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'Só queria dar susto', diz réu que matou degolada garçonete na praça do Rádio

A vítima era ex-namorada da mulher dele

  • (Fotos: Aline Machado)

Em julgamento na manhã desta sexta-feira (17), Kielvnn de Morais, de 24 anos, e Iris Adriana Barbosa da Silva, de 22 anos, prestaram depoimento pela morte de Thais Giedry Borges dos Santos, na época com 22 anos. O caso aconteceu na Praça do Rádio Clube, em Campo Grande, no dia 31 de janeiro de 2016.

Em depoimento, Kielvnn disse que só ‘queria dar um susto’ na vítima, e que ela tentou empurrá-lo quando ele estava com a faca na mão, provocando o corte no pescoço e quase degolamento da vítima. Esta é a terceira vez que o rapaz muda o depoimento e já contou outras versões quando foi preso.

Ao júri, ele afirmou que não sabia do relacionamento entre Iris e Thais e que não tinha intenção de matar a vítima. Ele ainda disse que recebia ligações da jovem, em que ela ‘debochava’ dele, dizendo que ele era ‘corno’ e que ‘pegava’ a mulher dele. “Eu só queria que o deboche parasse”, disse. Ele afirmo que pegou a faca do crime na casa da sogra e só ameaçaria Thais, mas que ela bateu a mão na faca, provocando o corte no pescoço.

A mãe da vítima disse que não sabia do relacionamento entre as duas, já que elas haviam terminado tempos antes, após uma briga em que ela precisou intervir. Ela também não sabia que a filha era madrinha da filha de Iris, mas desaprovava qualquer contato entre as duas. A mãe de Thais também não conhecia o suspeito, 'SKielvnn.

Em versão parecida com a que contou anteriormente na prisão, Iris disse que tinha começado a brigar desde cedo com o marido em Ribas do Rio Pardo, onde os dois moravam. Ela já tinha o plano de ir embora para a Capital e voltar com a ex-namorada, Thais, e afirmou que o marido teria dito que deixaria ela viver a vida com a jovem se ela quisesse.

Segundo Iris, o rapaz a levava para Campo Grande de motocicleta, mas parou no meio do caminho, dizendo que já ‘sabia de tudo’ e ordenando que ela ligasse para a vítima. A jovem já tinha ligado outras vezes, mas Thais não teria atendido. Enquanto os dois discutiam, segundo Iris, Thais retornou a ligação e ela disse que precisavam conversar, uma questão de vida ou morte.

Em Campo Grande, iris teria ligado novamente para a vítima, que trabalhava em uma pastelaria na frente da Praça do Rádio. A vítima atravessou a Avenida Afonso Pena e encontrou com Iris, Kielvnn e a filha do casal, afilhada dela. Segundo Iris, quando a vítima pediu para segurar a bebê, Kielvnn a esfaqueou no pescoço.

Iris ainda afirmou no depoimento que foi obrigada a fugir. Ela ainda contou que enquanto esperava Thais na praça era agredida pelo marido, que estava com a faca e a bebê nas mãos. A jovem ainda revelou que o rapaz tinha conseguido emprego para a irmã dela em Ribas do Rio Pardo e disse que só estava com ele ainda porque ele ameaçava matar a cunhada caso Iris terminasse com ele.

Participam do julgamento o juiz Aluízio Pereira dos Santos, promotor Douglas Odegardo Cavalheiro dos Santos e os defensores Rodrigo Antônio Stochiero da Silva e Igor Cesar de Manzano Linjardi.

Homicídio

Segundo a polícia, após o caso que teve com Thais, Iris foi morar em Ribas do Rio Pardo onde trabalhou como garota de programa. Na cidade, a jovem conheceu Kielvnn com quem casou e assim deixou de fazer programas. Da união os dois tiveram uma filha que hoje tem nove meses. Porém, mesmo casados, Iris trocava mensagens e se encontrava com Thais na Capital.

Sob ameaças de morte, de acordo com a polícia, Iris alega que foi obrigada a forjar um encontro com Thais na Praça do Rádio Clube. O casal viajou em uma moto Yamaha Fazer junto com a bebê de nove meses e chegou na noite de domingo. Lá, Iris ligou para Thais e disse que estava com a filha de nove meses, afilhada de Thais. Iris contou que a menina estava doente e gostaria que ela visse a criança.

As duas teriam conversado em um banco, em um local sem iluminação, quando Kielvnn chegou por trás, pegou no cabelo de Thais e a degolou. A jovem ainda tentou correr em direção a Afonso Pena, porém caiu já morta antes de chegar na avenida. Após o crime, os dois, com a filha, voltaram para Ribas aonde chegaram por volta das duas horas da manhã.

Posteriormente eles foram pra uma chácara que fica a cinco quilômetros da zona urbana de Ribas. A polícia chegou até o casal, após a mãe de Iris contar que Kielvnn tinha ciúmes de Thais e inclusive já havia ameaçado matar Thais e outros dois amigos da Iris. Na chegada da polícia na fazenda, os dois correram e Kielvnn, conforme o relato policial, usou a filha de nove meses como “escudo”, com medo de ser atingido por algum tiro.

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