Para terapeuta, um 'ano de realizações' depende de definição de metas e foco na execução de projetos

Por Daiane Líbero e Guilherme Cavalcante

Ter controle sobre os rumos da própria vida é um desafio comum da atualidade, na qual o ser humano é submetido a condições estressantes de trabalho e bombardeado o tempo inteiro com informações - a maioria delas inútil. Neste contexto, numa espécie de fuga da realidade, não é de se espantar que muitos terceirizem suas emoções e responsabilizem terceiros pelos infortúnios que lhe ocorrem. Não que tudo possa efetivamente estar sob nosso controle, mas é que muitos dos problemas que atualmente enfrentamos podem ser contornáveis se pararmos de responsabilizar terceiros. É o que aponta o terapeuta, coach e palestrante Otávio Reis, que há mais de 15 anos atua com técnicas de autoconhecimento, bem estar físico e emocional. Criador do 'Programa de Transformação Existencial Sistêmica', o terapeuta concedeu entrevista ao Jornal Midiamax, na qual fala sobre o método que desenvolveu e dá dicas para estabelecer e aprimorar relacionamentos interpessoais, assim como por em prática as metas para 2017. Confira!

 

O ritmo acelerado da atualidade agem sobre o ser humano de forma muito específica. Quais são as consequências disso e como costumamos lidar com essa realidade?

Vivemos hoje num mundo muito dinâmico em que somos bombardeados diariamente com muita informação. São muitos estímulos externos e muitas cobranças que fazem com que nossa atenção seja toda voltada para fora numa tentativa de encaixarmos aos padrões. Assim vamos perdendo e, sem perceber, vão aparecendo vários incômodos, angústias e outros pesos emocionais que influenciam diretamente nossas atitudes e relações. Quando decidimos olhar pra nós mesmos, às vezes ficamos muito tempo fazendo análises racionais e buscando explicações que colocam nosso foco mais voltado para os problemas do que para as soluções. É aí que nos sentimos oprimidos pela realidade a nossa volta. Nosso foco é tão voltado para fora que achamos que para estarmos bem, o mundo ou os outros é que teriam que mudar. Frases como “se minha esposa fosse ‘assim’, eu seria mais feliz” ou “se meu chefe fosse mais tranquilo, eu seria mais feliz no trabalho” são muito comuns. 
Essas frases indicam que responsabilizamos muito os outros por nossa infelicidade e, dentro dessa dinâmica, continuamos tristes e submissos à realidade que nos cerca. 

O senhor representa uma proposta para combater esta realidade, que é o programa de transformação existencial sistêmica. Como ele funciona e pode ajudar as pessoas?

A técnica de transformação existencial, como o próprio nome indica, visa mudar a maneira com a qual lidamos conosco e, como consequência, com o mundo lá fora. Dessa forma, vamos trabalhando nosso equilíbrio e harmonia dentro de diferentes eixos de posicionamento, tais como: comportamento, relacionamentos, emocional, profissional e metas pessoais. É uma técnica sistêmica que traz resultados rápidos, palpáveis e construtivos. Não focamos a razão de ser de tudo. O foco é aprender a viver de maneira construtiva, com equilíbrio emocional, relacional e realização de metas. Para isso é necessário ressignificar os traumas do passado libertando o paciente de crenças limitantes e automatismos nocivos. Nesse processo, as mudanças na maneira de ser são mais importantes que as razões de ser, mas sempre respeitando a essência de cada um. Em cada sessão o paciente sai se sentindo melhor que quando chegou, pois ele mesmo toma consciência daquilo que precisa para se sentir bem. A pessoa se torna construtora consciente de sua própria realidade. A meta principal é ser feliz. As pessoas querem resultados rápidos e precisam de processos transformadores que sejam realizáveis e atinjam seus objetivos. Esse processo prático é feito através de sessões semanais de terapia com a duração de uma hora que misturam técnicas como neurociências, coaching, psicologia positiva e outras terapias com processos sistêmicos, quânticos e fenomenológicos. 

O ano de 2016 foi considerado difícil por muitas pessoas, e várias tiveram até certa pressa para que 2017 começasse logo. O que o senhor pensa sobre isso?

