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Carro antigo exige preocupação dobrada para evitar riscos nas ruas

Manutenção preventiva traz economia

  • Não é difícil de encontrar carros mais antigos na Capital (Foto: Luiz Alberto)
  • Foto: Luiz Alberto
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Campo Grande tem quase 100 mil veículos fabricados antes de 1995, ou seja, que não estão isentos do pagamento do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores). Muitos são apaixonados pelos carros e seguem à risca a expressão ‘quem ama, cuida’. Outros preferem manter o velho ao invés de ‘dar um passo maior que a perna’ para garantir um novo. A equipe de reportagem do Jornal Midiamax foi às ruas saber com motoristas e mecânico porque manter um carro antigo e quais cuidados são indispensáveis.

Os carros mais antigos custam menos e podem, em um primeiro momento, ser uma opção atraente. Na Capital existem 51 mil veículos considerados antigos, fabricados até 1986, ou seja, com mais de 30 anos. Esses veículos podem estar bem conservados e ser uma verdadeira peça de colecionador, como é o caso de um morador de Maracaju e um de Campo Grande, que mantêm em suas garagens relíquias de 1911. Naquela época, o ‘queridinho’ Ford T liderava as vendas pelo mundo. Foram 15 milhões de unidades entre 1908 e 1927. Em Mato Grosso do Sul existem apenas 18 veículos produzidos antes da década de 30. 

Mas, também existe aquela frota com idade elevada que gera transtornos ao trânsito, com risco maior de acidentes e maior emissão de poluentes. Para a Fenabrave-MS (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), a manutenção elevada e risco aos ocupantes do veículo por conta de uma tecnologia embarcada, muitas vezes já ultrapassada, podem fazer do carro mais antigo um negócio ruim.

Cuidados

Luiz Alberto

 

Mas, e quando o ‘velho’ é a única opção? Rafael Brito Concato, 28 anos, é mecânico e tem um Uno 1991. “A gente mantém pelas condições financeiras e economia. Está difícil comprar um novo hoje em dia. Também tenho um carro popular, as peças são mais baratas. Prefiro ficar com ele por enquanto”, afirma.

Yamber Montenegro é proprietário de uma oficina na região sul da Capital e está há quatro anos no ramo. Ele explica que manter um carro antigo demanda atenção. “Os carros anteriores a década de 90 podem dar mais defeito, na suspensão, rolamento, pastilha de freio. Tudo depende do cuidado do proprietário, que precisa estar atento a qualquer barulho e levar a oficina”.

Dirigir devagar economiza combustível, mas também conserva os freios, suspensão e pneus. Outra dica de Yamber é o famoso ‘pé na embreagem’. “As pessoas têm mania de deixar o pé na embreagem, isso prejudica o platô e o disco de embreagem”, alerta.

Aquele proprietário que, por necessidade ou gosto, mantém um carro mais antigo também precisa estar em dia com a manutenção. Segundo Yamber, fazer uma manutenção preventiva traz economia. “Há alguns itens que precisam de manutenção, como óleo, filtro de óleo, filtro de ar, filtro de combustível, pastilha de freio, além do alinhamento e balanceamento. Se prestarem atenção nisso, bom, consegue manter o carro por muito tempo, se não só piora”, cita. Segundo ele, itens básico como dessa manutenção custam em média R$ 250,00. 

Vistoria

Além de manter todos esses cuidados, o proprietário de um carro com mais de cinco anos ainda precisa passar pela vistoria obrigatória do Detran (Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul) para o licenciamento do veículo, conforme estabelece a Portaria do Detran-MS N° 32, de 23 de dezembro de 2014

A cobrança, criada por André Puccinelli (PMDB), tem sido alvo de denúncias de irregularidades desde que foi mantida pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Um processo, proposto por um contribuinte sul-mato-grossense, questiona a taxa na justiça. 

Celso John Kenedy Menezes de Souza, protocolou no Fórum da Capital, na 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande-MS, com o objetivo de anular ‘todos os atos da portaria’ que estabeleceu a cobrança obrigatória.

Todavia, o juiz responsável, Marcelo Ivo de Oliveira, julgou improcedente a ação, segundo o autor, sem julgar o mérito. Ele entendeu que uma ação popular não seria o instrumento adequado para contestar a vistoria. “Não contente,recorri ao Tribunal de Justiça”, revelou o autor.

Ainda não há data para o julgamento da ação popular, mas já existe um parecer contrário da AGU (Advocacia-Geral da União) e uma manifestação do MPF (Ministério Público Federal) que classificou a vistoria obrigatória como ‘flagrantemente inconstitucional’.

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