Na reunião com empresários e industriais nesta manhã na qual assinou o decreto ampliando em 10 dias o prazo para o pagamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o governador André Puccinelli (PMDB) esclareceu que não pretende lotar a BAP (Bacia do Alto Paraguai), no entorno de Pantanal, de usinas, mas apenas plantar cana para recuperar áreas erodidas.
“Não quero pôr usinas. Quero plantar cana (...) O medo que se tem é de contaminar os rios com o vinhoto, mas hoje até o vinhoto serve de fertilizante”, mencionou no evento realizado na sala de reuniões de seu gabinete na governadoria.
André fez críticas ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, autor do ZAE (Zoneamento Agroecológico da Cana) que veta o uso da BAP para usinas e lavouras de cana.
Conforme o governador, o ZEE (Zoneamento Econômico Ecológico) estadual é idêntico ao elaborado pelo governo federal. Somente o ZAE, de Carlos Minc, é que destoa de ambos ao vetar o cultivo de cana em terras da BAP.
Minc é um dos ministros mais polêmicos governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Defensor da liberação da maconha avalia que a proibição é uma hipocrisia. “Os juízes da Argentina descriminalizaram. O usuário não é criminoso. Nesse jogo a gente tá perdendo aqui. Nós vamos virar esse jogo para acabar com a hipocrisia", disse o ministro, ao som de vivas, durante show da banda de reggae Tribo de Jah, na Chapada dos Veadeiros (GO) neste mês. O vídeo com o discurso do ministro no show acabou divulgado no site YouTube.
Na manhã de hoje, ao comentar as críticas do ministro e a a polêmica sobre os projetos, André declarou que o ministro "é viado e fuma maconha".
Mais adiante, ao saber que Minc não participaria da Meia-Maratona Internacional do Pantanal que será realizada no dia 11 de outubro, disse, em tom de brincadeira que o "o alcançaria e estupraria em praça pública".
A propósito das declarações do governador, a assessoria do governo diz que as referências foram feitas em tom de brincadeira e sem o propósito de ofensa ao ministro.
A primeira etapa do ZEE-MS já está na Assembleia Legislativa. Presente à reunião de hoje, o deputado estadual, Paulo Corrêa (PR) sugeriu que após aprovado o zoneamento estadual, os parlamentares batam às portas do Congresso Federal contra a aprovação do ZAE de Minc.
A BAP tem cerca de 3,5 milhões de hectares. O governo pretendia 1,280 milhão para cultivar cana. Na argumentação do governo, Carlos Minc entregou a BAP para o capital internacional só para obter o chamado selo verde que abre as portas do mercado externo para o etanol brasileiro.
(Notícia ampliada às 12 horas, editada às 14h40 e às 15h40)