Podemos, por um lado, nos colocar como vítimas de nossa realidade externa e, por outro lado, nos ver como construtores de nossa realidade, nossa vida e nossas metas. São duas maneiras diferentes de enxergar as coisas que trazem consequências muito diferentes em nossas vidas. Não é o ano que é bom ou ruim. Somos nós que sabemos ou não aproveitar as oportunidades que ele nos oferece. Existem sempre diversas interpretações para uma situação ou contexto determinado. A escolha de uma determinada maneira de ver as coisas já indica vários aspectos e automatismos de nossa personalidade. Em 2016 houve tensões políticas, sociais e econômicas. Muitos escolheram enxergar somente uma grande crise e se submeterem passivamente a essa crise como vítimas. Crises podem também ser vistas como grandes oportunidades de mudanças e crescimento, mas para crescermos precisamos sair de nossa zona de conforto emocional. Queremos que as coisas mudem, mas nos recusamos a mudar. Como obter resultados diferentes se fazemos tudo igual? Várias pessoas ficaram ansiosas para mudar o ano. O ano mudou... E aí? A vida delas mudou? Com certeza não, se elas também não mudaram. Desejamos que o ano seja diferente, mas nós é que precisamos ser diferentes.  Se entrarmos em 2017 com os mesmos padrões mentais e atitudes que tivemos em 2016, teremos os mesmos resultados em 2017. Em resumo, quem tem de mudar somos nós, não é o ano. Quando focamos na construção, no positivo, no desenvolvimento, todos os anos podem nos trazer muitas coisas boas.

Quais atitudes as pessoas devem tomar para ter um bom ano, relacionadas ao seu comportamento no dia a dia, no trabalho e com a família?

Essa questão é bem interessante porque ela é bem abrangente. A noção de se ter um “bom ano” é relativa ao modo de vida de cada um. Antes de tudo, para se ter um bom relacionamento com o outro, é preciso aprendermos a nos relacionar conosco. Se eu não sei lidar comigo mesmo, acabo projetando no outro os meus incômodos e tendo dificuldades de relacionamento. A vida lá fora não muda se não mudarmos. A primeira atitude é se predispor a mudar, a se trabalhar, a melhorar. Uma pessoa que carrega muitas expectativas sem atitudes construtivas aumentará muito as chances de se frustrar se colocar o foco apenas no futuro, pois de maneira geral “um bom ano” pra ela é quando suas expectativas são atingidas. Ela tem muito mais chances de ter um bom ano quando o seu ano for uma sequência de “bons dias” construtivos. Não adianta focar no passado e nem no futuro. O foco tem de ser a construção no presente. É viver cada dia de maneira construtiva. É importante se trabalhar para mudar automatismos que temos que não são construtivos. É importante trabalhar os traumas e bloqueios do passado. Tirar o foco de problemas para colocá-lo na solução é essencial. Foco, meta e ação!

O coach e terapeuta Otávio Reis (Divulgação)

 

Como 2017 pode ser um bom ano para se desenvolver profissionalmente e pessoalmente? Como você recomenda que seja feito esse desenvolvimento?

Primeiramente, para se chegar a algum lugar precisamos saber onde estamos e para onde vamos. Feito isso, é necessário um planejamento das etapas para atingirmos nossos objetivos e quais as ferramentas e ações são necessárias. Se identificarmos bloqueios, sejam eles financeiros, físicos ou emocionais, é importante trabalhá-los de maneira a contorná-los. Mas planejamento sem execução não gera resultados. A atitude é primordial para a construção de algo. Do ponto de vista profissional, dois itens chave devem ser observados: 'Motivação' e 'Desenvolvimento pessoal e técnico'. Já do ponto de vista pessoal, além de observarmos os pontos que definimos em nossas metas, é essencial também observar como estes pontos afetam o equilíbrio das outras áreas de nossas vidas. Por exemplo, uma pessoa muito caseira e muito família não vai ficar bem se conseguir um emprego que tenha muitos deslocamentos fora de sua cidade. Um acompanhamento profissional também traz um novo olhar que nos permite acelerar nosso processo. 

Quais os benefícios para a saúde física, de um desenvolvimento mental e equilíbrio da mente?

As pessoas às vezes olham para diferentes aspectos de sua vida, como saúde, emocional, relacional, profissional e psicológico como se fossem gavetas separadas sem interligações. Mas tudo está interligado e um aspecto influencia os demais. O padrão mental de um indivíduo impacta diretamente sua motivação e, consequentemente, suas interações no mundo e a coerência de suas ações com seus objetivos. Uma pessoa desmotivada diminui sua produtividade e sua realização ou capacidade de concretizar seus objetivos. Dentro disso, parar de reclamar é a primeira coisa a se fazer. É importante se livrar dos pesos emocionais do passado para estarmos abertos a todas as possibilidades que a vida nos oferece. O padrão mental com pensamentos negativos e reclamações traz uma carga de stress ao corpo, o que acaba, por sua vez, liberando uma maior quantidade do hormônio cortisol. As consequências disso são: cansaço, desmotivação, ganho de peso, aumento da pressão arterial, colesterol, doença cardíaca, baixa do sistema imunológico, diminuição das capacidades de aprendizado e memória. E essas consequências servirão apenas para incrementar sua lista com novas reclamações. Percebemos que o padrão mental negativo não apenas impacta diretamente nossas ações, mas também nossa saúde física e emocional. 

O senhor também costuma falar sobre relacionamentos pessoais, e sobre cobrança entre as pessoas. Como manter-se equilibrado nos relacionamentos do dia a dia para 2017?

