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Diretor diz que JBS passou R$ 6 milhões a Cance após Puccinelli deixar governo

André Cance é apontado como intermediário em delação

Diretor financeiro do grupo JBS, Demílton Antonio de Castro revelou em depoimento à força-tarefa da Operação Lama Asfáltica que o ex-governador André Puccinelli teria recebido propina da empresa mesmo depois de deixar o comando do Estado. Segundo o delator, houve repasses a operador do ex-governador no ano de 2015, quando Reinaldo Azambuja (PSDB) já estava no Governo de Mato Grosso do Sul.

Demilton afirmou que André Luiz Cance, ex-secretário de Fazenda de Puccinelli, recebeu montante milionário como “acerto de saldo”. O pagamento do valor, que teria como destino final o ex-governador, foi acertado entre Cance e o executivo Joesley Batista.

O primeiro pagamento referente ao “saldo” ocorreu, conforme o delator, em abril e maio de 2015. Foram pagos R$ 2,1 milhões em espécie para Cance. O pagamento ocorreu na cidade do Rio de Janeiro. Demilton conta que testemunhou o repasse do valor.

Dois meses depois, em julho do mesmo ano, mais uma parcela de R$ 1,9 milhão foi recebida por Cance. A data de pagamento do valor restante que completaria o “saldo” de R$ 6 milhões não é citada no depoimento.

“Não sei ao certo, ele me falou para zerar, credita o valor de R$ 6 milhões e paga o André”, afirmou o diretor da JBS na delação. O valor, inclusive, constaria em planilha administrada pelo diretor da JBS.  

Operação 

​De acordo com a PF o grupo criminoso, com a participação dos Puccinelli, direcionou licitações, superfaturou obras públicas, fez compra fantasmas de produtos, financiou atividades privadas de estatais sem relação com atividade-fim do órgão, cobrou propina para conceder incentivos fiscais e corrompeu agentes públicos.

Após os desvios, o grupo agiu em diversos processos para tentar esconder a origem do dinheiro arrecadado de forma ilícita, o que configurou o crime de lavagem de dinheiro.

A empresa do filho do ex-governador é suspeita de vender livros jurídicos para uma concessionária de serviços públicos sem relação alguma com universo dos advogados. Essa seria uma das formas de lavar o dinheiro desviado.

Nesta etapa da operação, a PF informou que houve colaboração de alguns investigados. Com a delação, exames periciais e análise de diversos documentos apreendidos nas outras quatro fases da Lama Asfáltica, os policiais conseguiram comprovar desvios e superfaturamentos de obras públicas.

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