseirinha, mandaram pulseira somente para quem apoiava eles, então quem chegou já entrou. Lá fora, tinha em torno de 500 pessoas querendo entrar para participar e não conseguiram entrar, os seguranças não deixaram”, relata.

O pastor Rudi explica que como membro de uma das chapas, teve que conter os fiéis, que estavam revoltados com a situação. Agora, a chapa deve buscar a solução na justiça. “Vamos buscar na justiça a anulação desse ato de ontem, tendo em vista que feriram o próprio estatuto, feriram preceitos que se encontram no Código Civil, violaram direitos da democracia”, diz o pastor. Além disso, a eleição ainda envolveu risco de contaminação por coronavírus, já que muitos fiéis ficaram aglomerados do lado de fora do templo.

A reportagem não conseguiu contato com a sede da igreja Assembleia de Deus Missões e com o pastor Antônio Dionizio. O espaço segue aberto para aqueles que queiram se manifestar. 

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