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Geral

26/01/2012 17:01

Para engenheiros, obra sem drenagem na Afonso Pena pode comprometer R$ 7 milhões

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Pio Redondo

“Ficou como as pernas de uma moça”, afirmou o governador Puccinelli, ao inaugurar o recapeamento da avenida Afonso Pena, em 10 de novembro de 2011. Fora o fato da comparação de gosto bastante duvidoso, a “moça” do governador poderá ter problemas sérios em sua “repaginada”.

Caso o problema venha a se expandir em outros pontos da avenida, a figura da “moça” vai até ser substituída pela imagem de “jacaré”, usada normalmente por engenheiros.

O asfalto trincado e afundado no buraco da confluência da avenida Afonso Pena com a rua Padre João Crippa, no centro, é conhecido no “idioma” dos engenheiros como “couro de jacaré”, como explicou um profissional consultado pela reportagem, sobre os problemas semelhantes ocorridos na Br-267/MS.

"Como a camada de asfalto é um pavimento flexível, não rígido como o concreto, qualquer defeito da base onde ela se apoia e sustenta compromete a pista de rolamento, aparecendo rachaduras, ondulações e o famoso "couro de jacaré", disse ele, que preferiu não se identificar porque ainda milita na profissão no estado".
 
E segundo declarações do engenheiro Gerson Silva, da Equipe Engenharia, publicadas no Midiamax, a empresa foi contratada para refazer apenas o asfalto da Afonso Pena.

"Tudo o que está por baixo é da drenagem antiga, que não foi refeita pela nossa empresa”, esclareceu ele.

A afirmação confirma o que falou o engenheiro que analisou a BR-267, projetada pelo Dnit, em convênio com o governo estadual, via secretaria de Obras Públicas, na época de Edson Giroto.

"Sempre é preciso fazer um estudo criterioso para evitar a presença de água na base, por penetração direta ou capilaridade, quando a umidade sobe. Uma boa drenagem é a solução", complementou o consultor.

A obra sem drenagem, ao custo de quase R$ 900 mil o km/recapeado não saiu barata. Foram gastos R$ 6.999.171,77 para recapear os 7,8 quilômetros.

Grandes rodovias federais, com serviços mais complexos, restauradas, tiveram preço menor, mesmo que se leve em conta a extensão dos trechos e a duração dos contratos.
Na BR-163, 108 km recuperados, restaurados e com manutenção incluída custaram R$ 35.4 milhões, ou R$ 328 mil/km.

Outro exemplo é a própria BR- 267: um dos lotes com 63 kms saiu por R$ 616 mil o km recuperado, restaurado e com manutenção.

Reportagem flagrou trabalho de empreiteira

A reportagem acompanhou o trabalho da Equipe Engenharia na Avenida Afonso Pena. A própria Agesul descreveu o serviço de recapeamento.

“O recapeamento se dá por fases: primeiro o asfalto é retirado, em seguida é feita a regularização da pista e por fim o recapeamento. A previsão é que a obra seja concluída em janeiro de 2012.”

Nada de drenagem, e nem retirada total do asfalto velho. Fotografias da reportagem mostram que a raspagem do asfalto velho foi feita em camada superficial.

Às vezes, pedaços de asfalto eram arrancados com equipamentos manuais dos operários. E a cobertura de asfalto lançada sobre buracos de terra batida. Em outras ocasiões, escavadeiras retiravam as partes mais comprometidas, que recebiam asfalto depois.

Equipe Engenharia tem obras milionárias em todo o MS

A empreiteira Equipe Engenharia é uma das mais antigas parceiras do governo Puccinelli em obras no estado.

Rodovias federais, como a BR-163, estradas estaduais e pavimentação em municípios geram para a empresa centenas de milhões de reais em obras.

Trechos de obras da BR-163 foram enquadrados no Fiscobras do TCU em 2010, por superfaturamento, sobrepreço e uso de materiais inadequados.

Em 2010, por intervenção do TCU, a empreiteira teve que reduzir a valor de obra em Campo Grande em R$ 1.253.658,22.

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Comentários (6)

27/01/2012 17:15
clarinda
Mariza agora você falou tudo , o governador e prefeito não tem interesse de fazer uma coisa eterna pois não enriquecem suas empreiteiras .....

27/01/2012 08:49
Carlos Eduardo
Se compararmos MS com o DF que é adm. pelo PTista Agnelo Queiróz, estamos no paraíso!

26/01/2012 22:29
IPA
Isso é só um exemplo do quanto a população é enganada! Até quando vão tampar o sol com a peneira. E o pior, é que o povo de Campo Grande, continua acreditando.

26/01/2012 21:34
NETO
hahaha sabe aonde foi que houve essa inovação de colar adesivo em coisa podre la no rosa pedrossian piso lindo do cti uti neo, e purai vai nao liga não ano eleitoreiro a população vai fazer a mesma burrada direto ao ponto, boa noite e boa sorte, sem esquecer da luiza que nem vira para cá!!!!!!

26/01/2012 21:28
marilza
É vantagem aos "donos" das empreiteiras fazer serviço porcaria para que seja sempre destruídas com chuvas e depois seja reconstruidas sem licitação como obra de emergencia. As imagens deveriam ser mostradas junto com os carnês do IPTU , para o povo ver onde vai o dinheiro de nossos impostos.

26/01/2012 17:27
Mario Hada
Sem entrar no mérito da qualidade do serviço, acho que quando se comparam valores dos serviços deveria ser a do metro quadrado e não km linear, porque cada rodovia ou logradouro tem larguras diferente. Lembrar que a Av. Afonso Pena são duas pistas.

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