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Temer prefere Lula 'derrotado politicamente' para que ele não seja 'vitimizado'

Em entrevista à "Folha de S. Paulo"


O presidente Michel Temer disse, em entrevista à "Folha de S. Paulo" publicada neste sábado, que prefere que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja derrotado nas urnas a ser proibido pela Justiça de concorrer, para evitar que o petista seja "vitimizado". Na próxima quarta-feira, dia 24, o ex-presidente será julgado em segunda instância no caso do apartamento tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo. 

- Não posso dizer uma coisa que está sob apreciação no TRF. Agora, acho que se o Lula participar, será uma coisa democrática, o povo vai dizer se quer ou não. Convenhamos, se fosse derrotado politicamente, é melhor do que ser derrotado (na Justiça) porque foi vitimizado. A vitimização não é boa para o país e para um ex-presidente - disse Temer, afirmando que, caso Lula seja impedido de ser candidato, isso vai "agitar o meio político".

O presidente voltou a defender uma candidatura de centro para "reunificar o país". Apesar de defender um nome de centro ("se fosse possível, seria útil"), Temer admite que não será fácil a escolha do postulante. Perguntado sobre quem seria o candidato, e se poderia ser o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Temer se esquivou:

- Faça essa pergunta a mim em maio deste ano.

CAIXA

Michel Temer também falou sobre o afastamento de quatro dos 12 vice-presidentes da Caixa Econômica Federal. Apesar de o Ministério Público Federal (MPF) ter recomendado o afastamento dos dirigentes em dezembro, Temer só agiu agora, mas negou que a recomendação do MPF tenha chegado diretamente a ele. O peemedebista não descartou a volta dos vice-presidentes afastados, caso fique provado que não praticaram ilícitos.

- Esses casos têm de ser avaliados e não estou os incriminando. Acho que, cautelarmente, você os afasta para que depois o Conselho possa examinar. Porque também, se não tiverem culpa, eles podem até retornar a seu cargos. Se tiverem, não retornam.
RECONSTRUÇÃO MORAL

O peemedebista disse que está focado em fazer sua "reconstrução moral" e afirmou que não vai deixar o cargo "com a pecha de um sujeito que incorreu em falcatruas":

- Não vou sair da Presidência com essa pecha de um sujeito que incorreu em falcatruas. Não vou deixar isso.

Temer admitiu a possibilidade de partidos continuarem a fazer indicações políticas na Caixa, e afirmou que acolheria "sem dúvida nenhuma" caso lhe fosse sugerido um nome que fosse "um Albert Einstein para uma atividade científica":

- Os nomes (indicados por partidos) vão ser avaliados. O fato da indicação não significa nada. De repente alguém me indica, em uma maneira caricatural, um Albert Einstein para uma atividade cientifica. Posso acolher sem dúvida nenhuma - explicou, afirmando ainda não ter pressa em agir em relação a um possível afastamento do presidente da Caixa, Gilberto Occhi.

SAÚDE

O presidente negou a possibilidade de tirar uma licença para cuidar da saúde, e disse que está bem e que vai concluir o mandato. Temer passou por três cirurgias recentes e teve que usar uma sonda por três semanas, por conta de uma infecção urinária.

- Basta olhar para mim. Não tive nem tempo de pensar (em licença). Sabe por quê? Porque eu não parei de trabalhar. Sei que correu muito essa história por aí, mas são daqueles que querem me matar, né? - disse.

PREVIDÊNCIA

Sem votos para aprovar a reforma da Previdência, com previsão de ser votada em 19 de fevereiro, Temer se disse otimista e afirmou que, caso ela não passe no Congresso, o governo "continua firmemente" e tentará fazer uma simplificação tributária. - Quero dizer que a possibilidade de aprovar a Previdência é muito grande. E a reforma não vai sair da pauta. Mesmo que eu queira.

O presidente afirmou que vai dialogar com deputados e senadores, mas admitiu que não há margem e que será "difícil" fazer mais mudanças no texto da proposta, porque o governo já cedeu diversas vezes no texto.

- Espaço para mudança, é difícil, porque nós fomos até onde podemos. Agora, como todo nosso governo é pautado pelo diálogo, especialmente pelo diálogo entre o Executivo e o Congresso Nacional.

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