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Completando 20 anos, hotel Zagaia, em Bonito, guarda história de união familiar

Hotel ajudou a estruturar o turismo em Bonito

  • Foto: Cleber Gélio
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Já faz um bom tempo que Bonito é considerado, ano após ano, um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil. Com atrativos naturais inigualáveis, água cristalina e a sensação de que é sempre fim de semana, a cidade dispõe também de estrutura hoteleira impressionante para uma cidade de apenas cerca de 20 mil habitantes. Quem visita a cidade encanta-se com ela. Mas, nem sequer imagina que duas décadas atrás o local só tinha estrada de terra, era rodeado por pastos subaproveitados e com pouquíssima estrutura turística.

Esse tempo mudou, felizmente, e muito por conta de um empreendimento que nasceu do zero, há exatos 20 anos, e que impulsionou o desenvolvimento da região para que o potencial da cidade e de seus atrativos refletisse-se em aquecimento da economia e melhoria da qualidade de vida de quem lá mora: o Zagaia Eco Resort, um dos pioneiros na cidade.

Quem conta esta história é Celso Poli, o visionário por trás do Zagaia, que além de lutar por investimentos na região, também inaugurou no país o serviço hoteleiro personalizado pelo qual o Zagaia é conhecido: o local oferece ao hóspede mais que um lugar para dormir, mas uma extensão da própria casa, onde hóspedes são como convidados e os funcionários, membros da família.

“É difícil explicar o que eu sinto nesses 20 anos de história. É muita satisfação, acima de tudo, porque foi um projeto arrojado. Quem vê o hotel hoje cheio de veludo, cheio de rosas, não sabe que enfrentamos muito espinho para chegar até aqui, como a falta de acesso, de estrutura, de apoio. Mas, nós conseguimos sobrepujar isso e é uma satisfação imensa para nossa família”, relata Celso.

Parte da família Poli, no Zagaia (Cleber Gellio)

 

Onde tudo começou

O hotel Zagaia chegou a Bonito quando a cidade ainda ensaiava ser o principal destino de ecoturismo do país. A Internet comercial ainda dava os primeiros passos e o perfil do turista era outro, basicamente pessoas que vinham de fora do país ou de mais alto poder aquisitivo. Uma história que se contrasta com a atualidade, em que cerca de 50% dos hóspedes recebidos no local são de pessoas do próprio Estado.

Já atuando no ramo hoteleiro no Paraná, Celso decidiu investir em outra praça. Viajou o país inteiro em busca de um lugar promissor. Foi parar em Bonito e acreditou no lugar. trouxe a família, defendeu a ideia. Juntos, os Poli bateram o martelo. “Aqui ninguém carregou o pavio sozinho, toda a família se envolveu nesse projeto em que a gente quis fazer hotelaria dessa forma diferente, com acolhimento humano”, conta Celso.

O lote de 60 hectares onde está o Zagaia foi escolhido a dedo. Nenhuma árvore precisou ser derrubada, muito pelo contrário: a família plantou pomar, construiu um lago com peixes e buscou se alinhar o máximo possível com a ideia do ecoturismo. “As pessoas que vem para cá gostam da natureza, acima de tudo. Antes, não tinha um pássaro para os lados de cá. Hoje eles estão aqui, porque plantamos muita coisa”, diz.

O prédio saiu do zero. Só de uma vez, mais que dobrou a capacidade de Bonito de receber hóspedes: de cerca de 200 leitos na cidade, o Zagaia aumentou o número para 280. “Para você ter uma ideia, hoje Bonito tem cerca de 5.500 leitos, e o Zagaia recebe 600. Hoje são quase 100 hotéis e no começo, contando com a gente, não éramos nem 10. A capacidade hoteleira é maior que Campo Grande”, relata Luciana Poli, filha de Celso, que também atua no local desde a fundação do prédio principal.

“Aqui tinha só uma venda, não tinha um supermercado. Na época o turismo estava voltado ao nordeste e então fizemos um trabalho muito grande para fortalecer Bonito na rota do Ecoturismo. Hoje temos 150 apartamentos, com a última ala inaugurada no início do mês”, destaca Guilherme Poli, também filho de Celso, que também relata como o empreendimento impulsionou o crescimento da cidade.

