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Baterista e comparsa mataram Mayara a marteladas em motel para roubar carro

Polícia descartou a participação de atual namorado e o crime de feminicídio

  • Martelo usado por criminosos para matar a vítima (Foto: Henrique Kawaminami)
  • Foto: Henrique Kawaminami
  • Foto: Henrique Kawaminami
  • Carro da vítima, roupado por criminosos (Foto: Henrique Kawaminami)

A Polícia Civil concluiu as investigações sobre a morte da musicista Mayara Amaral, de 27 anos, e descartou o feminicídio. A jovem foi vítima de latrocínio – roubo seguido de morte -, em um motel de Campo Grande. Luís Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, atraiu a jovem na intenção de matá-la.

Segundo o delegado Tiago Macedo, depois que o corpo foi encontrado, a família registrou boletim de ocorrência informando o desaparecimento da jovem. A partir das informações, investigadores do GOI (Grupo de Operações e Investigações) foram até o suposto namorado, que possuía “álibis muito fortes”, de acordo com o delegado, que isentaram a participação no crime.

Uma testemunha que morava com a vítima apresentou à polícia um aplicativo que mostrou os últimos passos de Mayara depois das 16h, última vez que teria sido vista. A partir dos locais, a polícia começou a desvendar o caso.

De acordo com a Polícia Civil, Luís é músico, baterista, e afirmou já ter tocava com a vítima.  Ele foi o primeiro a ser preso, em casa, e no local, a polícia encontrou as roupas sujas de sangue, computador, telefone, CNH e o instrumento de Mayara.

Na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), da Piratininga, Luís confessou que conhecia a vítima e a atraiu para um motel na Avenida Euler de Azevedo. A entrada do carro no motel foi registrada às 22h de segunda-feira. O comparsa Ronaldo da Silva Olmedo, 30 anos, conhecido por ‘Cachorrão’ entrou no motel escondido.

Em seu depoimento, Luís admitiu que manteve relação sexual com a vítima. A Polícia Civil acredita que Mayara foi morta a golpes de martelo quando percebeu que seria roubada e tentou reagir.

Depois de morta, ‘Cachorrão’ pegou os pertences da vítima e com ajuda de Luís levaram o corpo para a casa do Anderson Sanches, 31 anos. No local dividiram os objetos e após cerca de de oito horas com o cadáver, decidiram levar corpo para a cachoeira do Inferninho, onde atearam fogo no corpo e arreadores para tentar apagar as pistas. Cachorrão e Anderson foram presos, no decorrer das investigações, com o veículo da vítima.

Conforme o delegado, eles assumiram o risco da morte ao levarem martelo escondido na mochila.

Luís não possuía passagens pela polícia, mas afirmou ser usuário de droga. Já os outros dois, sobretudo ‘Cachorrão’, possuem extensa ficha criminal, entre crimes tráfico de drogas e roubo à mão armada. Ainda segundo as investigações, Luís foi o autor da mensagem enviada à mãe da vítima que tentava incriminar o suposto namorado da vítima.

O trio será indiciado por latrocínio, com pena de até 30 anos, e ocultação de cadáver, pena de 3 anos.

À imprensa, Luís disse que agiu sob efeito de droga. “Não sabia o que estava fazendo. Eu já conhecia a vítima porque tocava com ela, mas não tínhamos um relacionamento”

Revoltado, Cachorrão nega participação no crime, mas afirma que Luís teria oferecido o carro, modelo Gol, por R$ 1 mil. “Eu já vi ele com a vítima e até falei que não queria comprar. Não sou cagueta, mas quem matou foi o Luís. Ele agiu de má-fé comigo”, disse.

Anderson confirma a versão da venda do carro, mas nega a participação na morte de Mayara.

CRIME

O corpo de Mayara Amaral foi encontrado na noite desta terça-feira (25) por peões de fazendas da região do Inferninho, ainda em chamas. O fogo que queimou parcialmente a vítima se alastrou pelas margens da estrada e mobilizou moradores da região e o Corpo de Bombeiros.

A mãe contou que não conseguia contato com a jovem e que, ao procurar por uma amiga de Mayara, foi informada que a jovem tinha desaparecido no dia 24, após brigar com o namorado que a teria ameaçado de morte.

Desde então não conseguiu contato com a filha. Já ontem (terça) mandou mensagens para o celular dela perguntando onde ela estava e recebeu como resposta que estava na casa do ex-namorado, que a estava perseguindo e ameaçando de morte. Após isso, a mulher procurou a delegacia de polícia e não conseguiu mais contato com a filha, já que o celular estava desligado.

Colegas da música chegaram a compartilhar avisos nas redes sociais sobre o desaparecimento, mas o corpo de Mayara Amaral foi reconhecido nesta quarta-feira (26).

De acordo com informações da polícia, o fogo não teria sido colocado no corpo para encobrir provas, mas teria sido colocado na vegetação e acabou se espalhando e alcançando o corpo da jovem. Peões, no entanto, relataram que o fogo teria começado exatamente onde o corpo foi abandonado.

Mayara foi jogado no local vestida apenas com uma calcinha. O crânio perfurado por possíveis pancadas na cabeça seria a causa da morte. Fazendeiros que passavam pela região disseram aos militares, que por volta das 16h, já havia fogo na região. Uma das testemunhas viu que, por volta das 17h20, o fogo se alastrou e sem sinal de telefonia no local, precisou seguir rumo a área central para conseguir acionar para a PM e Corpo de Bombeiros.

Moradores da região disseram que não notaram nenhuma movimentação estranha antes de a vítima ser encontrada. A polícia investiga o caso e até o momento não há informações da autoria do crime.

A violinista, Mayara se formou no curso de música da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e integrou o quarteto Pétalas de Pixe, formado apenas por mulheres com produção de pop-rock regional. No mestrado em Música da UFG (Universidade Federal de Goiás), ela pesquisou o trabalho de compositoras brasileiras para violão da década de 1970.

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