​Empresários apontam represália policial após denúncia; Governo nega

Gaeco negou participação, mas informou ações da Polícia Civil de MS

Empresários que denunciaram agentes públicos da gestão de Reinaldo Azambuja (PSDB) pelo suposto esquema de propinas na Sefaz-MS (Secretaria de Estado de Fazenda) acham que se tornaram alvo de retaliação por parte das forças de segurança pública em Mato Grosso do Sul. O governo nega, mas admite que mandados foram cumpridos recentemente justamente contra denunciantes ligados ao escândalo no fisco estadual.

"Têm relação com investigações antigas, ainda em andamento", afirma o Delegado-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Marcelo Vargas. Segundo a reclamação de empresários implicados nas denúncias de suposto pagamento de propinas em troca de benefícios fiscais, inquéritos teriam sido abertos e estariam sendo tocados "com celeridade incomum".

Um empresário que atua na área de consultoria contábil e teria entre os clientes os denunciantes do esquema na Sefaz-MS chegou a ser levado ‘coercitivamente’ para depor em uma delegacia, supostamente sem que os agentes policiais tivessem apresentado um mandado judicial.

'No Gaeco, não'

Como houve falta de clareza na identificação dos procedimentos, inicialmente, os alvos acharam que se tratava de uma ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), ligado ao MPE-MS (Ministério Público Estadual), que ainda teria negado informações de possíveis inquéritos aos envolvidos.

No entanto, segundo a promotora responsável pelo Gaeco, Cristiane Mourão, não existe o suposto ‘aparelhamento político’ do Grupo do MPE-MS. Ela, ainda confirma que recebeu um ‘requerimento genérico para obter certidão de existência de procedimentos investigatórios eventualmente existentes contra si (um empresário) no âmbito do órgão’, negado por não ser 'específico'.

Todavia, o Ministério Público informou a existência de uma investigação sendo tocada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Logo, os agentes que teriam conduzido, supostamente sem mandado, um cidadão a depor, seriam investigadores.

'Polícia de Estado'

Ao Jornal Midiamax, o delegado-geral da Polícia Civil, Marcelo Vargas Lopes, negou qualquer tipo de retaliação contra pessoas que denunciaram irregularidades no atual Governo. "Quero deixar claro que a Polícia Civil é uma polícia de Estado e não de Governo", afirmou.

Mesmo assim, o delegado admitiu que há não uma, mas sim quatro investigações em andamento contra apenas um dos denunciantes que tornou público o suposto esquema de propinas na Sefaz-MS. Embora o Midiamax não tenha em momento algum citado nomes, Vargas detalhou que uma das apurações teria sido aberta em 2015 com objetivo de apurar emissão duplicata fria, que teria causado prejuízo de R$ 2 milhões a um banco.

O delegado-geral da Polícia Civil de MS não explicou porque o inquérito teria ficado parado desde 2015 e teve diligências justamente agora, coincidentemente depois que as denúncias contra a cúpula do fisco estadual sul-mato-grossense trouxeram à tona o escândalo da Secretaria de Fazenda.

A Polícia Civil também afirmou que todas denúncias recebidas contra agentes da corporação são apuradas.  Por meio de sua assessoria, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) se limitou a classificar como ‘absurda’ a acusação de usar a polícia para perseguir adversários.

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