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Geral

18/11/2011 12:55

Líder indígena Nizio Gomes é assassinado em área retomada depois de TAC entre Ministério Público Federal e a Funai

Aumentar texto Diminuir texto

Pio Redondo e Alan de F. Brito

Nizio Gomes, líder indígena de aldeia de Amambai, sul do Estado, foi assassinado na manhã desta sexta-feira (18), por voltas das 6 horas, no Tekoha Guaiviry, recentemente retomada pelos Guarani-Kaiowá, que estavam assentados na beira da BR-386, que liga Ponta Porã à cidade de Amambai.

Segundo informações repassadas, às pressas, pelo filho da liderança assassinada, Valmir Gomes, um grupo de homens armados chegou à área, em uma caminhonete, e três deles, trajados com uniforme militar, efetuaram os disparos fatais diretamente contra Nizio Gomes – que liderou a retomada da área à cerca de 15 dias. Segundo informações, diversos tiros atingiram a cabeça, o peito, braços e pernas do indígena.

As mesmas informações dão conta de que os tiros também atingiram uma mulher e uma criança, que morreram na hora. Depois do assassinato, segundo Valmir, os corpos das vítimas foram recolhidos pelos assassinos, e foram levados em uma caminhonete para local ainda desconhecido. Lideranças indígenas suspeitam que os corpos possam ter sido levados para o Paraguai, o que dificultaria o reconhecimento.

Os indígenas guarani-kaiowá realizaram o Aty Guaçu, grande reunião de lideranças da etnia, na quarta-feira (16) um ato de solidariedade ao grupo de Guaiviry. Segundo informações, depois da visita ao local, o ônibus dos indígenas foi retido por fazendeiros armados, sendo liberado após várias horas de negociação com os indígenas.

FUNAI de Ponta Porã, responsável pelos indígenas da região de fronteira, enviou funcionários para o local e deve se pronunciar oficialmente sobre o assassinato ainda nesta tarde.

A área em disputa faz parte de um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) assinado em Brasília, diretamente pelo Ministério Público Federal e a Funai e todas as lideranças indígenas da região, em novembro de 2007.

O TAC prevê a retomada dos “Tekoha”, a área tradicional originária de cerca de 39 comunidades indígenas, expulsas da terra, remotamente, por fazendeiros que ocuparam a área.

Segundo lideranças indígenas que estão rumando para a região, às fazendas são a Ouro Verde Chimarrão, Querência e Nativa.

 

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Comentários (7)

18/11/2011 23:18
everton de souza
Não existe profissão mais covarde, do que, a de pistoleiros, se acham machos, mas, sempre matam à traição, em bando ou pessoas desprevinidas...a pena pra eles deveria ser prisãom perpetua.

18/11/2011 17:12
Cristina
Se o único empecilho para a devolução das terras ´para os índios fosse, realmente, a indenização dos proprietários de boa-fé pela terra nua, esses fazendeiros não cometeriam esse atentado às vésperas de aprovarem o projeto que preve a indenização. Ou não são proprietários de boa fé ou querem mais do que dinheiro, querem sangue!

18/11/2011 15:31
Carlos Amaral de Andrade
Mas isso é só o começo, infelizmente. Começaram a mexer com terras, ditas indígenas, apenas para se ganhar votos. Ninguém vai entregar terra há décadas em seu nome, só porque um papel e um monte de "entendidos" assim decidiram. A Funai e o MPF são fazem a menor idéia do tamanho do vespeiro que resolveram cutucar.

18/11/2011 13:39
Roberto Carlos de Oliveira
Até aonde vai esta impunidade? Até aonde este governo do MS (os três poderes) vai levar esta impunidade ao latifúndio? Até quando a nossa sociedade, atarefadas com as suas compras natalinas e seus problemas urbanos, vai ignorar as manchas do sangue de nossos irmãos em toda as terras sulmatogrossensse e também em nossas almas, sim, nós somos responsáveis também, quando nada fazemos para impedir!

18/11/2011 13:17
James Mascarenhas
Esta situação nos faz pensar mais uma vez o que as autoridades vão fazer a respeito? Nada!!! Como sempre NADA fizeram. O Governador joga pro Governo Federal e o Governo Federal joga os índios pros fazendeiros... Bando de irresponsáveis... E a matança continua... Deus tenha piedade de nós..

18/11/2011 13:14
antonia maria dos Santos Costa
Ninguém vai postar aqui calúnias e muito menos difamações. São constatações da violência e da imobilidade desse governo em permitir atrocidades como esta em nosso estado. Fica aqui a minha grande indignação e o desejo de que, Deus em sua extrema misericórdia "cirrija" adequadamente esses assassinos. Infelizmente, a justiça não está do lado dos mais fracos, está a serviço desses latifundiários do m

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