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Empresas citadas em delação da JBS já eram investigadas na Lama Asfáltica

Conteúdo da delação foi revelado nesta sexta

Das nove empresas citadas em depoimento do delator Wesley Batista, dono do grupo JBS, à Procuradoria-Geral da República no início deste mês, pelo menos duas delas já são investigadas em Mato Grosso do Sul pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lama Asfáltica, deflagrada em 2015. Nesta sexta-feira (19), o STF (Supremo Tribunal Federal) liberou acesso ao conteúdo da delação premiada dos donos da JBS, em um trecho do depoimento, o delator fala especificamente sobre suposto esquema operado no Estado desde 1999.

De acordo com Wesley, milhões foram pagos aos governadores Zeca do PT, André Puccinelli (PMDB) e Reinaldo Azambuja (PSDB) em propina para que o Estado concedesse benefícios fiscais ao gigante frigorífico.

O pagamento dos valores ilícitos era feito por meio de operadores do suposto esquema, indicados pelos governadores. Para que a propina fosse repassada aos políticos de forma aparentemente legal, empresas eram indicadas pelos ex-governadores e o atual governador, segundo o delator Wesley, para que valores fossem depositados em suas contas. As empresas, por sua vez, repassavam notas frias para a JBS para justificar o recebimento dos valores.

No depoimento, o dono da JBS entrega ao integrante da PGR uma lista com todas as empresas que emitiram notas supostamente frias. Nomes de algumas empresas são citados em voz alta por Batista. São elas: Proteco Construções, Gráfica Alvorada, MP Produções Cinematrográficas, Art Propaganda, Ibope Pesquisa e Consultoria, Amapil Táxi Aéreo, Instituto Ícone de  Ensino Jurídico, ST Pesquisa de Mercado e Buriti.

De todas essas, a Proteco e a Gráfica Alvorada já são nomes conhecidos em Mato Grosso do Sul por até hoje serem alvos da Polícia Federal que investiga detalhes da Operação Lama Asfáltica. No Estado, elas são investigadas por envolvimento em esquema que supostamente desviava recursos públicos. A Proteco, inclusive, é uma das protagonistas do impasse envolvendo a conclusão da obra do Aquário do Pantanal.

A reportagem também apurou que a Proteco Construções e a Instituto Ícone também fizeram doações a campanhas eleitorais nas últimas duas eleições, de 2010 e 2014.

Outro lado

O Jornal Midiamax tentou contato com todas as empresas citadas pelo delator Wesley Batista. As empresas Proteco Construções, Gráfica Alvorada e Instituto Ícone de Ensino Jurídico informaram por telefone que nenhum diretor ou representante jurídico poderia falar sobre o assunto. Os proprietários da Proteco e Gráfica Alvorada, João Amorim e Mirched Jafar não foram encontrados pela reportagem.

As empresas Instituto Ícone de Ensino Jurídico e a Amapil Táxi Aéreo informaram que advogados retornariam às ligações, mas até o fechamento desta matéria não houve contato. Por telefone, proprietária da empresa ST Pesquisa e Mercado, identificada apenas como Mônica, disse nunca ter recebido valores da JBS.

As empresas MP Produções Cinematográficas, Art Propaganda, Ibope Pesquisa e Consultoria e Buriti não foram localizadas pela reportagem.

A delação

No termo de declaração, Wesley Batista revela que o suposto esquema de pagamento de propina em troca de incentivos fiscais em Mato Grosso do Sul começou no governo Zeca do PT e esteve vigente até o final do ano passado, já na gestão de Reinaldo Azambuja (PSDB). Em espécie, Puccinelli teria recebido R$ 30 milhões, e levado mais R$ 60 milhões via ‘doleiro’.

Wesley revela na delação que que o esquema era operado por Joesley na época do governo Zeca, que cobrava 20% do valor do benefício de redução do ICMS, tendo como contrapartida o pagamento de propina. “Como este fato é de 2003, não temos mais o registro de quanto foi pago, nem a forma como foi pago”, diz.

Entretanto, o empresário cita que em 2010, enquanto candidato a deputado, Zeca teria pego R$ 3 milhões de Joesley para campanha, sendo R$ 1 milhão em doação oficial e R$ 2 milhões em espécie, no escritório da empresa em São Paulo.

Nenhum dos políticos se manifestou sobre a delação até agora. 

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