Com apenas 16 anos, Juliano Leite Gatti, realiza o sonho de entrar para a universidade. O estudante passou no vestibular do Curso de Relações Internacionais, da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), e mesmo sem ter concluído o ensino médio, conseguiu fazer a matrícula. Além disso, conseguiu pontuação no Enem e em outras universidades, como a federal do Rio de Janeiro.
Juliano, que veio de escola pública, e sempre se esforçou para chegar onde está precisou entrar na Justiça para garantir seu direito à vaga, no tão sonhado curso. Ele conta que desde menino sabia o que queria fazer e no último dia 15 fez sua matrícula.
“Em outubro do ano passado fiz o Enem. Depois prestei vestibular na UFGD. Pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada) fui aprovado em quarto lugar na faculdade de letras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Aí no dia 15 de janeiro saiu o resultado da UFGD, fiquei em quarto pela cota de escola pública, e em 27° na geral”.
Com o resultado o adolescente saiu para comemorar. Os amigos disseram que ele deveria tentar cursar a faculdade, apesar de não ter concluído o ensino médio. “Uma amiga me enviou uma matéria pelo facebook da estudante Aline Gabriela Barbosa Pérez que entrou este ano na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) após conseguir liminar na Justiça”.
Juliano disse que no início não deu muita importância para a matéria, mas como todos estavam lhe falando a mesma coisa resolveu ir atrás da jovem e saber quais providências deveria tomar. “Fui me encontrei com a Aline e ela me deu todas as dicas eu conseguir também. Sem ela, com certeza, não teria conseguido”, diz humilde.
Orientado, foi ao Fórum procurou a Justiça e começou a dar andamento na documentação necessária. Foi à Secretaria de Educação (SED) pedir o certificado de conclusão do Ensino Médio, documento exigido para realizar a matricula na universidade, o que foi negado.
Diante da negativa, o advogado montou um processo com diversos documentos e laudos psicológico, psicopedagogo e pediu mandado de segurança no Tribunal de Justiça no dia 8 de fevereiro, dois dias depois saiu o resultado, concedendo a Juliano o direito de se matricular na faculdade.
O jovem é morador em Glória de Dourados. Apesar da pouca idade ela já trabalhou como tradutor e intérprete para a Polícia Civil da cidade. Juliano é fluente em inglês e espanhol.
Outro caso
A estudante Aline Gabriela Barbosa Pérez também conseguiu se matricular na UFMS após conseguir liminar na Justiça para freqüentar o curso de Zootecnia.
Aline fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2011, quando estava no segundo ano do ensino médio apenas como treineira, mas foi aprovada em 18º lugar no curso após inscrição no Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
Com o bom resultado, ela procurou a Defensoria Pública do Estado para entrar na faculdade. O pedido protocolado em 17 de janeiro, no período da manhã, já tinha parecer positivo no dia 18 à tarde.
“Foi super rápido. Entrei com o pedido num dia, no outro já havia saído o parecer positivo”.
| Arquivo pessoal Juliano |
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| Juliano (segundo à direita) comemora feito alcançado com alguns amigos |
A adolescente sempre estudou em escola pública e se preparava para cursar o terceiro ano do ensino médio na Escola Estadual Maria Constança de Barros Machado, em Campo Grande (MS). "Eu já estava um ano adiantada, agora vou ganhar dois anos. Estou muito animada e preparada para começar a faculdade", disse a menina, que completa 16 anos no dia 6 de fevereiro.