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04/03/2013 14:23

Médica critica uso excessivo de medicamento para déficit de atenção em crianças e adolescentes

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Mayara Sá

O consumo de medicamento para transtorno de déficit de atenção aumentou 75% entre crianças e adolescentes no Brasil. Em 2000 foram vendidas 70 mil caixas de metilfenidato, em 2009, 2 milhões. O aumento coloca o Brasil como o segundo maior consumidor mundial do psicotrópico, perdendo apenas para os Estados Unidos. O uso do remédio causa controvérsias entre os médicos. A pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora da Unicamp (Universidade estadual de Campinas), é uma das vozes a questionar a existência de “uma doença neurológica que só altera comportamento e aprendizagem”. Em entrevista ao Midiamax, durante o evento “Medicalização na escola e a formação profissional do psicólogo”, realizado na semana passada em Campo Grande, ela explicou que os diagnósticos para o uso da droga estão errados e que é preciso estar atento ao comportamento das crianças, e não medicá-las indiscriminadamente.

Midiamax: Por que o uso do metilfenidato aumentou tanto no país?

Os médicos estão prescrevendo mais, isso não há dúvida. Em 2000 foram vendidas 70 mil caixas de medicamentos. Em 2010 foram dois milhões de caixas. O aumento é mais de 1,8 mil por cento, segundo dados do IDUM (Instituto de Defesa dos Usuários de Medicamentos), que é baseado em dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O fato é que os medicamentos estão sendo mais prescritos. E o estudo mostra que quem mais prescreve a medicação são os mesmos médicos.

Midiamax: O diagnóstico do déficit de atenção (TDAH) está mais preciso? Por isso, o aumento da venda do remédio?

Quem defende o uso da droga diz que é porque está se diagnosticando mais. De um modo melhor. Eu acho que não é isso. Não concordo com isso por alguns motivos. Primeiro porque você tem esse pico só neste campo da medicina. Só nessa área de uso de psicotrópico para crianças e adolescentes com problemas de comportamento e aprendizagem. Você não tem isso em nenhuma outra área da medicina. Esquisito imaginar que esse melhor atendimento por parte da saúde avance apenas em uma parte específica da psiquiatria. A outra questão é que o TDAH é uma doença muito controvertida. Isto é, não se nega que existem pessoas com esses comportamentos. Mas, a questão é: esse comportamento é um problema neurológico, neuropsiquiátrico? Isso não tem comprovação e não é aceito tranquilamente dentro da própria medicina.

Midiamax: Se a doença é controvertida, então o uso da medicação também é?

O uso deste medicamento é extremamente controvertido na medicina. E não é aceito tranquilamente. O uso de psicotrópicos em criança não é uma coisa tranquila. Ele é um derivado de anfetamina, tem o mesmo mecanismo de ação da anfetamina e da cocaína e todas as reações adversas dessas drogas e levam a dependência química. Quem toma corre o risco de drogadição – dependência de psicotrópicos – que é o mecanismo de dependência química.

Midiamax: Isso é muito preocupante?

Isso é tão preocupante que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) soltou um relatório [acesse o relatório aqui]. Ela nunca tinha soltado isso. Trabalho com questões ligadas a comportamento e aprendizagem desde o inicio da década de 80, e isso nunca aconteceu. Desde 2000 que está tendo esse crescimento absurdo é a primeira vez que sai o estudo.

Midiamax: Existem estudos que comprovem a eficácia do metilfenidato no tratamento de déficit de atenção?

Ao contrário de tudo que se diz, do que é difundido, para se saber como é a ação, se o remédio funciona ou não é preciso fazer pesquisas de meta-analise. Que é pesquisar em cima de tudo aquilo que já foi publicado sobre o assunto. Alguns centros são especializados nesse tipo de pesquisa. Um muito importante no mundo é o da Universidade de Toronto, no Canadá. Eles levantaram tudo que foi publicado desde 1980 a 2010 em tratamento de TDAH. É a única pesquisa de meta-analise feita. E dos “10 mil trabalhos feitos sobre o uso do medicamento” apenas uma dúzia foi comprovado ter rigor cientifico para ser pesquisado. E desses, ele observaram que a orientação familiar tem alta evidência de bons resultados. Só o medicamento baixíssima evidência de resultados. Orientação mais medicamento, evidência média.

Midiamax: Isso quer dizer que a orientação familiar é muito mais importante do que o uso de medicação?

