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Conhecemos o primeiro sul-mato-grossense e ele tem uma história sensacional

Carlos Adriano prova por 'A + B' que é o primeiro sul-mato-grossense

  • A família do 'Primeiro' sul-mato-grossense de registro (Arquivo pessoal)
  • Carlos Adriano foi considerado 'Garoto-símbolo' de MS (Arquivo pessoal)
  • Carlos Adriano foi considerado 'Garoto-símbolo' de MS (Arquivo pessoal)

Mato Grosso do Sul é uma terra de muitos filhos. Mas um deles, o barbeiro Carlos Adriano Gonçalves da Silva, 40 anos, é definitivamente o primogênito: Adriano foi o primeiro bebê a nascer no Estado após a assinatura, pelas mãos do então presidente Ernesto Geisel, do decreto que criou Mato Grosso do Sul, em 11 de outubro de 1977, poucos minutos após o meio dia.

É por isso que a matéria publicada pelo Jornal Midiamax sobre uma das prováveis primeiras sul-mato-grossenses causou certo incômodo tanto a Adriano como a seus amigos e familiares. "Eu entendi a lógica dela. Ela realmente nasceu primeiro que eu, mas o primeiro sul-mato-grossense sou eu, porque fui o primeiro a nascer depois que o presidente assinou o papel. Eu passei a minha vida inteira atendendo jornalista pra falar sobre isso, você não tem ideia", explica Adriano, que é filho de dona Ivanete Gonçalves da Silva e de seu Haroldo Gonçalves da Silva.

Passamos a compreender mais a situação depois de receber dezenas de imagens de jornais da época. E de fato, a imprensa sul-mato-grossense de 40 anos atrás aponta Adriano como o 'primogênito'.

Dona Ivonete e Carlos Adriano teve o rosto estampado nos jornais da época (Arquivo pessoal)

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Conta a história que o avião que trouxe o presidente Ernesto Geisel para Campo Grande chegou por volta das 10h40min. Ao meio dia, o decreto-lei foi devidamente assinado e a cidade ganhou clima de final de Copa do Mundo. Houve passeatas pelas ruas e pessoas ficaram histéricas comemorando a criação de Mato Grosso do Sul.

Do lado de fora da maternidade, a expectativa pelo nascimento do primeiro sul-mato-grossense 'no registro' também foi festivo. Seu nascimento foi celebrado, esperado e de certa forma 'canonizado'. Teve cobertura em tempo real pela TV e até escola de samba do lado de fora da maternidade.

"É sério! Os jornais contam isso tudo. Minha mãe até me fala que primeiro eu quase nasci no táxi. Segundo que queriam porque queriam filmar o parto, mas o médico não permitiu. E terceiro, tinha uma escola de samba do lado de fora da maternidade que fez festa quando o médico mandou avisar que eu tinha nascido", conta Adriano, às gargalhadas.

De fato, os recortes de jornais comprovam a história que ja foi muito explorada pela mídia local. "Eles me chamavam de Carlinhos. Imagina só, me elegeram uma espécie de 'bebê-símbolo', 'criança-símbolo' do Estado. Me prometeram escola, plano de saúde, oportunidade... No fim das contas foi minha mãe segurando tudo sozinha, mesmo", brinca o barbeiro.

Carlos Adriano mostra o recorte do jornal de 40 anos atrás (Arquivo pessoal)

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'Primeiro'

Casado e pai de dois filhos, de 15 e 9 anos, Adriano cresceu sendo uma espécie de celebridade do bairro que viu crescer, literalmente. "Moro aqui no Aero Rancho desde sempre e eu era conhecido como o 'Primeiro'. Todo mundo me chamava assim, na escola, na rua, na família. Até hoje quando tô andando alguém fala 'ô, Primeiro', eu sei que é comigo", conta.

E sempre que se aproximava o aniversário da criação de MS, o assédio da mídia retornava. "Era justamente por conta das promessas. Então eu acho que talvez os jornais fossem contra o governo, na época, porque sempre me procuravam para mostrar que o 'menino-símbolo de MS' tinha sido abandonado. Mas, no geral, era muito legal. Ficava todo mundo esperando porque sabia que naquela semana teria acontecimento, teria festa, minha mãe nunca deixava passar em branco.

Agora quarentão, Carlos Adriano foi considerado 'criança-símbolo' de MS (Arquivo pessoal)

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Muito tempo depois, já adulto, Adriano voltou a mídia, mas sem muita relação com o posto de primogênito. "Eu fui cavaquinista da banda Raízes do Samba, e até teve matéria que fez por esse gancho. Hoje atuo como barbeiro e nunca mais me procuraram, acho que esqueceram mesmo do 'menino-símbolo'", brinca o 'Primeiro'.

Adriano finaliza afirmando que tem muito orgulho de ter nascido no dia da criação do Estado. "Isso é muito marcante pra mim, uma data tão importante, né? Nem precisava ter sido o primeiro para me orgulhar dessa data. Mas que fui o Primeiro, ah, eu fui...", conclui.

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