HU desativa 20 leitos cirúrgicos para receber 10 UTIs para pacientes de coronavírus

Com cirurgias eletivas suspensas, Hospital Universitário receberá ‘leitos de resguardo’ para pacientes com coronavírus em Campo Grande

A programação feita pelas autoridades de Saúde a fim de abrirem novos leitos de UTI para pacientes de coronavírus na rede pública de Campo Grande forçou alterações no Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian). A fim de receber 10 unidades de terapia intensiva, o HU vai desativar, temporariamente, 20 leitos cirúrgicos, que estão sem uso devido a suspensão das cirurgias eletivas.

A paralisação das cirurgias eletivas –aquelas consideradas sem urgência à vida–, por sua vez, é resultado do estado de emergência decretado por conta da pandemia de Covid-19, a fim de concentrar os recursos da Saúde Pública no atendimento a infectados pelo coronavírus.

A inauguração dos novos leitos de UTI foi anunciada pelo Governo do Estado dentro de um pacote que também garantiu mais 10 vagas de terapia intensiva na Santa Casa e no Hospital de Câncer Alfredo Abrão e prevê outras 14 para o HRMS (Hospital Regional Rosa Pedrossian). ´

Além disso, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande) prevê o pagamento de diárias de UTIs na rede privada a fim de conter a possível superlotação do SUS por conta do aumento da demanda –vindo, justamente, de pacientes com Covid-19.

No HU, os novos leitos devem entrar em operação até a próxima segunda-feira (27), por meio de parceria com a SES (Secretaria de Estado de Saúde), e vão funcionar no local que abrigava o novo centro coronariano –inaugurado em março deste ano. Este setor, por sua vez, já foi transferido para outra área do Hospital Universitário provisoriamente.

Leitos de UTI em unidade coronariana serão testados até domingo, explica HU

Conforme a assessoria do hospital, a SES entregou monitores clínicos e respiradores para montagem dos leitos de UTI na terça-feira (21), e a testagem por parte da equipe de Engenharia Clínica aconteceu ao longo desta quarta-feira. A disponibilização das vagas não será imediata porque o hospital pediu prazo para remanejar os leitos clínicos desativados e as equipes assistenciais que vão atuar na terapia intensiva.

O “bloqueio temporário” dos leitos cirúrgicos –termo técnico que reforça não ser uma desativação permanente, mas sim enquanto a pandemia de coronavírus exigir o uso das vagas– foi necessário para que a equipe assistencial seja remanejada para o novo CTI Covid.

Ao todo, o HU conta com 236 leitos, incluindo esses 20. Em relação ao coronavírus, o HU funcionará como hospital de suporte, já que o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) segue como referência para tratamento dos pacientes –assim, a exemplo do que ocorrem em outras unidades, o Hospital Universitário receberá pacientes quando a capacidade do HR for excedida (realidade já aceita por autoridades de Saúde, uma vez que, nesta manhã, o Regional operava com 93% de seus leitos de UTI ocupados).

Campo Grande é, neste momento, epicentro da pandemia de coronavírus no Estado: a cidade concentra 7.348 casos positivos dos 18.889 registrados em Mato Grosso do Sul desde o início da pandemia. E, dos 257 óbitos confirmados até o fim da manhã, 79 ocorreram no município.

A Saúde aponta que 93% dos leitos de UTI SUS da cidade estão ocupados (quase metade deles com pacientes confirmados ou suspeitos de Covid-19). Já considerando os cerca de 40 leitos de terapia intensiva contratados na rede privada, a taxa de ocupação sobe para 83%, conforme dados divulgados pela Sesau.

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