A conclusão é que a orientação familiar funciona muito bem. Eles observaram ainda que o medicamento muda o comportamento da criança. Ela fica mais parada, mais quieta. O que não significa que você está resolvendo o problema. Ela está parada. Está controlada. Por isso é chamada de droga da obediência. E não sou eu quem usa esse nome, ela é chamada assim. Ela fica parada, mas o rendimento escolar não melhora.

Midiamax: Então a senhora é contra o uso do metilfenidato?

Sou completamente contra o uso deste medicamento. Não sou a favor do uso de nenhum tipo de droga porque não é comprovado que o TDAH é uma doença.

Midiamax: Isso quer dizer que crianças agitadas não necessariamente sofram de déficit de atenção?

Tem crianças que tem um comportamento diferente? Tem. Mas, o que é isso? Tem uma quantidade de problemas que podem levar a isso. Não é uma coisa. Geralmente, o comportamento é uma manifestação, é um sintoma de que algo não vai bem. Ele não é a doença em si, é a manifestação. E geralmente é algo que indica que essa criança está vivenciando um conflito – um sofrimento. Então eu preciso saber o que está acontecendo com ela para poder ajudar.

Midiamax: Quando se fala em orientação familiar quer dizer que os pais não souberam orientar?

Quanto se fala em orientação familiar não quer dizer que a culpa é dos pais. É orientar os pais para como lidar com as crianças que tem esse comportamento. Se você tem um profissional que está disponível e preocupado em descobrir isso e não dar um ‘diagnóstico’ você consegue. Pode até não ser um médico. Muitas vezes, os próprios pais percebem. O que precisa é desconfiar que algo não está bem com essa criança, ela pode estar pedindo socorro.

Midiamax: O ‘diagnóstico’ se deve a uma ânsia de resolvermos tudo com rapidez?

Também, as pessoas querem resolver tudo muito rapidamente. E os pais estão convencidos que estão fazendo o melhor para seu filho. Eles estão recebendo esse bombardeamento, da mídia mesmo. Você tem uma doença que é extremamente difundida na mídia. Entra na moda. Os pais e profissionais são convencidos de que criança que tem um comportamento diferente tem isso. Ai tem esse boom de medicação.

Midiamax: E a quem se atribui essa difusão?

Na verdade você está lidando com um interesse enorme da indústria farmacêutica. A tal ponto que o remédio é vendido como que melhora a cognição. Ele é divulgado como amplificador cognitivo. E não é nada disso.

Comentários (14)

10/03/2013 19:13
Dionesio
quem tem tdah como eu, por exemplo percebe a pouca informação que a médica tem para ir dar uma entrevista como alguém que conhece do assunto. triste isso mais um que critica sem conhecimento do que é viver com esse problema.

09/03/2013 20:46
José
Se a doutora ao menos procurasse se informar só mais um pouquinho, não faria o papel ridículo de negar um transtorno que tem sido um dos mais estudados nos últimos tempos. Só para ela, e quem mais quiser aprender sobre os últimos achados da extensa pesquisa sobre TDAH (ADHD), vide www.neurologia.com Rev Neurol 2013; 56 Está em espanhol, doutora. Deve ser fácil para a senhora...

09/03/2013 12:16
Miriam
A dra alerta contra o uso excessivo da droga da obediência e sugere sempre medicação bem orientada, por equipe de profissionais.Ainda bem que tem coragem de abrir o debate.

07/03/2013 23:20
aurelino100@live.com
-um caso fora do assunto - Epidemia de dengue - Campo grande tem um monte de epidemia - DIABETE, CÂNCER, entre outras doenças, é um dos estados mais doentes. aconselho beber água mineral - pois limeira sem muitos hospitais tem a melhor água e tratamento do Brasil -

07/03/2013 23:17
aurelino ferreira de arruda
concentração é de cada um - tem uma menina na web que decora 200 países -então os pais desde criança devem colocar as crianças para trabalharem a mente - remédio para mente nunca é bom - só quando se tem doença neurológica - parace que a matéria trata disso, não li -

07/03/2013 12:21
MÁRCIO
BOM DIA, EU LI A REPORTAGEM, E CHEGUEI A SEGUINTE CONCLUSÃO(EM MINHA IGNORÂNCIA), DEPOIS DE ADULTO JÁ NA FACULDADE, COMECEI A PERCEBER O QUANTO EU SOFRIA, PELA FALTA DE CONCENTRAÇÃO, DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM ETC. É A UMA SITUAÇÃO DE TERROR PRA QUEM PASSA POR ISSO, CHEGUEI A FICAR EM PÂNICO NO MEU TCC, DEPOIS QUE INICIEI O TRATAMENTO COM ESSE REMÉDIO, MELHOREI MUITO. JÁ O QUE PERDI NÃO RECUPEREI

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