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Condenado 8 anos atrás por morte de Dudu já se prepara para semiaberto

Detento deve passar por perícia, ainda neste mês

​Com a progressão do regime fechado para o semiaberto prevista para agosto, o detento José Aparecido Bispo da Silva, condenado em 2009 por mandar matar Luiz Eduardo Martins Gonçalves, o Dudu, já está com exame pericial marcado. O júri que condenou o aposentado a 26 anos de prisão foi marcado como um dos mais polêmicos registrados em Campo Grande.

O crime ocorreu no dia 22 de dezembro de 2007, mas só foi solucionado em 2009, depois de depoimento dos próprios vizinhos e de um adolescente.  O espancamento ocorreu em um matagal conhecido como “Cemitério dos Cachorros”, no Jardim das Hortências. O inquérito teve duas linhas de investigação, a primeira de que Aparecido quis se vingar da mãe do garoto, sua ex-namorada e a segunda de que a criança devia dinheiro de droga a um adolescente ligado ao réu. 

Dudu teria sido morto por Holly Lee de Souza, também preso, e outros três adolescentes.

Manifestação do MPE (Ministério Publico Estadual), por meio da promotora de Justiça Paula Volpe, reconhece a conduta do sentenciado classificada como ótima e que (o art. 12, da LEP, dada pela Lei n. 10.792/2003) progressão se assegura apenas com a apresentação de um atestado  ou parecer  do diretor do estabelecimento penitenciário, mas

“[...] se faz necessária análise mais acurada do comportamento do sentenciado levando em consideração a gravidade do crime (homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver) em desfavor de uma criança de dez anos de idade), a fim de se apurar um juízo sobre a sua capacidade provável de adaptação ao regime menos restritivo”.

Não há informações sobre a realização do exame, que no processo estava marcado para o último dia 6 de julho, mas a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça informou ao Jornal midiamax, que a perícia tem o prazo de 30 dias para realizá-lo.

Cálculo de pena

Conforme a ficha do réu, mais de oito anos de prisão já foram cumpridos, além de mais de dois anos remidos, por conta do trabalho no presídio, restando, de acordo com o cálculo de pena, 15 anos e nove meses da sentença. Assim como a progressão de regime, o livramento condicional também já tem data para ocorrer, 30 de julho de 2024.

Na época, a Promotoria usou como embasamento o inquérito da delegada da Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Adolescência, Infância e Juventude), Maria de Lourdes.  Já a defesa se apegou ao fato do Instituto de Criminalística não ter conseguido através do exame de DNA confirmar se a ossada carbonizada era mesmo do menino Dudu.

O réu negou a participação no crime, mas testemunhas detalharam à Justiça como e por que ele mandou matar a criança, que foi assassinada a pancadas, enterrada e incendiada.

Caso

Dudu sumiu de sua casa, no Jardim das Hortências, onde morava com irmãos e o pai, o vendedor de salgados, Roberto Gonçalves. Desde o início Bispo Gonçalves foi apontado como principal responsável pelo crime.

Sem pistas do paradeiro da criança, o caso só voltou à tona depois que um adolescente comentou na Unei que havia participado do crime e levou a polícia até o local onde o corpo foi enterrado.

Ainda conforme inquérito, cada envolvido teria recebido o valor de R$ 100, pagos por Aparecidos. A cena do espancamento teria sido vista por uma das vizinhas, que só contou a verdade quando a Polícia já havia esclarecido. Segundo ela, Cido a ameaçava.

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