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Mundo
27/02/2012 22:50
The New York Times / WQ
A autoridade liderando a investigação policial dos jornais britânicos de Rupert Murdoch disse, na segunda-feira (27), que os repórteres e editores do tabloide “The Sun” pagaram ao longo dos anos centenas de milhares de dólares por informação não apenas a policiais, mas também a uma “rede de autoridades e oficiais corruptos” nas forças armadas e no governo. A autoridade, a vice-comissária-assistente, Sue Akers, disse que e-mails obtidos pela polícia mostram que havia uma “cultura de pagamentos ilegais no ‘The Sun’”, que eram autorizados “na esfera mais alta dentro do jornal” e envolvia “somas frequentes e às vezes significativas de dinheiro” pagas a autoridades públicas do Ministério da Saúde e do serviço carcerário, entre outros órgãos. As provas representaram uma nova guinada na investigação que já dura meses sobre o comportamento dos jornais de propriedade de Murdoch e outros, conhecida como inquérito Leveson. Ela detalha as transações financeiras que mostram tanto a escala quanto a amplitude dos subornos informados, a natureza encoberta dos pagamentos e os cargos elevados dos executivos dos jornais acusados de envolvimento. Elas podem ser altamente danosas para a News Corp., a dona com sede nos Estados Unidos do império de mídia de Murdoch, caso dê munição para o FBI e outras agências que estão investigando a empresa por possível processo sob a Lei de Práticas Corruptas no Exterior. Até agora, o inquérito Leveson lidou primeiramente com as questões de acesso ilegal a correio de voz privado e e-mail pelos jornalistas do tabloide. Esse escândalo forçou a empresa a fechar o “The News of the World”, o principal tabloide dominical de Murdoch, em julho de 2011; ele foi substituído no último fim de semana por uma nova versão dominical do “The Sun”, que publicou sua primeira edição horas antes das mais recentes audiências do inquérito Leveson. Em uma declaração, Murdoch, o chefe da News Corp., cuja subsidiária britânica é dona do “The Sun” e de outros jornais importantes daqui, não negou especificamente as alegações feitas por Akers. Em vez disso, ela se concentrou na resposta da empresa: “Como deixei claro, nós prometemos fazer todo o possível para chegar ao fundo das transgressões anteriores, visando nos colocar no caminho correto no futuro. Esse processo está em andamento. As práticas descritas por Sue Akers no inquérito Leveson são coisas do passado, que não mais existem no ‘The Sun’. Nós já saímos disso uma empresa mais forte”. Nas últimas semanas, vários importantes jornalistas do “The Sun” foram presos por suspeita de realização de pagamentos ilegais a autoridades, e Akers disse que as atividades foram praticadas pelos “jornalistas presos”. Akers disse que os pagamentos do “The Sun” foram muito além do almoço ou jantar ocasional, com uma autoridade recebendo mais de US$ 125 mil ao longo de vários anos, e um único jornalista tendo recebido mais de US$ 238 mil em dinheiro para pagar suas fontes, incluindo autoridades do governo. Ficou claro pelas referências nos e-mails –de funcionários do jornal “correndo risco de perderem sua pensão ou emprego” e à necessidade de “disfarçar”, como efetuar os pagamentos em segredo ou fazer o pagamento a amigos ou parentes das autoridades– que os jornalistas em questão sabiam que os pagamentos eram ilegais, disse Akers. “Foram criados sistemas para facilitar esses pagamentos, escondendo ao mesmo tempo a identidade das autoridades recebendo o dinheiro”, ela disse. “Os e-mails indicam que os pagamentos para as ‘fontes’ eram discutidos abertamente dentro do ‘The Sun’, com a categoria da autoridade pública sendo identificada, em vez da identidade do indivíduo.” Ela acrescentou: “Alguns dos e-mails iniciais revelam, após investigação detalhada, pagamentos múltiplos de milhares de libras para indivíduos. Também há menção em alguns e-mails de autoridades públicas sendo colocadas em ‘retenção’, uma linha da investigação que ainda está em andamento”. Nenhum dos jornalistas foi formalmente acusado. Inicialmente, eles foram suspensos pelo “The Sun”, aguardando o resultado da investigação. Mas em uma medida ousada neste mês, Murdoch foi para Londres, reintegrou todos os funcionários suspensos do “The Sun” e disse que a News International, a divisão dos jornais britânicos de sua empresa, a News Corp., pagaria todas suas despesas legais. Ele também anunciou planos para publicação do novo jornal dominical para substituir “The News of the World”, que foi fechado em julho quando ficou claro que tinha interceptado de forma rotineira e ilegal o correio de voz de celebridades, esportistas, políticos e vítimas de crime como forma de obter histórias. Após a primeira edição do “The Sun on Sunday”, Murdoch declarou em uma mensagem no Twitter que ele vendeu cerca de 3 milhões de exemplares. As revelações danosas na segunda-feira não se limitaram ao “The Sun”, mas se estendiam ao “The News of the World”. Segundo um advogado do inquérito Leveson, Rebekah Brooks, a ex-presidente-executiva da News International, foi informada explicitamente pela polícia em 2006 que pelo menos 100 pessoas, incluindo políticos e esportistas, tiveram seus telefones grampeados por um investigador particular trabalhando para “The News of the World”. Detalhes da conversa de Brooks com a polícia foram revelados em um e-mail enviado em 11 de setembro de 2006, de um advogado da News International ao editor do “The News of the World”, Andy Coulson, disse o advogado à investigação. A revelação é muito significativa, porque responde uma das perguntas cruciais na investigação das interceptações de comunicações envolvendo os tabloides britânicos de Murdoch: quem sabia o que e quando. Até 2010, Brooks, Coulson, Crone e vários outros diretores da News International declararam repetidamente que os grampos telefônicos realizados pelo “The News of the World” se limitavam a um único “repórter trapaceiro” –o correspondente real, Clive Goodman, que foi preso juntamente com Mulcaire em 2007. Mas segundo o e-mail, Brooks foi informada que a lista de vítimas do trabalho de interceptação de Mulcaire incluía políticos, esportistas e celebridades –pessoas sobre as quais Goodman não escrevia. E ele disse que ela foi informada que, apesar dos investigadores da polícia não terem registros diretos de funcionários do “The News of the World” interceptando o correio de voz das vítimas, eles possuíam registros telefônicos mostrando que Mulcaire teve “contatos frequentes” com o “The News of the World” antes e depois dos acessos. Falando sobre a continuidade das investigações policiais, Akers disse: “Nós estamos mais próximos do início do que do fim dessas investigações e ainda restam várias pessoas de interesse. Elas incluem jornalistas e autoridades públicas”. Em ligação a uma investigação separada de grampos telefônicos por jornalistas britânicos, a cantora galesa Charlotte Church anunciou na segunda-feira que concordou em encerrar com um acordo seu processo contra a News International, por um pagamento de aproximadamente US$ 950 mil –muito mais do que a empresa pagou em acordos anteriores com vítimas de grampos telefônicos. O caso pode sinalizar que o litígio em torno dos grampos telefônicos poderá custar à empresa muito mais do que alguns analistas presumiam. Alan Cowell contribuiu com reportagem. Tradutor: George El Khouri Andolfato
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