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04/02/2012 15:00

Parentes reclamam das dificuldades para visitar detentos no DF

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Agência Brasil/MA

A vida de quem tem um parente, marido ou amigo preso envolve uma série de sacrifícios. Muitas vezes a sensação é a de estar encarcerado como a pessoa que cumpre pena. A Agência Brasil ouviu relatos que mostram essa realidade: uma mulher que conta os dias para a visita, outra que sofre por não ter dinheiro para pagar a defesa do companheiro e uma avó que tenta conciliar a vida profissional com a assistência ao único neto, que está preso.

Histórias que se multiplicam e coincidem nas longas filas de espera dos dias de visitas no Complexo Penitenciário da Papuda no Distrito Federal (DF), localizado a 25 quilômetros de Brasília. Para a desempregada Cíntia Maria da Silva, de 28 anos, as visitas e o auxilio para presos deveriam ser mais fáceis.

Ela contou que precisa acordar na madrugada do dia anterior ao da visita para conseguir senha a fim de ter acesso ao presídio. “Estou aqui [visitando o marido] para fazer meu papel de esposa, deveria ser mais simples o contato com quem está preso, mesmo com as limitações que quem tem parente preso sabe que vai viver. A dificuldade que vivemos, tanto quem está lá dentro [preso] como quem está aqui fora é revoltante, acabamos sendo punidas também”, disse.

Para conseguir visitar o filho e o marido presos na Papuda, a desempregada Luciana Moura*, de 41 anos, também faz como Cíntia Maria: pega a senha de acesso ao presídio com um dia de antecedência. “Sempre pego a senha no dia anterior, chego de madrugada, por volta de 1 hora, para conseguir pegar as primeiras senhas e tentar ver os dois no mesmo dia. Moro na Estrutural [comunidade afastada do centro de Brasília] e pego dois ônibus para estar aqui às 5 horas”, disse.

“Visito meu esposo e meu filho. Como eles ficam em pavilhões diferentes, tenho que alternar as visitas”, completou. O marido da faxineira Maria da Silva*, de 28 anos, está preso há um ano e quatro meses, e a única forma de aproximar o filho, de 6 anos, do pai é levá-lo às visitas. “É muito complicado trazer crianças para visitas. [Sei] que é meio traumático para meu filho. Ele nunca entende o porquê de o pai estar preso e porque deve tirar a roupa para entrar no presídio. Mas não gosto de deixar que eles fiquem tanto tempo sem se ver. Meu filho sente muito a falta do pai. Essa é a única forma de matar um pouco da saudade”.

Para a faxineira, presos e parentes ainda enfrentam muito preconceito da sociedade. “Estou casada há oito anos e para visitar meu marido perco dois dias da semana. Trabalho por diárias e sempre separo a quarta e a quinta-feira para ir ao presídio. Às vezes, as pessoas querem [que eu faça faxina] nesses dias, e eu falo que já tenho compromisso. Nunca falo a verdade, pois o preconceito ainda é grande. Esses dias que não posso trabalhar compenso nos finais de semana”.

A secretária Emília Marques, de 54 anos, é avó de um detento e contou sobre as dificuldades e os constrangimentos para ver o neto que está preso há oito meses. “Para chegar aqui [à Papuda] é uma grande dificuldade. O que sentimos é o descaso das autoridades. Só tem uma linha de ônibus para cá e esse único ônibus vem abarrotado de gente. Pessoas de todas as cidades do Distrito Federal [DF] lotam o ônibus nas quartas e quintas- feiras”.

Emília mora em Ceilândia, localizada a 26 quilômetros do centro de Brasília. Ela cuida do neto desde que a mãe do rapaz foi morar em Fortaleza. Outra dificuldade para quem tem um parente preso é conseguir um defensor público para assistência jurídica. É o caso de Luciana de Souza* que há dez meses tenta conseguir um defensor para o marido preso. “Não tenho dinheiro para pagar advogado. Estamos dependendo da Defensoria Pública. Ainda não consegui um [defensor público] para meu esposo”.

No último relatório publicado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2009, o Complexo Peenitenciário da Papuda foi classificado em terceiro lugar entre os dez “melhores” presídios do país. Segundo a Subsecretária de Sistema Penitenciário (Sesipe), em todo o DF a estrutura penitenciária tem capacidade de receber 6.523 presos, mas atualmente abriga 10,3 mil encarcerados.

*Os nomes foram alterados a pedido das entrevistadas.



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