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Cama dentro de cela de presídio da Capital custa R$ 3 mil, diz encarcerado

Informação é dita em áudio com diálogo de dois detidos

 

Preso do IPCG (Instituto Penal de Campo Grande), em conversa, por telefone celular, o que é proibido por lei, com outro encarcerado do presídio de Segurança Máxima, cujo prédio fica ao lado, diz que cumprir pena por lá exige dinheiro. Uma cama dentro da cela, cita o detido, custa em torno de R$ 3 mil.

Quem cobra pela “jega”, como os presos chamam o lugar de dormir, seriam os líderes de pavilhões do estabelecimento penal, o segundo maior de Mato Grosso do Sul.  

O áudio com os diálogos dos encarcerados, com duração de cerca de dois minutos, o qual o jornal Midiamax teve acesso, pode ser ouvido no fim desta página.

Na interlocução, o detido do IPCG, diz que é “embaçado” ser transferido para o presídio de Segurança Máxima, como é mais conhecido, mas que oficialmente chama-se estabelecimento penal “Jair Ferreira de Carvalho”.

“Daí o barato é loco mano, chegar quebrado num lugar desse aí, ficar mendigando pra vagabundo aí, cê é loco mano. Num dá não”, diz o detento, depois de contar que o preço por uma espécie de aluguel da cama custa ao menos R$ 3 mil.

Pela conversa do encarcerado, dias atrás, por pouco não ocorreu uma debandada de presos abrigados no IPCG, local onde ficam condenados do sexo masculino que, depois um período é levado para o presídio de segurança máxima.

O encarcerado relata também ao colega que ação só não deu certo porque os amotinados teriam errado na estratégia de fuga.

Não só o aluguel da cama que é cobrado nos presídios. “Lá, tudo é no dinheiro, é negociado a cama, a droga, o cigarro, refrigerante, até a mulherada”, disse um ex-presidiário, que garantiu ter cumprido oito anos de sentença num presídio do Estado.

Ele, que assaltou e feriu a vítima com dois tiros, não autorizou a publicação do nome e reforçou a informação de que há uma  “guerra” entre organizações dentro dos presídios. “Sempre existiu e nunca vai acabar”, afirmou a fonte ouvida.

SÓ OUVINDO

O diretor-presidente da Agepen, agência estadual que administra os presídios, Ailton Stropa, não quis se manifestar quanto ao diálogo do preso que disse que líderes dos encarcerados cobram até pelo aluguel da cama instalada nas celas.

Ele afirmou à reportagem que preferiria ouvir o áudio antes. A recomendação de Stropa foi a de que o jornal encaminhasse o material para a assessoria de imprensa da Agepen que, oficialmente, funciona de segunda-feira a sexta-feira.

O presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária, André Santiago, estava em viagem neste domingo e o aparelho celular não tinha conexão.

Confira o vídeo aqui.

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