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11/03/2008 12:04

Jerônymo continua a vistoriar obra; presos querem trabalho

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Jacqueline Lopes


A construção dos três alojamentos na Colônia Penal Agrícola, na saída para Aquidauana, em Campo Grande, já dura cerca de um mês. O secretário de Governo, Osmar Jerônymo, dispensou nesta manhã a presença dos policiais da Cigcoe (Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais), a chamado Tropa de Choque, após o governador André Puccinelli (PMDB) deixar o local.

Nesta manhã, Puccinelli fez a primeira visita à unidade prisional de regime semi-aberto. “Pode dispensar a Tropa de Choque porque eu estou aqui todas as semanas acompanhando a obra e não quero o Choque aqui não”, diz Jerônymo.

A presença do CIGCOE gera animosidade por parte da massa carcerária. São 600 internos e 70 que trabalham na obra e ganham a remissão de pena. A cada três dias de trabalho, o detento consegue abater um a menos de sua pena.

É unânime entre a massa carcerária o pedido para que o Estado seja a ponte para o ingresso e a volta ao mercado de trabalho. 

Panorama

Tijolos sendo assentados, reboco colocado, enfim, a estrutura dos três novos dormitórios já ganha forma em um mês de trabalho. Para os detentos envolvidos na obra, o benefício da remissão de pena mais a preocupação com quem depende deles para viver.

 “A gente fica de cabeça quente de saber que na casa da gente tem mulher e filho que precisam de ajuda. Precisava ter trabalho para a gente poder ajudar a família necessitada”, diz ao Midiamax o detento, pedreiro Manoel Severino Cruz, de 45 anos.

Ele tem cinco filhos e a mulher trabalha como doméstica para garantir o sustento da família enquanto espera que ele volte para casa.

Dentro do único dormitório da Colônia Penal, onde camas beliches são usadas como varal num local úmido, frio e fétido, o governador cercado por policiais entra rapidamente acompanhado pelo secretário da pasta de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini. “Qual o seu nome? Por que você está aqui?”, foram as perguntas do chefe do Executivo estadual para alguns dos presos que ali estavam.

Diante da resposta de um dos detentos dizendo que tem 25 anos e cumpre pena por tráfico, o diretor da Agepen (Agência Estadual de Administração dos Estabelecimentos Penitenciários), coronel da PM (Polícia Militar) Hilton Vilassanti, disse ao governador: “a metade dos presos tem 25 anos”. “Que Deus o acompanhe”, finaliza rapidamente o diálogo de Puccinelli com o detento. O governador deixa o local com pressa.

“Foi bom ele ver a nossa realidade”, disse um dos detentos à reportagem que foi retirada do local pela equipe de segurança. “É perigoso vocês ficarem ai sozinhos”, justifica um dos policiais”.

Mato Grosso do Sul é dona de uma população carcerária de 11 mil detentos, 40% deles cumprem pena na Capital. “O principal crime é o tráfico, claro. Estamos na fronteira”, diz o diretor da Agepen.

“Limpeza”

Dentro do possível, a massa carcerária “fez uma limpeza” no local para esperar a visita ilustre. Todos os presos estavam de camisa e bermuda, embora as roupas estavam espalhadas pelas beliches e varais, a situação era mais “arrumada” que a registrada pela imprensa nas últimas vezes, quando lixo e sujeira tomavam conta do local.

“Vou continuar vindo aqui”, finaliza o secretário de Governo.

Puccinelli e Jacini voaram até a Base Aérea de Campo Grande no helicóptero do narcotraficante colombiano Juan Carlos Abadia, que agora pertence ao patrimônio estadual.

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