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Delcídio ironiza delação sobre dívida milionária paga por Reinaldo

Ex-senador soube da delação pelo Jornal Midiamax

As revelações do empresário Wesley Batista, dono do grupo JBS, sobre suposto pagamento de dívida milionária do ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido) por parte do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) são “absolutamente improcedentes”, classificou Delcídio em entrevista ao Jornal Midiamax, nesta sexta-feira (19). O ex-senador também ironizou parte da delação de Batista.

Na delação premiada feita pelo empresário à PGR (Procuradoria-Geral da República) e já homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Wesley diz que durante a campanha eleitoral de 2014, quando Delcídio e Reinado se enfrentaram, houve acordo para repasse de R$ 12 milhões da JBS para a campanha do à época petista.

O dono da JBS conta que quem negociou todo o repasse de verba para as campanhas dos dois candidatos foi Joesley Batista, irmão de Wesley. O combinado era que se ganhasse as eleições, Reinaldo pagaria a dívida de Delcídio junto a JBS.

Sobre as revelações, Delcídio disse à reportagem que tudo é “absolutamente improcedente, e um pagar a dívida do outro é mais fácil o sargento Garia prender o Zorro”, brincou, ressaltando que soube das informações da delação pelo Jornal Midiamax.

Questionado sobre o fato de Delcídio ter sido preso depois de ser flagrado em conversa considerada obstrução de Justiça e nada ter acontecido com os delatados Aécio Neves (PSDB) e Michel Temer (PMDB), o ex-senador preferiu não comentar o assunto. 

Em nota encaminhada à imprensa, o governador Reinaldo Azambuja não comentou esse trecho da delação de Wesley.

A delação

​No termo de declaração, Wesley Batista revela que o suposto esquema de pagamento de propina em troca de incentivos fiscais em Mato Grosso do Sul começou no governo Zeca do PT e esteve vigente até o final do ano passado, já na gestão de Reinaldo Azambuja (PSDB). Em espécie, Puccinelli teria recebido R$ 30 milhões, e levado mais R$ 60 milhões via ‘doleiro’.

Wesley revela na delação que que o esquema era operado por Joesley na época do governo Zeca, que cobrava 20% do valor do benefício de redução do ICMS, tendo como contrapartida o pagamento de propina. “Como este fato é de 2003, não temos mais o registro de quanto foi pago, nem a forma como foi pago”, diz.

Entretanto, o empresário cita que em 2010, enquanto candidato a deputado, Zeca teria pego R$ 3 milhões de Joesley para campanha, sendo R$ 1 milhão em doação oficial e R$ 2 milhões em espécie, no escritório da empresa em São Paulo.

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