'O mundo está evoluindo, as mulheres estão tomando seu lugar', diz cineasta Tizuka Yamazaki

Por Daiane Libero | Fotos: Gerson Walber/Assessoria OAB

A cineasta Tizuka Yamazaki, um dos grandes nomes do cinema brasileiro atual, veio à Campo Grande esta semana, para participar de uma mesa de debates na OAB-MS (Ordem dos Advogados Seccional Mato Grosso do Sul), onde falou sobre censura. Tizuka tem 68 anos, nasceu em Porto Alegre, e já trabalhou com Glauber Rocha e Hugo Carvana, mas sua obra mais conhecida é o filme "Lua de Cristal", com Xuxa, um filme que não somente arrecadou bilheteria impressionante, como é lembrado por muitos "baixinhos" com imenso carinho. 

Tizuka é uma artista de poucas palavras, e gosta principalmente de falar sobre seus filmes. Está com um projeto engatilhado atualmente, o filme "Encantados", que ela pretende lançar em breve. Ela já dirigiu séries e telenovelas como "As Brasileiras" e "Metamorphoses", além de vários outros filmes, e diz que ama filmar. Nesta entrevista, ela também fala sobre mais mulheres incluídas no audiovisual e sobre seus projetos. Confira. 

"Lua de Cristal" é de 1990, e fez um imenso sucesso entre as crianças. Você também gravou outros filmes com a Xuxa, como "Feiurinha". A estética do cinema infantil mudou? Como você pensa nessa estética quando vai filmar determinado segmento?

Eu quando vou fazer um filme eu tento me entender com a temática que eu estou abordando e para quem é que eu estou fazendo, e a estética vem à reboque disso. Não posso fazer um filme de sombras quando vou falar da Xuxa, e não posso fazer algo claro demais quando for um suspense. Eu acho que a estética está vinculada ao tema que está sendo abordada e nem tanta à autoria do diretor, a não ser que o cara esteja totalmente ignorante ao tema. Eu faço questão de saber para quem estou fazendo. Se de repente aparecer um projeto infantil vou me atualizar e estudar em função do trabalho. 

Qual a sua opinião sobre a inclusão, cada vez mais, de mulheres no cinema para além de serem atrizes? Hoje existem assistentes, diretoras, produtoras. Acha importante essa representatividade?

O mundo está evoluindo, as mulheres estão tomando seu lugar, essa metade que cabe, que tem direito, e acho que cada vez mais vão aparecer cineastas, técnicas de cinema, mais temáticas femininas ligadas ao universo da mulher. Acho que isso é um caminho natural. E o bom de hoje é que você tem um leque enorme de temáticas, estilos, que você como espectador. Houve épocas, não muito tempo atrás, que você não tinha muita opção, mas hoje há uma democracia maior de temas e estilos à disposição do público, e isso é fantástico. Acho que não tem volta, faz parte da mulher descobrindo que existem outras possibilidades. Para o homem que foi conquistando tudo aos poucos é natural, e a mulher está descobrindo agora que pode tudo. Antes desconhecia, não tinha. Então hoje é muito mais interessante ser mulher do que ser homem. São mais descobertas. 

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Você já filmou vários tipos de formatos como séries, minisséries, episódios, filmes, longas, curtas, novelas. Qual seu preferido?

Eu gosto de mudar muito. Acabei de fazer um documentário chamado "1817 - A Revolução Esquecida", que é sobre a revolução que aconteceu lá no Recife, uma história de amor linda no meio da revolução, e a gente fez num formato de docdrama, foi divertidissimo fazer, adorei. Então eu acho que cada filme é uma linguagem diferente, cada filme é uma descoberta. Eu gosto de filmar qualquer coisa. 

Quais seus projetos atuais?

Eu vou lançar em breve um filme chamado 'Encantados', que é a história de uma pajé indígena. Essa temática sempre está cercando os meus trabalhos. Não é um filme infantil, é adulto mas pega bastante adolescente. 

 

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