Casos de sarampo no país crescem 18% em três meses e quatro mortes já foram confirmadas

Mato Grosso do Sul ainda não tem registros da doença

O Brasil registrou nos últimos 90 dias, 2.753 casos confirmados de sarampo em 13 estados brasileiros, conforme boletim epidemiológico divulgado nesta quarta-feira (4). Os casos refletem aumento de 18% no número de ocorrências em relação ao trimestre anterior.

O boletim reúne casos entre 9 de junho e 31 de agosto deste ano e contabilizou 20.292 casos notificados, sendo 15.430 em investigação e já 2.109 descartados. O levantamento também apontou também quatro óbitos em decorrência da doença: três mortes no estado de São Paulo (duas crianças e 1 adulto); e uma no estado de Pernambuco (uma criança). As crianças eram menores de 1 ano de idade. Em nenhum dos quatro casos foi comprovada a imunização contra o sarampo.

Até o momento, não houve nenhum registro em Mato Grosso do Sul. Os casos confirmados estão concentrados em 13 Estados – 98,37% em São Paulo (2.708), seguido do Rio Janeiro (15), Pernambuco (12), Distrito Federal (3), Goiás (1), Paraná (1), Maranhão (1), Rio Grande do Norte (1), Espírito Santo (1), Bahia (1), Sergipe (1), Santa Catarina (1) e Piauí (1). Os casos estão distribuídos em 120 municípios. Nos estados de Goiás e Piauí, os casos foram registrados em outros estados.

Vacinação extra

Durante coletiva na manhã desta quarta-feira, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber, destacou que 1,6 milhão de doses extras da vacina tríplice viral a todos os estados, para garantir a dose extra contra o sarampo em todas as crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias.

Somente para os 13 estados onde ocorre o surto de sarampo, serão destinadas 960.907 mil doses. Desse total, 56% já foi enviado para o estado de São Paulo. O Ministério também adquiriu 28,7 milhões de doses adicionais de vacinas, que irão garantir o abastecimento do país até 2020.

As vacinas de tríplice viral, que também previne contra rubéola e caxuba, estão disponíveis em todos os postos de saúde do país. Neste ano, já foram enviadoas 19,4 milhões de doses da vacina para todo o país para intensificar a vacinação de crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias de idade. A vacina é a principal forma de tratamento do sarampo.

Vitamina A

Durante a coletiva, Kleber destacou que todas as unidades de federação vão contar com cápsulas de Vitamina A na concentração de 50.000 UI, para casos suspeitos de sarampo em crianças menores de seis meses de idade. Cada criança deve tomar duas doses da vitamina. A ação é mais uma estratégia para fortalecer e proteger a crianças nessa faixa etária em decorrência do atual cenário epidemiológico.

A orientação é que a primeira dose do medicamento seja administrada imediatamente no momento da suspeita na Unidade de Saúde. Para diminuir os riscos de transmissão da doença, a segunda dose deverá ser administrada no dia seguinte, em domicílio. Onde houver possibilidade, recomenda-se que a administração domiciliar seja supervisionada por profissional da equipe de Atenção Primária à Saúde e/ou Vigilância em Saúde.

Caberá aos estados o recebimento, armazenamento e distribuição aos respectivos municípios. A distribuição das capsulas de 50.000 UI será iniciada para as Unidades da Federação (UF) em situação de surto, com o envio de 250 cápsulas (5 caixas) para São Paulo e 100 cápsulas (2 caixas) para cada estado em situação de surto de sarampo. Envios extras poderão ser feitos pelo Ministério da Saúde mediante solicitação e dependendo da disponibilidade de estoque.

O Ministério da Saúde já disponibiliza cápsulas de 100.000 UI e 200.000 UI da Vitamina A na rotina dos serviços dentro do programa de suplementação para crianças maiores de seis meses de idade.

Bloqueio vacinal

O surto de sarampo não foi registrado em Mato Grosso do Sul até o momento. Porém, a Secretaria de Vigilância em Saúde já orientou os Estados e municípios a realizarem o bloqueio vacinal, ou seja: vacinar em até 72 horas todas as pessoas que tiveram o têm contato com alguém com suspeita da doença – a vacinação só será feita em casas nos quais as pessoas não consigam comprovar a imunização ou que confirmem não terem sido vacinadas.

(Com informações da assessoria)

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