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Com depoimentos preciosos, documentário celebra 50 anos do Grupo Acaba

Lançamento e exibição ocorrem neste sábado (30), no Palácio popular da Cultura

Quanto de história cabe em 50 anos de trajetória artística? Para a Associação dos Compositores Autônomos do Bairro Amambai - o grupo ACABA - certamente não haveria tempo capaz de reproduzir com justiça e fidelidade cada um dos causos que ocorreram em cinco décadas de estrada. Mas, na proposta do cineasta Fábio Flecha, em 70 minutos foi possível construir uma narrativa que, além de celebrar a longevidade de um dos grupos mais icônicos do Estado, proporciona melhor compreensão das composições que marcam os sul-mato-grossenses.

Isso porque dois personagens ganham importância na história e dão mais sentido às regerências regionais presentes em composições do grupo - a estrada de ferro Noroeste do Brasil (Nob) e o Fernando Vieira, embarcação que fazia o transporte de ribeirinhos no Rio Paraguai. Assim, o documentário responde com sensibilidade a perguntas triviais, como 'de onde vim' e 'para onde vou'.

Fabio Fecha durante captação das imagens do documentário (Foto - Divugação/Render Brasil)

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Esta é uma descrição possível do documentário '50 Anos Grupo ACABA', com direção de Flecha, produção de Tania Sozza (ambos da Render BRasil) e patrocínio da Energisa, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Iniciado em 2015, a partir do convite de Moacir Lacerda, um dos integrantes do Acaba, o documentário vive seu apogeu nesta sábado (30), ocasião em que será lançado e exibido publicamente pela primeira vez, no Palácio Popular da Cultura, logo mais, às 19h.

Segundo Flecha, o documentário traz informações preciosas sobre o grupo, mas também promove um olhar mais sensível sobre a trajetória do grupo. "Fizemos planejamento que começou com a captação de depoimentos dos próprios integrantes do grupo. Mas, já tinhamos uma ideia de roteiro e a previsão de que voltaríamos a Porto Esperança, no Pantanal. E chegando lá houve essa grande descoberta, de que os transportes eram pontos em comum entre a maioria dos depoimentos", destaca o diretor.

Com base nisso, a história foi construída e costurada. "Nós tivemos preocupação de abordar o passado, de saber como eles se sentem desde quando moravam na beira do Rio Paraguai até hoje. E nesse contexto estamos falando do pantaneiro ribeirinho, que é diferente de quem lida com fazenda, por exemplo. Muitos deles viviam em condição de subsistência", aponta.

É nesse ponto que a história dos 40 anos de Mato Grosso do Sul se confunde com a do grupo. "A gente aborda, em Porto Esperança, a questão do abandono da Nob, que foi depredadada. Era um local onde moravam 2 mil pessoas e hoje é bem diferente. Acho que o documentário provoca essa reflexão. Muitas letras das músicas também vão fazer mais sentido depois dos depoimentos, nos quais eles contextualizam melhor a razão que a musica surgiu. 'Fernando Vieira' é uma delas", descreve Flecha.

Bairro Amabaí e homenagens

O primeiro bairro de Campo Grande também ganha espaço no documentário que conta a história do grupo, já que foi no Amambai que o Acaba surgiu. "Isso convergiu no depoimento de todo mundo, porque o bairro Amambaí vivia cheio de artistas", aponta.

(Foto - Divugação/Render Brasil)

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A produção também traz homenagens, dentre elas, a Zezinho, compositor do grupo falecido ano passado, e à professora Maria da Glória Sá Rosa, uma grande incentivadora do Acaba, que também faleceu em 2016. O documentário também traz depoimentos de Paulo Simões, Jerry Espíndola, Guga Borba, Alex Fraga, Oscar Rocha, Celito Espíndola, Marcelo Loureiro, Zégeral, Rodrigo Teixeira, Miska Tomé Maestro, Nillo Cunha e vários outros.

Serviço: Lançamento do Filme Documentário '50 Anos Grupo Acaba Canta Dores do Pantanal', no dia 30 de setembro as 19h no Palácio Popular da Cultura. A entrada é gratuita, mas os ingressos, distribuídos no local com antecedência, são limitados.

Ficha técnica

Direção/Roteiro: Fábio Flecha
Produção Executiva: Tania Sozza
Direção de Fotografia: Waldeck Souza
Som Direto: Rodrigo Miranda
Assistente de produção: Marco Aurélio (Kão), Katu Franco
Edição: Fábio Flecha
Assist. Edição: Filipe Gonçalves
Videografismo: Flávio Sobreira
Gênero: Documentário
Duração: 70 minutos Classificação: Livre
Produtora: RENDER BRASIL PRODUÇÕES

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