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Para amigos, apesar de ser vítima, Mayara é julgada como se não fosse

Três homens são acusados de matar a jovem

Mayara virou mais um número entre tantos casos de feminicídio registrados em Campo Grande.  Morrer por ser mulher, por ser considerada alvo fácil e ainda ser julgada como se não fosse vítima,  por aquele velho discurso “Foi ela que provocou”. Até quando? 

A musicista Mayara Amaral, 27 anos, foi vítima de um crime arquitetado por três homens, que a princípio queriam roubar seu carro, um Gol ano 1992. O desfecho triste veio com um coro questionando o comportamento da jovem, que é rebatido com outra pergunta: E se o protagonista fosse um homem, qual seria o julgamento?   

A despedida nesta quinta-feira reuniu colegas da faculdade, da música e familiares. O sentimento era de tristeza, mas no meio da dor, teve quem tivesse força para falar sobre machismo, o que para amigos levou Mayara embora. “A questão é: até quando vai ser assim? Enquanto isso sempre vai ter um pai e uma mãe chorando”, disse uma amiga que não aguentou segurar o choro.

No tribunal da internet, entre as opiniões um homem justificava a tragédia fazendo relação de caráter: "Seja uma pessoa honrada, coisas boas atraem coisas boas". É como se a gente tivesse que andar sempre de determinada forma, porque fora disso, é porque a gente buscou”, disse uma colega da época da faculdade. 

“É um puritanismo que não existe. Ele era mulher independente, trabalhava, e ir ao motel não pode colocar em cheque o caráter”, defende outra colega. 

A jovem se foi, mas deixou aqui muita gente para levantar a bandeira do feminismo. “A sociedade ainda vela o machismo, mas é nossa obrigação continuar lutando, porque toda mulher corre o risco de ser vítima como a Mayara”. Atualmente ele se dedicava à um trabalho sobre musicistas, contou uma amiga. Chocadas com o crime e temendo a grande exposição do assunto, as amigas pediram para que seus nomes não fossem revelados.

Crime

Luis Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, músico como a jovem,  foi o primeiro a ser preso. Ele estava em casa, e no local a polícia encontrou roupas sujas de sangue, computador, telefone, CNH e o instrumento de Mayara.

Na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), da Piratininga, Luís confessou que conhecia a vítima e a atraiu para um motel na Avenida Euler de Azevedo. A entrada no estabelecimento foi registrada às 22h de segunda-feira. O comparsa, Ronaldo da Silva, entrou no motel escondido. Em seu depoimento, Luís admitiu que manteve relação sexual com a vítima.

A Polícia Civil acredita que Mayara foi morta a golpes de martelo quando percebeu que seria roubada e tentou reagir. O terceiro acusado, Anderson Sanches Pereira, teria ajudado a dupla a sumir com o corpo. 

O corpo de Mayara Amaral foi encontrado na noite desta terça-feira (25) por peões de fazendas da região do Inferninho, ainda em chamas. O fogo que queimou parcialmente a vítima se alastrou pelas margens da estrada e mobilizou moradores da região e o Corpo de Bombeiros.

Matéria editada às 23h33min para acréscimo de informação*

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