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Situação territorial expõe índios a mortalidade, afirma CIMI sobre relatório da Sejusp

A pedido da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado) elaborou um relatório que indica que dos 196 homicídios que aconteceram no Estado de 2006 a 2013 entre índios, 92% deles tiveram outros índios como autores. Porém, o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) alega que o conflito demográfico expõe os índios a esta situação.

Com o relatório, o presidente da Famasul, Eduardo Riedel, quer desmentir o relatório do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) de mortes contra índios no Estado. “O maior problema das comunidades indígenas é a falta de políticas públicas específicas, que garantam sustentabilidade e preservem as culturas, fortalecendo a identidade desses povos. Remeter os homicídios ao conflito fundiário é manipular a informação e camuflar o problema social", destaca o presidente da Famasul.

Para o Coordenador Regional do CIMI, Flávio Vicente Machado, o relatório da Sejusp deixa clara a situação de conflito a que os índios são expostos. “Em momento nenhum o Cimi atribuiu aos produtores rurais nenhuma matança de índios. Mas a disputa por terras expõe os índios as situações de conflito interno nas aldeiras”.

Flávio explicou que em dez anos, dez lideranças indígenas foram mortas em conflitos no Mato Grosso do Sul. “Isso evidencia que em outras áreas do país, onde há conforto demográfico, o sistema é propício a convivência e ao controle interno da violência, o que não acontece aqui no Estado”.

A Sejusp apontou que em todos os 27 homicídios contra indígenas registradas no Estado naquele ano os autores dos crimes são também indígenas, sendo que em 20 ocorrências os responsáveis foram identificados ainda no local do crime.

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