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Prodes, o programa que dá benefícios fiscais, patina em grandes investimentos

Investimento anunciado dez anos atrás ainda não ficaram prontos

Programa Econômico de Desenvolvimento Social, o conhecido Prodes, criado na década de 1990, na gestão do então prefeito André Puccinelli, do PMDB, para aquecer as finanças do município e gerar emprego, desandou e desalinhou de seu propósito de dez anos para cá. Projetos de milhões de reais anunciados com pompa por ex-gestões simplesmente ficaram no campo da ideia, sem sair efetivamente do escrito.

O Prodes, que surgiu para atrair investidores, oferta doação de terrenos e renuncias fiscais por período de até cinco anos, E o propósito dele é o de promover o desenvolvimento econômico, social, turístico, cultural e tecnológico do município.

Eis alguns empreendimentos que tiveram incentivos fiscais, recurso aplicado, mas até hoje nada fez pela econômica municipal.

Cidade dos Ônibus

Ideia inicial era a de criar um espaço capaz de abrigar estacionamentos num só lugar e lá ficar as empresas de transportes da cidade, incluindo as que exploram o transporte coletivo no município.

Pelo anunciado pela prefeitura, em 2011, seis anos atrás, a área de construção seria de 218 mil metros quadrados, lugar que iria atender 20 empresas de transporte rodoviário intermunicipal, estadual e internacional e o investimento aplicado seria de R$ 50 milhões. Mais que isso: 1,5 mil empregos seriam criados. O Prodes entraria com o terreno e ainda renunciaria a cobrança de impostos municipais por período de até cinco anos. O plano ainda não prosperou.

 

 

Porto Seco

Pensado em 2007, há uma década, o chamado Porto Seco, começou a ser construído para acomodar os transportes logísticos, como terrestres, ferroviários e hidroviários, num intermodal de cargas.

A obra, que já teria consumido em torno de R$ 23 milhões, foi suspensa, retomada, já teve data de conclusão, em setembro do ano passada, mas permanece empacada.

No início deste ano, novos diálogos políticos foram retomados e o prefeito da cidade Marquinhos Trad, do PSD, afirmou que recebeu apoio federal e prometeu tirar a ideia, de 2007, a sair do papel. O prefeito disse acreditar que este empreendimento deva gerar investimento de ao menos R$ 200 milhões. Quando vai funcionar o terminal, ainda não se sabe ao certo.

 

 

Shopping Moreninha

Também debatido como investimento certo na cidade, com ajuda do Prodes, o shopping Moreninhas é um plano discutido há pelo menos cinco anos.

No início deste ano, o prefeito da cidade, em coletiva de imprensa, informou que um grupo interessado no investimento deva aplicar, inicialmente, 100 milhões no negócio, que inaugura daqui três anos e meio, segundo ele, quase nove anos depois de anunciado para a cidade.

Fábrica de Tablet

Também ancorado pelo Prodes, a prefeitura divulgou em 2012 que aqui em Campo Grande seria construído uma empresa que fabrica tablets. O município doou o terreno para a construção da fábrica. Pelo projeto, ainda no papel, este empreendimento, ainda no plano, geraria 300 empregos.

Investigados

O frigorífico JBS, cujos donos deletaram ao Ministéiro Público Federal, que a empresa financiava campanhas de políticos brasileiros, incluindo su-mato-grossenses, por meio do Caixa 2, crime eleitoral, também recebeu incentivos fiscais da prefeitura de Campo Grande.

O curtume Braz Peli, cujo dono disse que pagava propina a integrante do governo de Reinaldo Azambuja para manter o incentivo fiscal estadual também é beneficiado pelo Prodes.

Aqui em Campo Grande, o Ministério Público Estadual instaurou inquérito para investigar eventuais empresas que receberam benefícios, mas abandonar o projeto depois.

Informações da prefeitura acerca do Prodes, administrado pela Sedesc (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico), estão desatualizadas desde 2011, há seis anos. Entre 2009 e 2011, segundo a Sedesc foram investidos perto de R$ 1 bilhão e criados 8,3 mil empregos. De 2011 para cá não há publicações sobre históricos de investimentos do programa.

 

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