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Morte em show: depoimentos reforçam tese de legítima defesa

Próxima audiência está marcada para junho

Quatro testemunhas de defesa prestaram depoimento nesta segunda-feira (16) na audiência sobre a morte do pedreiro Adilson Ferreira dos Santos, de 23 anos, em novembro de 2017 durante uma briga com o agente penitenciário federal, Joseilton Cardoso, de 33 anos, em um show de uma dupla sertaneja, na Capital. Duas testemunhas relataram sobre o perfil do autor enquanto outra contou sobre o momento do disparo, que teria sido em legítima defesa após as agressões desferidas pela vítima.

Nesta tarde, quatro testemunhas de defesa falaram em favor do agente penitenciário enquanto outras 4 faltaram, incluindo o delegado responsável pelo inquérito, Paulo Sá. Das duas testemunhas de acusação, o MPE (Ministério Público Estadual) desistiu de uma, sendo que a outra, de Mato Grosso, será ouvida por carta precatória. A próxima audiência sobre o caso está marcada para o dia 20 junho.

Depoimentos

Em depoimento ao juiz, uma das testemunhas de defesa, amiga do autor, falou sobre o momento da briga e do disparo, ressaltando que o agente penitenciário teria sido agredido por Adilson. Três pessoas tentaram interromper a briga, segurando a vítima, mas não conseguiram segurar o pedreiro, que teria voltado a bater em Joseilton, levando o servidor a efetuar o disparo. A testemunha também informou que Adilson estaria alcoolizado no momento das agressões.

Outra testemunha que teria presenciado a briga disse na audiência que estava perto da escadaria que levava até o banheiro, mas demorou para perceber que havia uma briga na área. Ao notar a confusão, viu que havia uma pessoa sendo agredida. “O rapaz que foi baleado estava batendo bastante no outro”, disse. A testemunha também afirmou sobre a tentativa de três amigos da vítima de tentar impedir a briga. Sobre o tiro, a mulher contou que achou que o barulho era proveniente do palco, já que o show ainda estava ocorrendo, percebendo pouco depois o sangue na camiseta branca do pedreiro.

Duas testemunhas compareceram a audiência e falaram sobre o perfil de Joseilton. Uma colega de trabalho disse que visitou o agente no dia seguinte ao fato, encontrando o autor vários hematomas pelo corpo. “Ele era uma pessoa de bem e que está sofrendo com isso. Poderia ter acontecido com qualquer um de nós, ter matado um", declarou.

Ainda em depoimento, a agente penitenciária criticou o trabalho da imprensa. “Para a imprensa, quem morre é sempre a pobre vítima, mas não sabem o que realmente aconteceu”, afirmou.

Outro amigo, em depoimento, afirmou que prestou serviço militar com o agente penitenciário, dizendo que ele era uma pessoa tranquila. “Não sei de nada que pese contra ele tanto na questão pessoal quando na profissional”, disse. 
Conforme o advogado de defesa, José Roberto Rodrigues Rosa, disse à imprensa que as testemunhas corroboravam as versões dadas no processo, de que Joseilton teria sido agredido antes de ser atingido. “Se a vítima tivesse pegado a arma dele, quem morreria seria o agente ou outras pessoas já que ele estava alcoolizado e nervoso”, disse.

Relembre o caso

O crime aconteceu após um show no estacionamento do Shopping Bosque do Ipês, no dia 24 de setembro de 2017, quando o agente se envolveu em uma briga por causa da fila do banheiro.

Em depoimento, o agente disse que estava na fila do banheiro após o fim do show quando houve um desentendimento com Adilson. Os dois teriam entrado em luta momento em que o agente efetuou um disparo que atingiu o tórax da vítima. Foi feita tentativa de reanimação, mas Adilson acabou morrendo no local.

O agente teria ido ao show para comemorar seu aniversário, “Ele chorou muito durante o depoimento e está chocado”, disse o delegado. Salomão ainda afirmou que o agente penitenciário não estaria embriagado e que o disparo segundo o depoimento do autor teria sido um ‘ato de memória muscular’.

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