“Instalamos-nos aqui com promessa de aeroporto e asfalto até a porta. O asfalto demorou cinco anos e o aeroporto veio existir em 2008 e ainda funciona precariamente. Nós conseguimos trazer o Banco Mundial para provar o potencial da cidade e assim ele foi construído. Há 20 anos, o ecoturismo já era tido como tendência, mas não havia estrutura. Meu pai enxergou que aqui tinha potencial e muito da infraestrutura dos passeios que são oferecidos aqui hoje foram providenciados pelo nosso projeto”, diz.

Parede guarda lembranças de hópedes ilustres (Cleber Gellio)

 

Economia aquecida

Com estrutura de lazer impressionante, com piscinas, hidromassagem, sauna, sala de jogos e até salas de convenções, o projeto final do Zagaia parece nunca ter fim. Em breve, a família que incrementar o serviço de spa, ampliar a piscina. A cozinha está em expansão e outra área de jantar está prestes a ser entregue. O hotel gera, atualmente, 180 empregos diretos, fora cerca de 20 terceirizados, e cerca de 900 indiretos, o que para uma cidade de cerca de 20 mil habitantes, é bastante coisa.

“A qualidade da alimentação que fornecemos também é um diferencial. Os pratos que servimos aqui, os outros hotéis não têm como fornecer, porque a estrutura que temos é muito grande.  Aqui no Zagaia não entra nenhum alimento sem ser inspecionado. O hóspede não vê isso, mas é algo que se reflete na qualidade da alimentação que ele desfruta”, conta Celso.

A ideia de desenvolvimento da economia local é tão forte que até os móveis são todos feitos pelo próprio resort, que mantém uma marcenaria nos fundos da propriedade. De moveis de madeira ao atual MDF, tudo que lá está foi feito por equipes próprias, com madeira certificada. “Tudo que tem madeira nesse hotel é feito aqui. Montamos uma marcenaria e meu pai treinou os funcionários”, aponta Luciana.

Árvores e lago artificial deram mais vida ao pasto que abriga o hotel (Cleber Gellio)

 

Calor humano

Como todo hotel, o Zagaia é cheio de histórias para contar. “As mais curiosas não podemos dizer, mas tenha certeza de que muita coisa aconteceu”, brinca Celso. Mas nem é preciso imaginar muito. Lá, as paredes contam histórias, como a que sustenta um mural com todos os visitantes ilustres que já passaram por lá. “Em 1997 o Harrison Ford se hospedou com a gente. No festival de inverno os músicos sempre ficam aqui. Teve muita gente da TV Globo que confiou nos nossos serviços e isso é gratificante”, descreve Luciana.

Gratificante, também, é ver que até os funcionários cresceram com o hotel. O chef do restaurante, por exemplo, foi azulejista da obra do hotel. A gerente era telefonista. “Muitas das pessoas que trabalharam com a gente lá no começo, nós os treinamos, e hoje eles atuam com a gente aqui, e cresceram profissionalmente”, aponta Guilherme.

As histórias vão e vem. Na última quarta-feira, quando a família abriu um champanhe e comemorou as duas décadas de muito trabalho e louros, mil lembranças vieram à cabeça. “Quando estávamos abrindo o champanhe, ficamos lembrando que uma hora daquelas, há 20 anos a gente estava lavando louça e a minha mãe estava com os braços queimados da panelona porque a cozinheira  e a funcionária tinham faltado. Quer dizer, a gente colocou a mão na massa quando foi preciso e isso faz parte da nossa história. Lembramos disso com carinho, porque foi esse esforço, essa amor ao Zagaia que faz dele o que atualmente ele é”, fala Luciana.

Segundo a família Poli, o segredo do sucesso do Zagaia é simples: o acolhimento. Garantir isso a cada hóspede, no entanto, é que não é para qualquer um. “O Zagaia nada mais é que uma extensão da sua casa. Aqui são todos nossos convidados. Nós moramos aqui, alimentamo-nos aqui, estamos sempre na área, meus netos brincam aqui”, conta Dona Cida, esposa de Celso. “São essas coisas que trabalham para a permanência do hóspede, que sempre retorna”, conclui.

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