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Artistas cobram pagamento de edital de economia criativa com 1 ano de atraso

Lançamento foi realizado em agosto de 2016

Um grupo de artistas cobra do governo o pagamento de edital no valor de R$ 200 mil, com atraso de cerca de 1 ano. Com 11 aprovados, foi realizada chamada com seleção pública de propostas para apoio a empreendedores de economia criativa de Mato Grosso do Sul, no dia 4 de agosto de 2016. Na época, a Sectei, agora Secc (Secretaria de Estado de Cultura e Cidadania) contemplou projetos de memória, teatro, música, oficina de viola, viola de cocho e outros. 

Segundo o diretor teatral Nill Amaral, contemplado com o projeto "OFIT 2016: Diálogos Cênicos e Ações em Redes Criativas", previsto para receber R$ 50 mil, o atraso dificulta o cronograma das ações e dificulta o trabalho dos artistas. "Foram realizadas diversas reuniões, pediram para abrirmos as contas e todos os proponentes abriram para fazer um chamamento de convênio mas nada mais foi feito. Com a falta do pagamento, não conseguimos realizar os cronogramas", afirma. Segundo ele, a peça "Três Vírgula Quatro Graus na Escala Richter", apresentada pelo seu projeto, perdeu três datas para se apresentar pelo Sesc em Campo Grande e também em Minas Gerais. 

Com isso, o trabalho de muitos artistas, já consolidado, passa por dificuldades técnicas, de ampliação e de geração de novos empregos e oportunidades, que justamente era o foco do edital batizado de "economia criativa". "Foi o primeiro com esse nome, primeiro projeto onde criaram essa pauta da economia criativa, e nunca saiu. Estamos desesperados", diz a contadora de histórias Fernanda Souza Reverdito, do espaço Casa da Memória Raída, no município de Bonito. Outras cidades como Amambai, também foram contempladas no edital.  

O projeto de Fernanda se relaciona com a contação de histórias e é chamado de "Museu Bonito". "Nosso projeto estava inscrito para data show, figurino, para poder fomentar o trabalho de arte já feito com escolas e turistas", descreve. "Museu Bonito" receberia uma verba de R$ 20 mil para a continuidade do trabalho. "A resposta que temos é 'estamos tentando'", resume. 

Crise econômica

Segundo Ricardo Maia, superintendente de cultura e assessor do FIC (Fundo de Investimentos Culturais), os questionamentos dos artistas não ficaram sem resposta, e que, por uma questão de crise econômica, este edital está atrasado, mas a expectativa é que seja pago ainda em 2017. "Estamos no processo de fazer o empenho, e por conta disso, de depender da liberação do orçamento, ainda não temos data certa", analisa. "A questão é que a crise financeira está dificultando para todo mundo, mas temos o dever moral de pagar. Quando for feito esse repasse, os selecionados vão ter um prazo regular para atender o edital", indica.

Maia diz também que houve um atraso burocrático em decorrência da mudança de Sectei para Secc. "Tivemos que republicar tudo mas estamos procurando regularizar o processo, é uma luta nossa. Nós entendemos, mas é uma circunstância que precisamos enfrentar", enfatiza. 

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