De maneira geral, todos querem ser amados, todos querem ser aceitos. Buscamos relações, sejam elas amorosas ou não, verdadeiras, construtivas e sinceras. Mas muitos vivem suas relações como se fossem jogos com cobranças, mentiras e expectativas. Coerência é a base de tudo. Não tem como eu colher cenouras se estou plantando repolhos. Gosto muito de uma citação que diz “não é o amor que mantem a relação, mas sim a maneira de se relacionar que sustenta o amor” (o entrevistado fornece algumas dicas para relacionamentos interpessoais, colocados ao final da entrevista).

Na opinião do senhor, adianta estabelecer metas para que o ano seja mais completo? O que você aconselha para que as pessoas realmente sigam e cumpram essas metas?

Imagine um bote no rio flutuando sem direção. Você não sabe pra onde ele está indo e nem em qual margem ele chegará. Isso é como viver sem metas e objetivos. Definir uma meta é definir uma direção para se caminhar. Para o período de um ano, muitas metas podem ser definidas. Primeiramente devem ser metas que você considere realizáveis. Definir metas impossíveis é apenas uma maneira de aumentar sua sensação de frustração. Assuma suas próprias responsabilidades e faça acontecer. Não se vitimize e nem fique esperando que os outros façam por você. Ultrapasse seus próprios limites e você se sentirá bem com você mesmo. Não fique paralisado de medo e nem fique esperando as coisas acontecerem sozinhas. Seja otimista e passe a ação. Estabelecer metas é importante, mas é preciso executar o planejamento também (o entrevistado também fornece dicas para traçar e realizar metas ao longo de 2017, que foram colocadas ao fim da entrevista).

Dicas para relações interpessoais em 2017

Por Otávio Reis

 

  1. Se você quer ter amigos verdadeiros, seja verdadeiramente um amigo. Tudo deve partir de você. 
  2. Evite falar mal ou criticar os outros se espera que elas gostem de você.
  3. Seja grato e tenha reconhecimento pelo que os outros fazem por você.
  4. Quanto mais interesse real você tem pela vida de seus amigos, mais interessante você será aos olhos deles.
  5. Sempre que você estiver errado, admita e, se necessário, peça desculpas.
  6. Evite cobranças nas relações. Cobranças geram incômodos enormes, pois o outro fica com a sensação de que ele não é aceito do jeito que é. Imagine que você cobre de um amigo que ele tome uma atitude por você. Do lado dele, ele se sentirá incomodado não se sentindo aceito como é. Do seu lado, se o seu amigo fizer o que cobrou, você pensará: “Só fez porque eu pedi”. Se ele não fizer, você pensará “nem pedindo, ele fez”.
  7. Evite jogos nas relações. Você chegou à conclusão de que não quer relações falsas. Você quer amizades de verdade, certo? Nesse caso, evite fazer joguinhos, mentiras e manipulações. Jogos fazem parte da guerra de egos, o que é completamente incompatível com a verdade. Não se colhe verdade plantando mentiras. Sinceridade gera confiança e lealdade. Quem ama não manipula e aceita o outro com suas qualidades e defeitos.
  8. Terapeuta da dicas para estabelecer e melhorar relações interpessoais (Foto - Divulgação)Evite as expectativas nas relações. A expectativa é uma cobrança disfarçada. Expectativas são a maior garantia de termos frustrações porque as coisas nunca acontecem da maneira que esperamos. Não podemos impor ao outro o peso de satisfazer às nossas expectativas. Toda relação se torna densa quando um deles acha que o outro precisa satisfazer suas expectativas. Faça o seu melhor e não espere que o outro faça o mesmo por você. Ele também estará fazendo o melhor dele, mas o melhor dele não necessariamente corresponde ao melhor que você esperaria dele.
  9. Seja simpático, leve e agradável com as pessoas. Que tipo de pessoa você gostaria de ter do seu lado como amigo. Um reclamador, grosseiro, desagradável? Com certeza não. Certamente queremos pessoas leves, simpáticas, acolhedoras e divertidas. Então, por que não ser essa pessoa? Seja esse tipo de pessoa e você atrairá pessoas semelhantes.

Algumas vezes temos automatismos que nos bloqueiam e nos impedem de seguir os conselhos acima. Nesse caso é preciso trabalhar os registros emocionais negativos do passado para que eles não atrapalhem e te faça avançar. 

 

Etapas para aumentar a concretização de objetivos

Por Otávio Reis

  1. Defina metas realizáveis e anote-as num papel.
  2. Defina quais metas são prioritárias sobre outras.
  3. Identifique possíveis limitações.
  4. Trabalhe seu desenvolvimento pessoal e crenças limitantes.
  5. Defina as etapas a serem seguidas para realiza-las (planejamento passo a passo).
  6. Responsabilize-se por você mesmo e seus projetos.

 

 
 

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