Especialista critica repúdio de casa de show às restrições contra coronavírus: ‘nenhuma empatia’

Infectologista disse que jovens adultos são os mais infectados pelo vírus em início de segunda onda da doença

Após a Prefeitura de Campo Grande confirmar o retorno do toque de recolher das 00h às 5h devido ao aumento de casos do novo coronavírus, muitos moradores defenderam a decisão, mas alguns foram contra a medida de segurança adotada pelo Município. Uma casa noturna da Capital emitiu nota de repúdio contra a medida e foi criticada por especialista.

O estabelecimento informou nas redes sociais o novo horário de funcionamento devido ao decreto e emitiu uma nota de repúdio. “Nosso repúdio e indignação contra às medidas tomadas”, disse em postagem a boate Valley contra as cinco horas de restrição estabelecidas pela prefeitura.

O médico infectologista e pesquisador na Fundação Oswaldo Cruz, Julio Croda, criticou e lamentou a postura adotada pela empresa, quer não teria se sensibilizado com as 1.742 vítimas falecidas pelo vírus. “Esse é o tipo de estabelecimento comercial que temos em Campo Grande. Nenhuma empatia a milhares de pessoas que perderam a sua vida pelo Covid-19”, pontuou.

Croda escreve na publicação que uma pesquisa científica indicou que estabelecimentos como a casa noturna citada, quando fechados, impacta diretamente na redução dos casos de transmissão. “O fechamento desses estabelecimentos é uma das medidas com maior impacto na redução do número de casos e queda na taxa de contagio”, disse.

Assim como havia explico ao Jornal Midiamax em reportagem anterior, o médico reforçou que em um início de segunda onda do coronavírus, os jovens adultos são sempre os mais infectados por estarem mais expostos e, após a infecção, acabam causando a nova proliferação da doença.

Inclusive, a Sesau informou mais cedo que atualmente muitos jovens entre 20 e 40 anos estão testando positivo e contaminando os familiares.

“A segunda onda está associada a um aumento inicial em adultos jovens (20-49) e posterior toda a população tanto na Europa quanto no Brasil”, escreveu. Mata Grosso do Sul tem, atualmente, mais de 71 mil casos confirmados do coronavírus e somente desta terça-feira (24) para esta quarta-feira (25), 900 pessoas foram infectadas segundo boletim epidemiológico da SES (Secretaria Estadual de Saúde). Os dados completos oficiais podem ser acessados aqui.

Toque de recolher

Após o aumento acelerado de casos de coronavírus, Campo Grande voltará a ter toque de recolher a partir desta quarta-feira (25), entre a meia noite e 5h. A medida foi anunciada em reunião com Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Semadur (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano), Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) e ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), além das secretarias de Finanças e Segurança municipais.

O decreto será publicado em edição extra do Diário Oficial ainda nesta quarta e deve durar 15 dias. A administração definiu que vai intensificar blitze em festas clandestinas e oficiais para verificar o cumprimento de normas de biossegurança, além de monitorar o trânsito e estabelecimentos. De acordo com o a reunião, podem ser ampliados em mais 20 os leitos do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) e do Pênfigo.

“Muitos jovens entre 20 e 40 anos estão testando positivo e contaminando seus pais, avós. É uma tendência que pode aumentar o número de óbitos daqui 15 dias”, disse o secretário da Sesau José Mauro.

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